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Ano da Fé

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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

TOLERÂNCIA

A tolerância poderia ser um valor bastante justo e bom... e até um valor cristão.

No entanto, não da maneira como a tolerância é experimentada nos dias de hoje.

Actualmente, a tolerância é apenas uma desculpa para avançar certas agendas ideológicas sem se ser escrutinado. Uma desculpa para silenciar toda e qualquer oposição. Uma desculpa para criar uma casta intocável de indivíduos que se podem dar ao luxo de criticar quem bem quiserem sem eles próprios serem criticados.

Sabe-se que é uma desculpa, porque os idólatras da tolerância jamais aplicam o seu "valor absoluto" a eles próprios.


Ora, eu tenho algumas reservas quanto a este evento. Pelo que se pode ver na notícia, parece que os organizadores sobrevalorizam as técnicas de reorientação psicológicas em detrimento dos ministérios espirituais (quando tais técnicas ainda são, a meu ver, bastante experimentais e têm uma abordagem redutora do problema). Além disso, hesito sempre quando se faz uma celebração "Pride", porque o orgulho não é para ser celebrado, é para ser combatido como o principal pecado do coração.

Todavia, tal evento teria tanto direito a decorrer como um "Gay pride month".

Acontece que o evento foi cancelado por ameaças de violência.
É que os ex-gays são uma ameaça ao dogma "tolerante" de que as pessoas são "born that way" e não podem mudar a sua orientação sexual. Sem estes dogmas, o lobby LGBT perde grande parte da sua força de luta, que consiste na vitimização e na identificação da homossexualidade como uma característica intrínseca, não como uma mera atração sobre a qual podemos exercer uma escolha consciente.

Se o lobby LGBT realmente fosse favorável à tolerância, seria consistente com essa posição e toleraria que as pessoas tivessem a sexualidade que bem quisessem, mesmo que fosse rejeitar a homossexualidade.

Quando o lobby LBGT vem falar de "tolerância", é preciso recordar que é apenas uma palavra bonita que está a ser instrumentalizada para propósitos nefastos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

NO ANIVERSÁRIO DO INFAME REFERENDO

... para que cada mulher "pudesse escolher o que quer fazer com o seu corpo"...

... surgem mais e mais casos em que tal "escolha" apenas se faz para quem quer matar as suas crianças, não para quem as quer ter.
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E, a propósito desta notícia vergonhosa, vale a pena ler na íntegra este complemento, que dá uma visão mais global sobre o assunto.
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Claro está que a sociedade moderna se considera mais inteligente do que os ensinamentos de Deus, veiculados no Magistério da Igreja. Mas devo relembrar uma das profecias que o Venerável Papa Paulo VI firmou na sua desprezada encíclica Humanae Vitae, sobre as consequências da contracepção artificial:

"Pense-se ainda seriamente na arma perigosa que se viria a pôr nas mãos de autoridades públicas, pouco preocupadas com exigências morais. Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? Quem impediria os governantes de favorecerem e até mesmo de imporem às suas populações, se o julgassem necessário, o método de contracepção que eles reputassem mais eficaz? Deste modo, os homens, querendo evitar dificuldades individuais, familiares, ou sociais, que se verificam na observância da lei divina, acabariam por deixar à mercê da intervenção das autoridades públicas o setor mais pessoal e mais reservado da intimidade conjugal.

Portanto, se não se quer expor ao arbítrio dos homens a missão de gerar a vida, devem-se reconhecer necessariamente limites intransponíveis no domínio do homem sobre o próprio corpo e as suas funções; limites que a nenhum homem, seja ele simples cidadão privado, ou investido de autoridade, é lícito ultrapassar. E esses mesmos limites não podem ser determinados senão pelo respeito devido à integridade do organismo humano e das suas funções naturais, segundo os princípios acima recordados e segundo a reta inteligência do "princípio de totalidade", ilustrado pelo nosso predecessor Pio XII."
 
Ainda duvidam da verdade?
Como é possível?
Sim, hoje são apenas pobres que são submetidos a estes métodos (e já é muito!). Mas, quem sabe o futuro? A libertinagem que a contracepção nos fornece será, realmente, mais importante que a verdadeira Liberdade que o Estado não tem pejo em roubar?

quinta-feira, 7 de junho de 2012

ESTE É O MEU CORPO!

"Este é o meu corpo!"

Esta é uma frase que mudou o Mundo! Uma frase que instituiu um caminho para a salvação da Humanidade! Uma frase que é celebrada hoje, solenemente, pela Igreja.

É a frase que Jesus Cristo pronunciou na véspera da sua morte de Cruz, para que fosse instituído um memorial perpétuo do Seu sacrifício, um sinal visível do Seu Amor a estender-se até ao fim dos tempos, para que eu e vós pudéssemos ainda hoje, 2.000 anos depois, experimentar a maravilha deste acontecimento!
Este é o Meu Corpo

 "Este é o meu corpo!"

Que irónico que esta frase divina seja hoje usada num sentido diabólico! Mas é de admirar? O Diabo não pode criar, isso só a Deus pertence! O Diabo pode apenas deturpar, falsificar, conspurcar a essência daquilo que é benigno!

É por isso que a maternidade é vista hoje como uma opressão, um obstáculo à auto-realização pessoal, uma imposição cultural de uma hierarquia machista...
... Quando, na realidade, a maternidade é a prenda mais bela que Deus concedeu: a possibilidade de se ser co-autora com a Divindade no processo da criação da Humanidade e da criação da História! A possibilidade de partilhar o Amor que Deus tem por nós!

É também por isso que o Diabo pegou nesta frase "Este é o meu corpo". Pegou na frase que Deus usou para nos aproximar d'Ele... e usou essa mesma frase para nos afastar d'Ele.
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Os progressistas ufanam-se de falar em nome de Jesus para criticar a Igreja. Gostam de se autoproclamar eles os verdadeiros intérpretes da Palavra. Só eles sabem as reais intenções de Jesus, não os sacerdotes que Ele escolheu para guiar o Seu Povo.
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Mas lá porque usam as mesmas frases, não significa que se esteja em comunhão.
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Sem dúvida que existe uma grande diferença entre usar a frase "Este é o meu corpo!" para tirar a vida...
... e usar a frase "Este é o meu corpo!" para DAR A VIDA!

Porque foi isso que Jesus fez: Deu a vida! Para que os outros tivessem vida!


Sem dúvida que existe uma grande diferença entre usar a frase "Este é o meu corpo!" para fazer a sua própria vontade...
... e usar a frase "Este é o meu corpo!" para FAZER A VONTADE DE DEUS!

