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Ano da Fé

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domingo, 19 de abril de 2009

O PAPA E A DOENÇA DO MUNDO (parte 2/2)

No post prévio deixei em suspenso a pergunta do detractor da Igreja: "Deverá o Papa comentar erradamente que o preservativo agrava o problema da SIDA em África, quando estes são um recurso eficaz e realista para eliminar esta doença?"

Será então que a polémica frase do Papa foi errada? Vamos relê-la:
Eu diria que o problema da SIDA não pode ser resolvido com slogans publicitários. Se faltar a alma, se os africanos não se ajudarem uns aos outros, o flagelo não se poderá resolver com a distribuição dos preservativos: pelo contrário, nós agravamos o problema.”

Ao contrário da desinformação que nos vendem por aí, esta frase é factualmente correcta e está de acordo com as evidências científicas sobre o assunto neste momento.

Vou pôr de lado o debate sobre a eficácia intrínseca do preservativo. Está provado que, quando usado consistentemente e de forma correcta, o preservativo é bastante eficaz na prevenção da transmissão do VIH. Não é isso que está em causa. O que está em causa é a veracidade da frase do Papa.

A frase do Papa não é “ao distribuir preservativos nós agravamos o problema” … é, pelo contrário, “Se faltar a alma, a distribuição de preservativos agrava o problema”. Penso que “a alma” aqui se refere à moralidade católica, ou seja, à abstinência sexual pré-marital e à fidelidade conjugal.

É um double-standard gritante quando os opinion-makers gabam a alta eficácia do preservativo (quando usado consistentemente e correctamente), mas estão sempre a criticar a baixa eficácia da moralidade católica (quando não usada consistentemente e correctamente).
Isto porque, quando usado de forma consistente e correcta, a moralidade católica tem uma eficácia (100%) absoluta e superior à do preservativo usado nas mesmas condições (90-95%).
É certo que, quando não é usada de forma consistente e correcta, a moralidade católica deixa a pessoa bastante desprotegida contra o VIH, mas a verdade é que, quando não é usado de forma consistente e correcta, o preservativo também perde grande parte da sua eficácia, ficando-se pelos 69% [1]

Quando o preservativo falha, os seus apoiantes saltam imediatamente para o terreno, propondo mais e melhor educação. No entanto, quando a moralidade católica falha, os mesmos iluminados condenam esta abordagem, considerando-a aprioristicamente como ineficaz, não se preocupando em educar as pessoas ou em motiva-las. Isto é um double-standard, um preconceito, que não tem qualquer raiz científica (e que, na verdade, até é um atentado à Ciência propriamente construída).

Claro que os meus detractores imediatamente me vão dizer: “Pois… só que educar as pessoas para se absterem de relações sexuais é muito mais difícil que educa-las para usarem preservativos em relações sexuais que elas vão praticar de qualquer das formas. A abordagem do Papa é ineficaz porque é irrealista”.


Estas pessoas pensam que o Papa está a pensar numa torre de marfim, aprisionado em conceitos católicos abstractos, afastado das realidades. Mas é precisamente o inverso. São os detractores da Igreja que pensam a partir de uma torre de marfim, aprisionados em conceitos suixant-huitard abstractos, afastados das realidades.

É que África não é o nosso Ocidente super-“civilizado” e inundado por libertinagem sexual e hedonismo. Em África, a mentalidade é completamente diferente. Neste continente, por motivos culturais e económicos, o propósito da sexualidade é, de facto, a procriação. O efeito contraceptivo do preservativo tem sido, na realidade, um efeito dissuasor do seu uso entre as comunidades rurais em África.
Além disso, há estudos que demonstram que é muito difícil promover o uso de preservativos em relações com algum nível de compromisso (mesmo que sejam relações de namorados, que são suficientemente instáveis para poderem fomentar a disseminação da SIDA).
Por outro lado, a distribuição indiscriminada dos preservativos não leva em conta a heterogeneidade cultural da sexualidade. Por exemplo, vi certa vez um documentário na TV que afirmava que, em certas regiões do Congo, o acto sexual apenas era considerado bem-sucedido se o coito magoasse a mulher (são as próprias mulheres que assim o exigem). Não há preservativo que sobreviva a tal violência!
Finalmente, não nos podemos esquecer que, mesmo quando consistentemente e correctamente usados, os preservativos falham. Ou que, em África, os acessos muitas vezes não permitem uma distribuição atempada e eficaz dos preservativos.

