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Ano da Fé

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O DEUS DO AMOR E O ÓDIO DE SARAMAGO

Que Deus é este que, para enaltecer Abel, despreza Caim?
Parece que esta questão tem andado a atormentar algumas mentes de uma certa elite intelectual. Uma elite intelectual que tem como passatempo preferido atormentar-se com a malevolência de um deus que não existe. É por isso que vemos certas e determinadas personagens, supostamente o expoente da racionalidade e da cultura, a arremeter corajosamente contra um exército de espantalhos e a chegar a uma conclusão surpreendente: que ler a Bíblia de uma forma fundamentalista leva a absurdidades sem sentido. E esta, hein? Acontece que ninguém lê a Bíblia de uma forma fundamentalista a não ser alguns protestantes … e os ateus. Nenhum católico informado acredita nessas coisas que o Sr. Saramago afirma não fazerem sentido… precisamente porque não fazem sentido. Nenhum católico acredita que o Inferno é uma condenação com o mesmo objectivo das prisões terrestres, de integração social (eu pergunto-me se Deus não criasse o Inferno, onde é que o Sr. Saramago se sentiria bem, tendo em conta o ódio que nutre por Deus). Nenhum católico acredita que antes da Criação Deus andou sem fazer nada. Todo e qualquer católico sabe por que Deus resolveu criar o Universo (porque é um Deus de Amor e o Amor não existe sozinho). Nenhum católico acredita que Deus fez o Universo em 6 dias factuais (nem sequer na era patrística isso era generalizadamente aceite). E, sobretudo, nenhum católico acredita que Deus nunca mais fez nada a partir do 7º dia (se tivesse sido esse o caso, o Sr. Saramago não teria tantos acontecimentos bíblicos de que se queixar).


Portanto, mesmo sem ter lido o novo romance do Sr. Saramago, posso já (pela embalagem que o envolve) perceber que não iria aprender nada se me dignasse a lê-lo. Porque nunca ninguém aprendeu nada ao ler ignorância voluntária. Os argumentos do Sr. Saramago apenas convencem pessoas desinformadas. O que não é pouca coisa, uma vez que a maioria dos católicos portugueses está, efectivamente, desinformada acerca do B-A-BA da sua fé. Por isso, eu posso aproveitar esta magnífica deixa para transformar os insultos ignorantes do Sr. Saramago numa oportunidade de evangelização. É por isso que me cabe esta tarefa de, no meu humilde blog, responder à questão: “Que Deus é este que, para enaltecer Abel, despreza Caim?”



Para responder, é fundamental darmos uma vista de olhos à própria fonte desta estória: a Bíblia.

Saramago pergunta: “Que Deus é este?

«Passado algum tempo, Caim ofereceu frutos da terra em oblação ao Senhor. Abel, de seu lado, ofereceu dos primogénitos do seu rebanho e das gorduras dele; e o Senhor olhou com agrado para Abel e para sua oblação, mas não olhou para Caim, nem para os seus dons. Caim ficou extremamente irritado com isso, e o seu semblante tornou-se abatido. O Senhor disse-lhe: “Por que estás irado? E por que está abatido o teu semblante? Se praticares o Bem, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se procederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te; mas, tu deverás dominá-lo.”»

Gn 4:3-7.


É este o Deus!
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Um Deus que enalteceu Abel, sim… porque Abel mereceu ser enaltecido. Mas que não desprezou Caim, mas antes procurou reabilitá-lo, avisá-lo do perigo que corria se continuasse no mesmo caminho. Um caminho que levou Caim ao fractricídio.
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«O senhor disse a Caim: “Onde está o teu irmão Abel?” – Caim respondeu: “Não sei! Sou porventura o guarda do meu irmão?”»
Gn 4:9.

É este o Deus!