Porque foi isso que Jesus fez: fez a Vontade do Pai, sacrificando tudo a Ele!

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Sem dúvida que existe uma grande diferença entre usar a frase "Este é o meu corpo!" para justificar uma existência egocêntrica e hedonista...
... e usar a frase "Este é o meu corpo!" para PODER AMAR!
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Porque foi isso que Jesus fez: amou até ser totalmente consumido! Porque o verdadeiro Amor apenas se manifesta na Cruz!

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Nesta solenidade relembremos o verdadeiro significado da frase "Este é o meu corpo!"... e procuremos reencontrar a dignidade do nosso próprio corpo aí.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

NESTE ANIVERSÁRIO INFAME...

... as principais conclusões do estudo da Federação Portuguesa pela Vida sobre o abortamento provocado em Portugal desde 2007:
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1). Desde 2007 realizaram-se em Portugal mais de 80 mil abortos legais “por opção da mulher”;
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2). A reincidência do aborto tem vindo a aumentar consideravelmente. Em 2010, houve 4600 repetições de aborto, das quais mil representaram duas ou mais repetições;
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3). As complicações do aborto legal para a mulher têm vindo a aumentar todos os anos, registando-se mesmo uma morte em 2010;
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4). A intensidade do aborto é maior nas mulheres mais instruídas, com idades compreendidas entre os 20 e os 35 anos;
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5). Desde o primeiro ano da implementação da lei houve um aumento de 30% no número de abortos por ano (15 mil no primeiro ano e 19 mil nos últimos anos);
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6). Desde os anos 80, Portugal acumula um défice de 1.200.000 nascimentos, necessários para assegurar a renovação das gerações e a sustentabilidade do País. Desde 2010 que esse gap não é compensado pela emigração.
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7). Os dados do aborto fornecidos pela Direcção Geral de Saúde têm vindo a perder transparência e rigor: não há relatórios semestrais desde 2009 e a informação contida nos relatórios é menor desde 2007.
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Tirado daqui
Crédito: Papinto (do blog "O Povo") por divulgar estes dados

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

É POSSÍVEL A ESPERANÇA!

Neste tempo de Advento, em que esperamos que Jesus venha, devemos recordar que Ele não veio para chamar os justos, mas os pecadores (Mt 9:13).

Por isso, para os pecadores, também é possível a Esperança!

Ler aqui.

PS: Obrigado ao blog Senza por me chamar a atenção a este artigo.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

BOAS NOTÍCIAS! (LITERALMENTE)

Há muito mal a ser feito no mundo e no nosso país. E uma parte não desprezível desse mal provém media, os quais 1) são enviesados por um profundo pós-modernismo e anticatolicismo e 2) procuram sempre salientar aspectos negativos da realidade, numa tentativa sensacionalista de vender mais jornais...


Precisamente para contrariar essa tendência, penso que, quando surgem boas notícias, estas devem ser divulgadas e aplaudidas. Curiosamente, a boa notícia que vou passar a analisar refere-se, precisamente, aos media.


Supreendeu-me pela positiva o último número da Revista Única do Expresso, com o tema do "Sim".


Nessa revista foi escrito um artigo sobre as pessoas contracorrente dos nossos tempos. Em circunstâncias "normais", a revista iria publicar histórias de pessoas "contracorrente" como esquerdistas, gays, "à rascas", heréticos e outros revolucionários do género. Mas não. Nenhum dos entrevistados figurava nesse perfil. Pelo contrário, foram entrevistados:
a) Um par de namorados que pretendem manter-se virgens até ao casamento, por motivos religiosos
b) Uma jovem que decidiu tornar-se freira
c) Um casal em que a esposa decidiu, por iniciativa própria, ficar em casa a cuidar dos 4 filhos


Fica assim provado que, nestes tempos conturbados, ser-se verdadeiramente contracorrente não é fazer irreverentemente e egoisticamente tudo o que nos apetece fazer, sem nos preocuparmos com as consequências... Ser verdadeiramente contracorrente é antes viver de acordo com um sentido mais elevado, que exija renúncia de si próprio e auto-sacrifício, ou seja, Amor na Verdade (Caritas in Veritate). E é-se verdadeiramente contracorrente, sobretudo quando se vive esse Amor na Verdade num contexto social que lhe é profundamente averso.


Como diria o meu amigo Nuno Miguel Fonseca: "A modernidade foi a ruptura com a Tradição; a pós-modernidade, a tradição da ruptura. O nosso tempo será a ruptura pela Tradição."


Na mesma revista foi ainda publicado um artigo sobre católicos que, a dada altura do seu percurso, perderam e reencontraram a Fé. Foi um artigo muito interessante, que demonstra que a Fé não é algo amorfo, monótono e acrítico, como o preconceito actual dita... A Fé cresce com a pessoa e, por isso, está sempre a questionar-se, a evoluir, a desafiar-se, a reinventar-se. Por outro lado, o artigo apresentou uma escassez refrescante dos habituais bitaites sobre o reaccionarismo da Igreja, com os quais os jornalistas gostam de condimentar (desnecessariamente) os seus artigos.


Por isso:
MUITOS PARABÉNS, EXPRESSO!
E muito obrigado por darem aos católicos o contraditório que tanto nos tem faltado! Sem dúvida que estes artigos irão despertar as críticas de muitos sectores... Mas, ao fazer isto, este semanário demonstrou ser, realmente, "contracorrente"!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

UM DOS MELHORES ARTIGOS SOBRE HOMOSSEXUALIDADE QUE JÁ LI

Escrito por uma católica ex-lésbica...

A nossa Igreja (e aqui refiro-me mais ao laicado do que à hierarquia) tem que aprender a lidar com este fenómeno da homossexualidade de uma forma diferente das seguintes
1) Aceitação acrítica do pecado
2) Humilhação farisaica do pecador

E talvez, depois de fazermos essa reflexão para a homossexualidade, possamos extrapolar as nossas descobertas para todos os restantes pecados.

Eu tentei fazer isto há uns tempos... Talvez não tenha sido bem sucedido, mas penso que é este o caminho que devemos seguir.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

UMA CULTURA DE TRANSGRESSÃO É UMA CULTURA DE MORTE (II)

A propósito desta notícia, relembro este meu post.

Rezemos por elas, em vez de lhes lançarmos pedras, como nos ensinou o Mestre...

sábado, 20 de agosto de 2011

DAS MANIFESTAÇÕES EM ESPANHA...