Propor (como se vê muitas vezes nos nossos países ocidentais) slogans publicitários que afirmam “Tem os comportamentos sexuais de risco que quiseres! Basta usares o preservativo!” é que é irresponsável. Segundo este artigo aqui em Agosto de 2004, foram distribuídos 40 milhões de preservativos defeituosos. Eu tremo só de pensar nas pessoas que tiveram comportamentos sexuais de risco, com a falsa esperança de que estavam protegidas contra o VIH!!!

De facto, o Papa tem toda a razão. Se a alma faltar, a distribuição de preservativos apenas agrava o problema. Isto é constantemente apoiado pela evidência científica. Dados oficiais relatam que, entre 1994 e 1998, o número de preservativos distribuídos na África do Sul aumentou de 6 milhões para 198 milhões. No entanto, no mesmo país, entre 1997 e 2002, a taxa de mortalidade por VIH/SIDA aumentou 57%. Dados semelhantes (em que uma maior disponibilidade de preservativos acompanhou uma maior prevalência de VIH), foram encontrados nos Camarões, no Botswana e no Zimbabwe.

Em 2003, um artigo de revisão publicado pela UNAIDS (o ramo da ONU ligado à SIDA) relatou “Os preservativos produziram benefícios substanciais (…) onde tanto a transmissão [do vírus] como a promoção dos preservativos se concentraram em áreas de sexo comercial. O benefício para a saúde pública da promoção de preservativos em locais de transmissão heterossexual disseminada [entenda-se, na população geral e não em grupos de risco] permanece, contudo, por estabelecer. Em países como o Uganda que tiveram muito sucesso em controlar a epidemia, a redução do número de parceiros sexuais por indivíduo parece ter sido mais importante do que promover o uso de preservativos”.

O mesmo artigo da UNAIDS reza assim “A possibilidade da apresentação de sexo causal usando o preservativo como socialmente aceitável, prazenteiro e seguro poder aumentar o risco de comportamentos sexuais de risco no público em geral não pode ser desprezada. A promoção de preservativos não necessita de aumentar a actividade sexual para produzir um efeito negativo. Mesmo que atenue uma possível diminuição no número médio de parceiros sexuais que, de outro modo, teria tido lugar, [esta promoção do preservativo] pode ser prejudicial”.

Caramba!!! Exactamente o que o Papa disse!!! Quem diria?!


Portanto, chegamos à conclusão de que a mera distribuição de preservativos não é benéfica no controlo do VIH/SIDA (podendo até agravá-la). Será, então, que a proposta do Papa (a chamada “alma”) tem algum efeito benéfico? A resposta é SIM! Aliás, a própria citação do relatório da UNAIDS faz referência a um caso de sucesso: o Uganda.

Na verdade, este país foi pioneiro numa estratégia denominada ABC.
AAbstinence (abstinência)
BBe faithfull (fidelidade conjugal)
CCondom, if neccessary (preservativos, quando necessários).

Esta estratégia teve o apoio de todos, desde o governo até aos meios de comunicação social ugandeses. Na TV, vários programas televisivos dirigidos aos adolescentes, promoveram o A como sendo um comportamento fixe (ao contrário dos nossos países ditos civilizados, em que ser-se fixe é ser-se sexualmente incontinente). E os preservativos deixaram de ser distribuídos à população em geral, para serem apenas disseminados entre os grupos de risco (como bordéis, por exemplo).

Ora, esta estratégia revolucionária teve um sucesso equivalente a uma vacina de 80% de eficácia. A prevalência do VIH diminuiu em 70%, conforme este artigo publicado na revista Science.

O sucesso desta estratégia está devidamente estudado e foi publicado em várias revistas científicas de renome. Proponho estes três simples artigos que nos dão uma boa ideia do estado actual do conhecimento.

http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=1743366&blobtype=pdf

http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=1743277&blobtype=pdf

http://www.pubmedcentral.nih.gov/picrender.fcgi?artid=1743270&blobtype=pdf

Três artigos publicados num jornal científico de referência, com extensa bibliografia e que não excluem a distribuição de preservativos como um dos ramos da estratégia ABC. Portanto, estão acima de qualquer suspeita de enviesamento em favor dos propósitos que eu pretendo demonstrar.