E é este o Caim… o mesmo Caim que Saramago quer enaltecer como expoente da raça humana na Revolução contra Deus. Ou seja, o ódio de Saramago por Deus é tanto, que ele não se importa de tomar o partido de um assassino, desde que esse assassino tenha a veleidade de apontar o dedo irado contra os Céus. O seu nome é Caim, mas poderia ser Estaline, Mao Tsé-Tung, Fidel Castro, Che Guevara… ou até Satanás!

Numa das suas entrevistas, o Sr. Saramago diz que: “a Razão pode ser a nossa moral” e que, portanto, Deus é inútil. Pois bem, vede até onde a Razão sem Deus levou a moral de Saramago. Segundo a moral de Saramago, ser servo de Deus é um pecado maior do que levantar armas contra o nosso irmão.

Tendo isto em atenção, para os argumentos de Saramago serem totalmente nulos, basta-me apenas provar que ser-se servo de Deus não é qualquer pecado. O que, para a mundividência saramaguiana será impossível de provar, uma vez que ser-se servo de Deus é nortear-se pela Bíblia e a Bíblia é “um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade, do pior da Natureza Humana”. Ora vede só este excerto bíblico:

Amai-vos uns aos outros. Como Eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros
Jo 13:34



Oh, a crueldade! O piorio da Natureza humana! O drama! O horror! A tragédia!
:D
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Mas claro que o Sr. Saramago não cita o Evangelho segundo S. João. Ele cita (muito inteligentemente) o Pentateuco, ou seja, os primeiros cinco livros da Bíblia (i.e. Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio). Parece que é preciso ler os primeiros livros da Bíblia, como se não houvesse continuação. Como se o Antigo Testamento não devesse ser lido à luz do Novo Testamento. O escritor reconhece (e bem) que a Bíblia foi escrita ao longo de milhares de anos… mas satisfaz-se apenas com os primeiros escritos, como se uma escrita que dura milhares de anos não sofresse qualquer evolução ao longo do livro.
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Para ilustrar a crueldade do Pentateuco… ahem, quero dizer, da Bíblia, o Sr. Saramago usa o exemplo de Abraão. É que Deus, para provar a fidelidade de Abraão, exigiu-lhe que este sacrificasse o seu próprio filho, Isaac. É claro que o Sr. Saramago parece esquecer-se que Deus não levou a Sua exigência até ao fim… que, mesmo no último momento, Deus revelou que não deseja sacrifícios humanos e que só estava a pôr Abraão à prova. Vou trocar isto por miúdos: Nosso Senhor é um deus que abomina o sacrifício humano e é um deus que exige fidelidade absoluta. Vou ainda explicar isto melhor, que é para ficar bem claro: a melhor forma de proteger os nossos filhos do sacrifício humano é, precisamente, confiar totalmente em Deus.


Se o Sr. Saramago tivesse mesmo lido a Bíblia (em vez de criticar um livro imaginário que ele concebeu na sua mente preconceituosa) saberia que aquilo que mais enojava a Deus nas civilizações pagãs era, precisamente, o sacrifício de crianças. Esse é um dos pecados mais horrendos que Deus imputa aos idólatras.

Não darás nenhum dos teus filhos para ser sacrificado a Moloch; e não profanarás o nome de teu Deus. Eu sou o Senhor
Lv 18:21


Pois é… é que uma das características de uma humanidade pagã, afastada de Deus, é o sacrifício de crianças no altar de Moloch. As evidências falam por si. Actualmente, a nossa própria civilização paganizada, afastada de Deus, sacrifica crianças aos milhares. A única diferença é que o nome do deus deixou de ser Moloch e passou a ser Sexo.

Será que o Sr. Saramago está tão disposto a condenar Moloch ou Sexo pelos sacrifícios humanos que estes exigem, tal como condenou Deus por ter feito uma tal exigência de Abraão? Não me parece… Afinal de contas, quando a Igreja Católica vocifera contra os malefícios do aborto, o Sr. Saramago acredita que se trata apenas de uma questão de “poder”, de “controlo sobre os nossos corpos”.