Muito se tem escrito sobre as manifestações em Espanha por parte dos indignados laicistas que protestam contra a contribuição de dinheiros públicos para as Jornadas Mundiais da Juventude (uma manifestação católica de jovens com a inultrapassável contribuição e presença do Papa Bento XVI)

Em primeiro lugar, convém dizer que a grande maioria das despesas são suportadas pela própria Igreja Católica, por contribuições e por fundos privados. Veja-se aquiaqui, aqui e aqui.

Depois, convém salientar que a grande maioria dos ditos Indignados são de Esquerda. E a Esquerda é adepta do keynesianismo. Quer isto dizer, a Esquerda acredita que é papel do Estado gastar dinheiro (seja por obras públicas, seja por subsídios) para manter o dinheiro a circular e, deste modo, dinamizar a economia.

Deste modo, não se compreende as manifestações destes Indignados contra as (poucas comparadas com tanta e tantas outras) despesas públicas no que diz respeito à visita do Papa... quando se sabe que a economia espanhola vai claramente sair a ganhar com essa visita. Veja-se aqui, aqui e aqui

Mas quando confrontado com isto, o Indignado contesta que se estão a utilizar dinheiros públicos para promover uma religião, que é uma crença subjectiva e privada, não partilhada por certos segmentos da população, e que busca impôr a sua moralidade particular sobre os outros.

Ora, estes são os mesmos que acham que os dinheiros públicos devem financiar abortamentos provocados... ou certos lobbys de propaganda feminista e LGBT. Também muitos segmentos da população contestam a benignidade e a ética destas práticas. Portanto, estes indignados não podem ser (por princípio) contra a utilização de dinheiros públicos para financiarem uma moralidade particular que se pretende impor aos outros.
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Não sejamos ingénuos! Se a questão realmente se prende com os dinheiros públicos, então para quê tantos cartazes de doutrinas contrárias à Igreja (homossexualidade, abortamento) ou com as mentiras propagandísticas do costume (o nazismo do Papa ou o seu encobrimento de casos de pedofilia)?

Portanto, daqui se depreende que os dinheiros públicos são apenas um pretexto!

O que realmente move estes Indignados é o ódio e o preconceito! Contra o Papa! Contra o Catolicismo! Contra as expressões públicas, comunitárias e democráticas dos católicos!

Ora, estes Indignados também são favoráveis a que sejam proibidas todas as manifestações que sejam puras manifestações de ódio e preconceito...

Logo, segundo a própria ideologia dos Indignados:
1) A visita do Papa deve ser financiada por dinheiros públicos, porque é benéfica para a economia
2) O facto de a religião católica ser subjectiva não impede a utilização desses dinheiros públicos
3) As manifestações dos Indignados deveriam ser proibidas, porque são movidas única e exclusivamente por ódio e preconceito.

Não estou a dizer que concordo com nenhuma destas conclusões. Digo apenas que o Indignado tem apenas 2 opções: ou concorda com estas conclusões ou então está a ter um double-standard (o que, a verificar-se, demonstraria que o Indignado é incoerente e injusto).

domingo, 24 de julho de 2011

UMA CULTURA DE TRANSGRESSÃO É UMA CULTURA DE MORTE

In memoriam. Que, nos seus últimos momentos, tenha podido encontrar Deus... e, com Ele, a fé, o amor e, sobretudo, a esperança que jamais encontrou em vida...

Isto, pois, deve servir-nos de advertência. Em primeiro lugar: uma Cultura de Transgressão é, em si própria, uma Cultura da Morte. Em segundo lugar, o cristão tem o dever de espalhar o Evangelho, não como uma pedra que possa lançar aos seus irmãos pecadores para satisfazer o seu orgulho farisaico... mas como uma obra de Misericórdia para com o irmão pecador, para o salvar desta mesma Cultura de Transgressão que leva à Morte.


quinta-feira, 23 de junho de 2011

TEOLOGIA DO CORPO E CORPO DE CRISTO

Jean Auguste Dominique Ingrés
"A Virgem Maria contemplando a Hóstia"
1852
Publiquei recentemente um vídeo que fiz, tentando sumarizar a Teologia do Corpo do Papa João Paulo II.
Por ter sido algo que fiz tão recentemente, dei por mim a reflectir neste feriado sobre aquilo que une a Teologia do Corpo ao Dia do Corpo de Deus.
A palavra "Corpo".
Pensei se não será mais do que uma palavra que unirá esta solenidade e aquela parte da doutrina católica. E, sem surpresa, constatei que não é só a palavra que é comum, mas o seu sentido também... Afinal de contas, o catolicismo é um Todo, perfeitamente coerente e harmonioso entre as diversas partes que o compõem.

Ora, durante séculos o Catolicismo teve de debater-se com uma série de heresias e deturpações (os gnósticos, os maniqueus, os cátaros...) que viam o corpo como algo de mau, a matéria como malévola, a sexualidade como intrinsecamente pecaminosa.

Isto tinha implicações teóricas, como a negação do dogma da Encarnação, sem o qual o Cristianismo seria apenas a filosofia de um sábio oriental qualquer da Judeia Antiga. Mas também tinha implicações práticas, a nível moral... o aborto e o infanticídio eram promovidos, bem como o suicídio (vistos como uma eliminação da matéria e o atingimento de um novo nível espiritual) e a promiscuidade sexual (curiosamente, essas heresias consideravam que era impossível ao Ser Humano ter continência sobre os seus instintos, pelo que era preferível que os fiéis se "aliviassem" em orgias cuidadosamente elaboradas pelos líderes dessas seitas).

Como é possível depreender, esta mentalidade tinha como principal efeito uma sexualidade afastada do Amor conjugal, uma vez que a sexualidade já não era vista como uma forma de aproximar as pessoas, mas como uma forma de saciar as nossas pulsões. De igual, o Amor era afastado da vida dos crentes pela eliminação da vida, nascente ou não, uma vez que para existir Amor é necessário existir Vida.

E uma vida sem Amor é uma vida sem Deus, como bem se sabe.

A Igreja Católica sempre se opôs a estes movimentos. A Igreja prega um deus coerente, que afirmou no princípio de todas as coisas que tudo "era muito bom". Além disso, a Igreja prega a Encarnação, isto é, Deus a habitar na matéria, Deus a fazer-Se matéria. E fá-lo por nós, por Amor. Finalmente, a Igreja é a depositária da principal prova da Encarnação de Cristo: a Eucaristia, o Sacramento supremo, Deus feito matéria para ser comido por nós, bebido por nós, comungado por nós, incorporado em nós.