E não, não pretendo aqui imiscuir-me em miudezas do género: “Ah, mas o Papa opõe-se totalmente ao uso do preservativo e esta estratégia ABC inclui a promoção do preservativo”. A promoção dos preservativos deve fazer-se apenas em grupos de risco. Esses grupos de risco já estão a ter um comportamento anticatólico e imoral. As palavras do Papa não interferem em nada no uso de preservativos nestes grupos, porque se interferissem, esses grupos não teriam comportamentos sexuais de risco. Ponto final.

Portanto, o mito da Igreja Católica como culpada por milhões de mortes por SIDA em África é isso mesmo: um mito! Na verdade, e como já disse, os principais causadores dessas mortes são aqueles que apontam o dedo. Num dos artigos mencionados (“As easy as ABC?”), o autor acusa os governos ocidentais, afirmando: “Os educadores em saúde, em vez de se focarem nas formas de sexo que são «seguras», deveriam concentrar-se nas relações que são «seguras». A maioria dos governos ocidentais consideram esta abordagem como politicamente inaceitável, e continuam a promover a ideia de que «todos possuem um risco equivalente». Na verdade, sexo seguro tem mais a ver com a escolha do parceiro sexual do que com o uso de preservativo.” Que os governos tenham reagido tão rápida e negativamente às palavras do Papa (incluindo a resposta infantil do socialista Zapatero em enviar para África 1 milhão de preservativos) é profundamente paradigmático e fala por si.

Mais uma vez, e como sempre:

“Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”
Mt 16:18

“A Igreja do Deus vivo (…) é o pilar e o alicerce da Verdade”
1Tm 3:15


[1] Foss AM, Watts CH, Vickerman P, et al. Condoms and prevention of HIV. BMJ 2004;329:185–6.

5 comentários:

Alma peregrina disse...

Figura: "O Combate entre o Amor e a Castidade"
Autor: Pietro Perugino
(1503-1505)

Canela disse...

Parabéns Alma!

Explicar melhor... seria "impossivel".

Mas o que o mundo quer, não é esclarecimento. Pretende sim, subverter os valores morais e cristãos vigentes na Igreja Católica.

Alma peregrina disse...

Cara Mar com Canela:

Você tem toda a razão, mas a minha caridade cristã obriga-me a considerar que há pessoas por aí que realmente se indignaram contra as palavras do Papa ou contra a doutrina da Igreja porque são ignorantes do que realmente se está a passar. Elas devem pensar que o preservativo é, de facto, o único método seguro de prevenção da SIDA e que a Igreja está a condenar milhares de pessoas. Não me admira que essas pessoas não vejam Cristo na forma de actuar da Igreja. O problema é que não existe contraditório neste assunto: todas as "autoridades" (que geralmente pertencem a associações de Planeamento Familiar") são "unânimes". Eu próprio pensava assim antes de ter começado a estudar este assunto mais a fundo.

Também escrevi isto para o que os meus irmãos apologistas tenham algum material para se defenderem dos ataques anticristãos. Até agora só ouvia falar da defesa de um tal Dr. Green. Por muito proeminente que esse médico seja no combate à SIDA, cita-lo sem fontes não vai ajudar a convencer ninguém. São precisos factos. Foi o que procurei fazer.

Quanto ao futuro do método ABC... penso que vai ser cada vez mais difícil ignorar as evidências. O Quénia parece também estar inclinado para adoptar esta técnica. E já vi sinais esperançosos nos Camarões e em Moçambique. Por outro lado, em Inglaterra, a "educação sexual" vai originando cada vez mais gravidezes indesejadas, abortos e DSTs.
Acho que, dentro de poucos anos, os ateus/liberais/suixant-huitard/feministas vão ter o seu próprio "caso Galileo" nas mãos. Vai ser interessante ver...

Pax Christi

Dani disse...

Fantástica explanação... impossível não entender o sentido depois de uma ótima explicação como essa. Parabéns!
abraços

Alma peregrina disse...

Cara Dani:

Seja muito bem-vinda ao meu humilde blog, irmã!!!

Muito obrigado pelas suas palavras de incentivo. Num mundo de surdos, é tão bom saber que alguém tem o coração aberto para a Verdade!

Pax Christi