Ora vejamos: No Matrimónio, o homem "deixa pai e mãe, para se unir à sua mulher e eles serão uma só carne". Na Eucaristia, Jesus une-se a cada um de nós e torna-se um só com a nossa própria carne. No Matrimónio, a união da carne do homem e da mulher gera frutos, que são da mesma carne e do mesmo sangue que os do casal. Na Eucaristia, a união entre Deus e o Homem gera frutos de santidade, que são da mesma carne e do mesmo sangue que Cristo. Tanto o Matrimónio como a Eucaristia têm a mesma essência, a mesma substância: o Amor.

O Matrimónio mais não é do que uma pequena imagem da Eucaristia.

Por isso, não será de espantar que, num mundo em que tantos cristãos pensam que a Hóstia não é verdadeiramente Corpo e Sangue de Cristo, mas um mero símbolo... num mundo em que tantos católicos desconhecem e renegam o dogma da Transubstanciação... seja um mundo onde o corpo humano é constantemente degradado ao nível de um mero objecto sexual, ou destruído quando é inconveniente (caso do aborto e da eutanásia).

Será a ignorância do valor da Eucaristia que produz a apatia face ao Matrimónio? Será a ignorância do valor do Matrimónio que produz a apatia face à Eucaristia? Não sei... Não sei qual é a causa e qual é a consequência. Talvez, tal como as duas doutrinas estão interligadas, também as duas heresias o estejam.

Mas, de resto, é possível constatar que a nossa praxis pós-moderna é muito semelhante à dos gnósticos, maniqueus e cátaros. Quer isto dizer, que a melhor forma de evitarmos os erros cometidos pelos que subvalorizavam a matéria e a sexualidade NÃO É caírmos no erro oposto de sobrevalorizarmos a matéria e a sexualidade. Na verdade, ambos os extremos comportam-se de forma semelhante.

A melhor forma de evitarmos os erros cometidos pelos que subvalorizavam a matéria e a sexualidade é, precisamente, dignificarmos a matéria e a sexualidade, colocando-as ao serviço de Deus e do Homem. Isto faz-se, sobretudo, aprendendo com o Mestre, contemplando-O, recebendo-O. Ele aponta o caminho. A nós, resta-nos fazer como Ele fez, fortalecidos pela graça do Seu Sacramento.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ELES (NÃO) SÃO TODOS IGUAIS...

Uma das frases que mais se tem vindo a ouvir nos últimos anos no que diz respeito a políticos é "Eles são todos iguais...". Essa frase tem ganho popularidade sobretudo nestas últimas eleições, para justificar o abstencionismo e a apatia política do Povo. E, por estranho que pareça, a mim parece-me que este pensamento até deve estar a ser popularizado pela máquina de propaganda socialista. Porque o único beneficiário da afastamento político dos descontentes é precisamente José Sócrates.

Na verdade, este pensamento é apenas uma das facetas do relativismo que tem vindo a erodir e a destruir a nossa sociedade. Existe um mal objectivo e que é reconhecido por todos, mas contra o qual não se faz nada, porque se relativiza esse mal ou as suas consequências. É a "tolerância" pós-moderna, que é apenas uma desculpa para o alheamento em relação aos males que nos cercam.

Ora, o relativismo combate-se com a Verdade. E a Verdade é esta:
NÃO SÃO TODOS IGUAIS!!!

Não são iguais de um ponto de vista moral:
 - Uns são adversos à degradação moral que temos vindo a assistir nos últimos anos; p.ex: PPV.
 - Outros, são adversos, embora não sejam de todo fiéis nem de confiança; p.ex: CDS-PP.
 - Outros são adversos a uns males e favoráveis a outros; p.ex: PPD-PSD de Pedro Passos Coelhos, que é favorável à equiparação a Casamento das uniões homossexuais, um mal que já foi legalizado... mas que aparenta ser adverso àqueles males que ainda não foram legalizados
 - Outros são claramente favoráveis à degradação moral da nossa sociedade (p.ex: BE, PCP). E desses, houve um que levou a cabo essa degradação até à exaustão, sem dó nem piedade, sem busca de consensos nem de soluções moderadas, e que o fez na legislatura que finda e que vai a escrutínio: o PS!!! E continuará a fazê-lo, se o elegermos outra vez.

Portanto, não me digam que não existem alternativas. Existem alternativas para todos os gostos e feitios, para todas as preocupações e argumentos, desde os adeptos do "voto útil" até àqueles que deixam que o voto seja um reflexo puro das suas consciências. E se me dizem que "Todos são iguais" e que temos de ser mais exigentes, então o abstencionismo não é solução. Porque, com o abstencionismo, não se cria mais exigência, mas mais impunidade dos medíocres. Se queremos ser mais exigentes, então aloquemos os nossos votos a outras forças políticas, que ainda não tiveram a oportunidade de fazer um bom trabalho, em vez de nos deixarmos fazer reféns dos partidos "grandes".


Mas passemos ao ponto de vista puramente económico (que parece ser o único que interessa às pessoas). Aqui, também é igualmente verdade: Não são todos iguais!

Não são todos iguais porque:
- Um deles (o actual Primeiro-Ministro) endividou o país até à total bancarrota.
 - Os outros, não.
Ponto final.

Um é um mal conhecido (e já exaustivamente conhecido como tal). Os outros são um mal possível, contrabalançado com um bem possível.

Logo, é dever de um eleitor consciente lutar pelo que é melhor para o país, afastando os males que se apresentam como tal de forma objectiva.

Por outro lado, se se considerar que "São todos iguais", porque todos vão ter que obedecer às orientações do FMI para retirar Portugal da penúria... então ainda se verificam mais motivos para infligir a derrota em Sócrates. Se os políticos não têm margem de manobra em termos de políticas económicas, então isso dá ao eleitor a liberdade de votar com base noutros critérios: como por exemplo os valores e ideais. Ou, então, a liberdade para afastar quem claramente é prejudicial. Se as medidas de austeridade do FMI são, além de obrigatórias, também deletérias para o desenvolvimento do país, então puna-se quem nos obrigou a isto. E o único responsável pela vinda do FMI foi José Sócrates! Não me venham com historietas! Um país que está com uma execução orçamental excelente, não passa à necessidade absoluta de pedir ajuda externa em 2 semanas de governo de gestão. Afirmá-lo é acreditar em clara propaganda enganosa!




Esta "geração à rasca", que organiza manif's colossais para protestar (precisamente com base no princípio: "Os políticos são todos iguais") e que, depois, com base nesse mesmo princípio "Eles são todos iguais", se recusam a exercer o seu direito de voto... esses, essa "geração à rasca", são os maiores aliados de José Sócrates, a seguir aos indefectíveis do PS que votam sempre no mesmo por clubismo. Porque essa "geração à rasca" tem o poder dos números, mas depois é incapaz de traduzir isso onde realmente tem poder: nas urnas! Tudo isso porque todo esse poder dos números é inutilizado por uma ideia preconceituosa e perniciosa...

Em resumo: uma massa. Não um movimento cívico, nem uma manifestação do Povo soberano, mas uma massa. Daquelas massas que são constantemente escravizadas e intrumentalizadas pelos tiranos. Como parece ser o caso com José Sócrates.


Não existem quaisquer motivos para deixar Sócrates e a Esquerda fracturante ganhar as próximas eleições. Bem pelo contrário, nunca houve tantos motivos nem tão variadas formas de lhes infligir a derrota que eles merecem. Caso se preveja a hecatombe de Portugal sucumbir a mais 4 anos de Sócrates, o país não terá mais desculpa para todos os males que lhe vão cair em cima: materiais ou não.

sábado, 14 de maio de 2011

CANSADO DE VOTAR NO MAL MENOR?

Eu estou!

Assuma o compromisso "OK, eu voto", mas só nos partidos que defenderem o seguinte...

Porque manifestações não se fazem apenas em manifs. E porque já fomos desprezados muitas vezes, muito tempo!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A NOVA PAIXÃO DE CRISTO

Nosso Senhor! Aqui estais Vós! Passaram-se 2010 anos! A Terra girou 2010 vezes em torno do Sol! E o Universo seguiu o seu curso interminável durante esse exacto período de tempo! Vós, Senhor! Vós é que continuais no mesmo sítio! Volvidos 2010 anos, aí estais Vós outra vez, lançado no mesmo lugar! Porque o Universo todo muda em 2010 anos... só o Coração Humano é que nunca muda...

Ali estais Vós, meu Senhor e meu Deus! Uma vez mais... Nu, desprezado, insignificante! Querem a Tua morte, não porque tenhais cometido algum mal, mas porque incomodais, não nos deixais viver como queremos, não deixais nossas consciências imperturbadas.

Mas hoje, Senhor, hoje não sois um carpinteiro adulto! Hoje sois um embriãozinho! Uma criançazinha indefesa no ventre de sua mãe! Nu! Desprezado! Insignificante! Sim, nesta nova Paixão, nem precisastes de falar, nem abristes a boca, nem pregastes o Evangelho! Só a Vossa presença incomoda! Só a vossa presença é um sinal às nossas consciências de que não podemos viver como bem queremos!

Por isso, eles não Te suportam! Por isso eles vociferam contra Ti! Por isso eles se inflamam, rasgam as vestes, espumam, mentem, blasfemam, odeiam! Alimentados pelo seu fanatismo, que não pode conhecer oposição... eles, os araútos da moral pública, os defensores dos bons costumes... Não os bons costumes da virtude, mas do politicamente correcto!

Eles vêm contra ti! À cabeça dos acusadores, o Sumo-sacerdote: José Caifás Sócrates! Infelizmente, não vem só... todo um Sinédrio de Nobres, Lopes, Mouras e Coelhos vem com o mesmo fito! Na sombra do Sumo-sacerdote rasteja outro sacerdote respeitável desta religião fanática: Manuel Anás Alegre!

Sim! Vede como estão unidos todos eles! Vede como colaboram José Caifás e Manuel Anás! Eles, que no passado se odiavam entre si, se difamavam e caluniavam, se prejudicavam mutuamente, porque cada um queria o lugar mais elevado no Sinédrio, eles que nem se podiam ver... Estão unidos com o único propósito de Te matar, meu Senhor! Como é possível que tantos ódios se possam anular em nome de um Ódio maior... e logo a Ti, que nada fizestes, que apenas Vos limitastes a existir, que nunca maculastes Vossas mãozinhas com mal a ninguém, que nunca manastes nada mais do que inocência e quietude...

Vem o Sinédrio em força, vem todo ele unido! Amanhã, eles todos continuarão a desentender-se e a semear a discórdia por entre as suas facções! Só se unem, em fazer o Mal ao mais pequenino de entre nós... Hoje, eles são um coro, que berra: "Abortai-O! Abortai-O! Abortai-O!"

Atrás deles veio o Povo todo. Ai, pobre Povo, pobre Jerusalém! Em tempos fostes um Povo Escolhido, terra fértil da Cristandade, honrada e fiel ao teu Senhor! Nem Maria resistiu a visitar-te! Mas já não! Esquecestes as palavras de Teu Pai e, em consequência, vindes contra um Filho...

E porquê, Jerusalém? Porquê, Povo? Por que juntas a tua voz à dos carrascos? Por que dás força aos algozes? Por que te moves contra uma pobre Criança, com uma superioridade numérica que abafa todos aqueles que rogam clemência, que imploram perdão, que clamam por decência na Lei e na Nação? Compraram-te, ó Povo, por um par de sandálias? Com que promessas vãs e demagógicas, ó Povo, te seduziu o Sinédrio para assim renunciares à alma, o orgulho dos teus antepassados? De que te serve ganhares o Mundo todo, se perderes a alma... mas pelo défice...

Sobre tudo isto, preside Aníbal Pilatos Silva, homem de Estado, recto, vertical, incorruptível, providencial, divino e esfíngico como um César... Ele tenta conciliar, tentou consensos, tenta arranjar compromissos, tenta ser tolerante... em vão!

Solta Barrabás, na esperança de que isso aplaque a fúria do Sinédrio. Barrabás, um pobre gay, preso por roubar o Casamento... Sim, Barrabás roubou. Era bom aquilo que ele roubou! Quem pode censurá-lo por cobiça-lo? Quem pode repreendê-lo por pensar que jamais seria feliz sem isso? Todavia, não era dele...Não era a ele que pertencia... Barrabás, não era a sociedade que te prendia, era o teu coração enganado...

Aníbal Pilatos Silva solta Barrabás, esperando que o Sinédrio o deixe em paz! Pobre ingénuo! O Sinédrio quer lá saber de Barrabás! Está-se borrifando para ele! Barrabás é um pobre instrumento no meio das manigâncias políticas deles! Barrabás é um pretexto para abortar Jesus! Em que é que soltar Barrabás pacificou o Povo, em que é que o tornou mais governável, em que é que silenciou o Sinédrio? Vê, Pilatos! Vê como eles se encarniçam ainda mais contra ti, farejando a tua tibieza!

"Abortai-O! Abortai-O!" - gritam eles com cada vez mais força - "Abortai-O!"

E há quem olhe para Aníbal Pilatos Silva na esperança de um raio de luz! Na espectativa de que um tal homem de Estado, recto, vertical, incorruptível, providencial, vá tomar as decisões mais correctas, vá tomar o partido dos indefesos, vá agir com Ética, vá repelir os demagogos e restaurar a Justiça e a Verdade!

Oh, golpe rude no coração, tão profundo quão inesperado, quando se vê Aníbal Pilatos Silva lavando daí as suas mãos! Julgas que lavando as tuas mãos te escapas do crime? Julgas que as gerações futuras não recitarão, com a maior das naturalidades, "...sob Pôncio Pilatos..."? Tu, que eras o único que podias ter evitado tudo isto! Mas não era importante! Não era importante que um inocente morresse! O que era importante, era que o Povo continuasse unido, pagando impostos a César, contribuindo para a estabilidade sócio-económica do Império! Aníbal Pilatos Silva é muito responsável! É o Governador de toda a Jerusalém, mesmo que para isso tenha que perecer uma parte dessa mesma Jerusalém...

E depois de toda esta trágica peça, lá és Tu, meu Senhor, encaminhado para o matadouro! Uma vez mais, serás esquartejado, sangrado, trespassado por intrumentos afiados como lanças... ou envenenado por fel no topo de um hissopo metálico.

Ó, Povo de coração empedernido, que a tudo isto assistes com agrado ou indiferença! Não vês que O estás a crucificar? Não vês que "aquilo que fizestes ao menor de entre vós, foi a Mim que o fizestes"? Ó Povo, julgas que Deus não vê? Julgas que Deus não chora? Como se Ele não sentisse na pele quando O crucificaram 50.000 vezes?

Onde está a tua Fé, ó Povo, que te conduziu por entre os mares desconhecidos para descobrires metade do Mundo? Onde está a tua Esperança, ó Povo, que pariu profetas de D. Sebastião e do Quinto Império? Onde está a tua Caridade, ó Povo, que encheu cestos de alimentos de inúmeras iniciativas de Solidariedade Social? Esqueceste-te? Esqueceste-te das tuas armas? Esqueceste-te do teu valor? Esqueceste-te do teu coração?

Não...

Não esqueceste, porque eu faço parte de ti. E eu não me esqueci! E eu estou ali, naquela multidão. Desesperado, desorientado, incapaz de compreender como foi possível que tudo tivesse chegado a este ponto de loucura! E quero gritar, mas os meus gritos são abafados por aquela maioria, por aquele Sinédrio num lugar tão elevado, os meus gritos não chegam aos ouvidos de ninguém...

Chegam aos Teus...

Sim, porque eu, que não tenho voz, diante de tanta injustiça e tanta corrupção, tanta promiscuidade e tanta loucura, eu a quem ninguém ouve, a quem ninguém compreende, a quem todos apontam o dedo porque me recuso a compactuar com tudo isto... em mim... em mim Tu fixaste os Teus olhos...

Senhor, diante disto, que queres que eu faça? Sou totalmente impotente! Que posso eu fazer? Nada, a não ser não juntar as minhas vozes às daqueles que te condenam ou que permitem que sejas condenado? Nada, a não ser não trair-te como um Judas, por trinta dinheiros? Nada, a não ser perder-me de pena e de amor por ti, a Quem mais ninguém ama e de Quem mais ninguém tem pena? Parece-me tão pouco, Senhor! E, no entanto, é tudo o que posso fazer... e é tudo aquilo que pedes de mim.

Ai, Senhor, sinto uma tão grande ira dentro de mim, fervendo, destruindo-me, corroendo-me, ulcerando o meu coração! Ó Senhor, Tu podias acabar com isto! Com um sopro, todos os malfeitores desapareceriam! Com um gesto, toda a injustiça cessaria! Com uma palavra, esta geração seria poupada da sua própria iniquidade! Porquê? Por que não o fazes? Por que te deixas ir matar pela 50.001 vez?

Mistérios que um mero mortal não compreende...

E, no entanto, a resposta está nesse olhar, nesse olhar sereno que Tu em mim fixaste!

Tu recusas-te a fazer o que eles a Ti te fazem!

Tu não abandonas os teus filhos à mercê da Morte!

Tu amas, sem limites!

A resposta está neste meu coração, que mesmo com toda aquela ira, é incapaz de libertar um pingo que seja de ódio. E, assim, a ira se dissolve e me encho de compaixão! Perdoo-lhes, porque não sabem o que fazem! E, ao ver-te expirar o choro silencioso, sem nada poder fazer, triunfo vitoriosamente e gloriosamente sobre aquele que era o meu maior Inimigo, maior que Pilatos ou Caifás...

Eu Amo-te Portugal!!!


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O PAPA E A DOENÇA DO MUNDO (a saga continua)

Detesto ter de interromper o mês que eu queria dedicar exclusivamente à pobreza, mas as deturpações jornalísticas obrigaram-me a isso, uma vez mais...

Andam todos os jornais (e toda a gente) num rebuliço porque se diz que o Papa "finalmente" "permitiu" o uso do preservativo em certas circunstâncias. Decerto tais pessoas pensam que, em breve (numa questão de anos, mas mais cedo ou mais tarde), a Igreja vai "compreender" a benignidade dos contraceptivos e, eventualmente, liberalizar a sua visão da sexualidade para outras áreas fracturantes. Caem na heresia do Modernismo, segundo a qual a Igreja Católica tem de adaptar a sua verdade aos tempos modernos e não somente à Doutrina de Cristo transmitida pela cadeia apostólica... heresia essa condenada pelo Papa S. Pio X.

Ora, o Papa Bento XVI nunca (e eu repito NUNCA) "permitiu" o uso do preservativo. O que sucede é que vai ser publicado em breve um livro chamado "A Luz do Mundo", no qual o Papa é entrevistado por um jornalista seu amigo, o Peter Seewald. No decurso dessa entrevista, surge o seguinte excerto:


São estas as frases da controvérsia. Mas, como se pode ver, nada nesta frase permite o uso do preservativo. O comentário do Papa foca-se, outrossim, na transformação moral de uma pessoa com uma vida sexual depravada, que finalmente começa a compreender que a sua sexualidade implica alguma responsabilidade. O acto, per se, não é lícito, mas pode ser um primeiro passo para exorcizar o relativismo moral associado à sexualidade.

Se dúvidas houvesse quanto à interpretação a dar a estas frases, basta ler as frases que precedem o excerto e as frases que lhe seguem:

"A pura fixação no preservativo implica uma banalização da sexualidade, que é, afinal, a fonte perigosa da atitude que não vê a sexualidade como uma expressão do Amor, mas apenas como uma droga que as pessoas administram em si próprias. É por isso que luta contra a banalização da sexualidade é também uma parte da luta para assegurar que a sexualidade é tratada como um valor positivo, com um efeito positivo no Ser Humano como um todo.
(...)

Ela (A Igreja Católica) não o vê (o uso do preservativo) como uma solução moral ou real, mas em certos casos, pode existir uma intenção de reduzir o risco da infecção, um dos primeiros passos no movimento em direcção a uma forma diferente, mais humana, de viver a sexualidade"


A Doutrina da Igreja não mudou uma vírgula. A condenação da Igreja ao uso do preservativo mantém-se. O que sucede é que a condenação do preservativo baseia-se no seu efeito contraceptivo. A Igreja é contrária à contracepção, mas não à prevenção de doenças. Como tal, o uso de preservativo enquanto profilaxia (e apenas como tal) é lícito.

Deste modo, se um prostituto se envolver numa relação homossexual, o preservativo não terá qualquer efeito contraceptivo... mas poderá ter um efeito profiláctico contra a SIDA. Este caso está claramente fora do âmbito da Humanae Vitae, pelo que esta resposta do Papa não muda nada... no máximo dos máximos, apenas acrescenta, sem nada alterar. O uso de preservativo como um profiláctico pode ainda ser legítimo em casos em que já não existe o objectivo procriativo da sexualidade para conferir ao preservativo um efeito contraceptivo: por exemplo, quando a mulher é pós-menopáusica ou estéril porque submetida a uma histerectomia por problemas ginecológicos.

Ou seja, uma vez mais, too much ado about nothing. E, entretanto, as pessoas vão ficando mais confusas e o Pecado vai-se aproveitando.




Para ver o desmentido do Vaticano acerca das declarações do Papa, clique aqui e aqui

Para saber por que a doutrina da Igreja (e do Papa) acerca do preservativo está correcta, clique aqui e aqui

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A ESPADA DE AÇO E A ESPADA DE FOGO

Neste meu post bastante recente, eu escrevi "... obrigar a Esquerda a tomar uma posição coerente: ou há liberdade religiosa para todos ou não há para ninguém! Chega de defesas hipócritas dos muçulmanos apegadas a preconceitos anticristãos, anticatólicos e anticlericais!"
Estas minhas palavras ficaram a ecoar na minha mente, sobretudo depois de ler este outro post de outro blog. De facto, existe uma grande duplicidade de critérios na forma como os cristãos e os muçulmanos são tratados pela nossa elite intelectual dominante (e pelos media que ela controla). Por que um cristão que ameace queimar um Corão é rapidamente e inequivocamente condenado por desrespeitar liberdade religiosa e por "ferir susceptibilidades"... e por que hão-de os manifestantes anti-Papa, com os seus preservativos e caricaturas desrespeitosas, ser olhados com bonomínia e até com estima?

Antes de reflectir sobre esta questão, tenho duas achegas a colocar:
1) Este argumento da duplicidade de critérios é muito prevalente entre os conservadores para criticar os críticos do Papa... mas é um argumento falacioso. Trata-se da falácia tu quoque. Lá porque os muçulmanos não são condenados por procederem mal, não significa que o Papa não possa ser condenado por proceder mal. E lá porque o Papa é acossado, caricaturado, gozado e difamado, não significa que os muçulmanos o devam ser...
2) Os muçulmanos a que me refiro na presente reflexão são apenas os fanáticos, apoiantes ou participantes em actos terroristas ou atentatórios da dignidade humana. Não os confundo aqui com os muçulmanos que aderem a uma visão do Islão respeitadora dos direitos humanos e religiosos de todos.

Posto isto, é preciso perguntarmo-nos... por que existe esta duplicidade de critérios? Sim, porque o facto de esta duplicidade não ser um argumento válido para avançar a posição cristã, não significa que esta duplicidade não exista. Então, porquê? Por que a Esquerda condena o Cristianismo com tanta veemência, mas não tanto o Islamismo, sobretudo o mais radical e fundamentalista?

Sem dúvida que há uma ligação ao conflito israelo-palestino. Sem dúvida que há uma ideia errada, mas prevalente, de que o Corão é mais sagrado para os muçulmanos do que o Papa o é para os católicos. E sem dúvida que há aqui um medo de que actos fúteis e provocatórios possam causar um atentado terrorista islâmico, que jamais surge por parte dos cristãos...

Mas essas são razões muito superficiais...

A principal razão é o medo. Sim, pura e simplesmente, o medo! Não o medo de atentados terroristas... Não. Trata-se do medo da Espada de Fogo!

A Esquerda parece defender incondicionalmente a liberdade religiosa dos muçulmanos, enquanto procura abater a todo o transe a liberdade religiosa dos cristão. Defende a liberdade de expressão de caricaturar os católicos, mas acredita que caricaturar os muçulmanos é insensível e intolerante. Incoerente? Não! Apenas o é superficialmente... quando se compreende o medo da Espada de Fogo, este comportamento torna-se verdadeiramente coerente.






Ora vamos ver...
Qual é o motivo de protesto dos manifestantes anti-Papa? Os escândalos de pederastia (ups!) quero dizer, de pedofilia no seio da Igreja? A SIDA em África? Um pouco... mas estes são também pretextos! Porque este Papa fez mais para acabar com a pedofilia na Igreja do que qualquer outro... mas isso não basta! Porque o Papa já se desculpou inúmeras vezes pelos escândalos sexuais... mas isso não chega! Porque a responsabilidade da Igreja na propagação do VIH não se encontra minimamente provada... mas isso não interessa! Porque a Igreja faz mais do que qualquer outra instituição para mitigar o flagelo da SIDA... mas isso não importa! Não é satisfatório! Nem nunca será! Porque estes são apenas pretextos!
Qual a solução que as elites advogam para a SIDA em África? Preservativos! Que são condenados pelo Papa! E os manifestantes querem usar preservativos para se protegerem das DSTs decorrentes dos seus comportamentos sexuais promíscuos!
Qual a solução que as elites advogam para a pedofilia na Igreja? Fim do celibato dos padres! Porque o celibato dos padres demonstra uma opção radical pela Castidade! E os manifestantes odeiam a Castidade!
Eles jamais ficarão satisfeitos com qualquer iniciativa benéfica da Igreja... a única iniciativa que eles pretendem da Igreja é a mudança da sua doutrina. Enquanto a Igreja não lhes disser: "Façam o que quiserem e divirtam-se, meus malandrecos!", eles continuarão a protestar e a demonizar a Igreja por todos os males do Mundo, verdadeiros ou imaginários, passados ou presentes.

Continuarão, porque esta é uma necessidade deles! Sem a demonização da Igreja, resta-lhes apenas a eles confrontarem-se com a sua própria demonização... a demonização que advém dos seus próprios comportamentos e dos seus próprios vícios. Se a Igreja não está errada, então são eles que estão... e essa dúvida causa grande sofrimento!

Mas por que precisam eles do visto de aprovação da Igreja? Afinal de contas, só é católico quem quer, não é? Só ouve o Papa quem quer! Só segue os ensinamentos quem o desejar!
Só que a Igreja tem o papel de consciência do Mundo. E a consciência é uma voz incómoda! Obriga-nos a transcendermos os nossos desejos imediatos para buscarmos um Bem maior. Obriga-nos a crescer... e o crescimento é duro. Obriga-nos a caminhar, mesmo que isso nos leve a desertos ardentes e montanhas escarpadas. Tudo isto é tabu na nossa sociedade hedonista e adolescente.

As palavras da Igreja são uma Espada de Fogo que corta o Coração Humano. O fogo é cáustico, queima, ulcera... mas, por isso mesmo, é uma força purificadora! E a Espada da Igreja é do mesmo fogo da sarça de Moisés: Arde, mas não consome (Ex 3:2)! O Povo de Deus é baptizado pelo Fogo (Mt 3:11)! A Espada de Fogo é a Espada do Espírito (Ef 6:17)!







Contemplemos agora o outro lado... os muçulmanos têm uma moral sexual mais solta (para os homens, entenda-se). A poligamia é incentivada. A abstinência e o celibato são aberrações aos olhos de Alá. Até a pederastia (ups!) quero dizer, a homossexualidade, pode ser tolerada em certos locais...

Mas os muçulmanos (os fundamentalistas, entenda-se...) têm outra coisa que a malta de Esquerda considera fascinante. A Espada de Aço. Sim, qualquer pessoa que conheça um pouco a História do Islão sabe que os países do Médio Oriente, da Turquia e do Norte de África não foram convertidos com debates e palavras, mas a fio de espada.

Para uma Esquerda alegadamente pacífica e tolerante, isto deveria ser completamente horripilante. Mas, o (pseudo)pacifismo e a (pseudo)tolerância da Esquerda são, também, meros pretextos. Quem conhecer os alicerces teóricos da Esquerda saberá muito bem que esta jamais hesitou em partir para a guerra e para a intolerância quando lhe era conveniente...

A Esquerda é, a cada altura, composta por minorias. Não especialmente minorias económicas ou étnicas, mas sobretudo minorias ideológicas. A Esquerda é composta, a cada tempo, por um grupelho de intelectuais que se rejubila num sistema de pensamento absurdo e que, como tal, é incapaz de ser partilhado por mais alguém que seja exterior a esse grupelho. Como toda a minoria, considera-se oprimida pela maioria. Logo, cria uma defesa psicológica que consiste num complexo de superioridade e numa mentalidade persecutória... Assim sendo, quando confrontada com a realidade, reage invariavelmente com vitimização.
Para sobreviver, a Esquerda aproveita-se dos seus altos cargos no Estado e nos Media para imporem esse sistema de pensamento a todos os outros que, coitadinhos!, precisam ser educados para a modernidade. Quando a Esquerda não tem esses altos cargos no Estado e nos Media à sua imediata disposição, usa o fio da espada para cumprir esse intento... algo a que eles chamam "Revolução".
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A Esquerda necessita desses métodos de coerção para disseminar a sua mensagem. Mas, isso cria-lhe problemas de consciência. Afinal de contas, eles são todos a favor da Liberdade... mas a Liberdade tem a desvantagem de permitir que as pessoas continuem a ter bom-senso e a desprezar as suas progressistas ideias. A Esquerda pode fingir que está a educar os brutos, fingir que os fins justificam os meios... mas, no final, necessitarão de usar de sharia para forçar os dissidentes a submeterem-se. Daí os problemas de consciência...
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... Consciência essa que, como eu já referi acima, se encontra materializada na Igreja Católica.







Ou seja, é assim que se responde à questão da duplicidade de critérios quanto aos insultos ao Islão e quanto aos insultos à Igreja Católica.
Simplesmente, porque o insulto ao fundamentalista islâmico é um insulto ao alter-ego do burguês ocidental trostkista! O fundamentalista islâmico é aquele que usa a Espada de Aço para silenciar a Espada de Fogo que é a consciência cristã e católica no Mundo. O fundamentalista islâmico é aquele que conseguiu resolver o célebre paradoxo do jacobino civilizado, que quer ser jacobino sem deixar de ser civilizado. O fundamentalista islâmico é aquele que faz o trabalhinho sujo do intelectual comunista, ao perseguir a Igreja nos países não desenvolvidos, onde a mensagem progressista não colhe grandes aplausos.
 
O problema com esta lógica... é que nenhuma Espada de Aço pode derrotar a Espada de Fogo!
Porque a Espada de Fogo não arde com o fogo das paixões humanas, mas com o fogo divino! Arde com a força invencível do próprio Deus! E, sobretudo, arde em todos corações humanos, mesmo naqueles que mais o procuram apagar!
Portanto, estas pobres almas encontram-se profundamente magoadas e é essa mágoa a principal razão do seu medo, que é a fonte do seu ódio...
Elas sofrem muito às mãos da Espada de Fogo, embora esta seja uma espada de amor...
Elas ardem num inferno neste mundo, na esperança que, tocadas pelo Fogo de Deus, possam arrepender-se e não arder num inferno no próximo mundo.
Portanto, cabe-nos a nós, cristão, resistir à tentação de pegar na Espada de Aço para resistir à Espada de Aço que eles procuram instigar contra nós.
Cabe-nos a nós, outrossim, sermos chama viva, a própria fina lâmina da Espada de Fogo.
Contemplemos estas pobres almas e façamos como o Papa fez diante deles... ignoremos os seus uivos estridentes que nada mais são do que um pretexto para conflito... em vez disso, estendamos-lhes as nossas orações e caridade.
Nós venceremos!