É que o Sr. Saramago não se escandalizou verdadeiramente contra o sacrifício humano exigido por Deus. Ele não está verdadeiramente preocupado com o pobre Isaac. É que Deus apenas exigiu o sacrifício de uma criança, enquanto Sexo exigiu o sacrifício de 40.000 crianças. É que Deus não chegou a consumir uma gota de sangue sequer de Isaac, enquanto a sede de Moloch era insaciável. Não. Saramago não está minimamente preocupado com o destino de Isaac ou de qualquer outra criança. Saramago está preocupado apenas com isto: Deus exige fidelidade absoluta. É isso que o escandaliza no episódio de Abraão. E enquanto Deus exigir fidelidade absoluta e abominar o sacrifício humano, o Sr. Saramago não pode sacrificar crianças nos altares de Moloch ou de Sexo.
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É claro que Israel, com o seu Deus revolucionário e humanista, teve de se impor num mundo bárbaro, utilitarista, adorador de Moloch e de Poder… isto tudo numa época em que não existiam organizações internacionais, ONGs, noções elementares de Direito, redes diplomáticas sofisticadas e Cartas Fundamentais dos Direitos do Homem. É que, nessa altura, ainda não tinham decorrido esses milhares de anos de moralidade judaico-cristã, sem os quais (segundo Saramago) todos nós seríamos muito “mais piedosos”. Por isso, Israel teve de, não raras vezes, defender o seu valiosíssimo património histórico e cultural com variadas guerras. Não pretendo aqui fazer a apologia dessas guerras. Uma guerra é sempre algo de negativo, algo que Deus detesta. Mas não nos enganemos… aquelas eram guerras civilizacionais. As guerras que opunham o Deus do Amor, que abominava o sacrifício humano… e Moloch. Lembremo-nos de que há pouco mais de 60 anos, apenas uma guerra pôde salvar a Europa de mergulhar na barbárie total.

Mas como é que um Deus misericordioso é compatível com estas guerras? Por muito horríveis que fossem esses povos, eles não mereceriam uma oportunidade? Por que dizimar nações inteiras com derrotas bélicas ou dilúvios universais? Aqui é que o Sr. Saramago podia realmente ter lido a Bíblia. Ora vejamos…

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«E eis que, ao pôr-do-sol, veio um profundo sono a Abrão, ao mesmo tempo que o assaltou um grande pavor, uma espessa escuridão. O Senhor disse-lhe: (…) “Eu dou - disse Ele - esta terra aos teus descendentes, desde a torrente do Egipto até ao grande rio Eufrates (…) Somente à quarta geração, os teus descendentes voltarão para aqui, porque a iniquidade dos amorreus não chegou ainda ao seu cúmulo.”
Gn 15:12-13,16,18


«O Senhor ajuntou: “É imenso o clamor que se eleva de Sodoma e Gomorra, e o seu pecado é muito grande. Eu vou descer para ver se as suas obras correspondem realmente ao clamor que chega até mim; se assim não for, Eu o saberei.” (…) Abraão aproximou-se e disse: “Fareis o justo perecer com o ímpio? Talvez haja cinquenta justos na cidade: fá-los-eis perecer? Não perdoaríeis antes a cidade, em atenção aos cinquenta justos que nela se poderiam encontrar? Não, Vós não poderíeis agir assim, matando o justo com o ímpio, e tratando o justo como ímpio! Longe de Vós tal pensamento! Não exerceria o Juiz de toda a terra a justiça?” O Senhor disse: “Se eu encontrar em Sodoma cinquenta justos, perdoarei a toda a cidade em atenção a eles.” Abraão continuou: “Não leveis a mal, se ainda ouso falar ao meu Senhor, embora seja eu pó e cinza. Se porventura faltarem cinco aos cinquenta justos, fareis perecer toda a cidade por causa desses cincos?” “Não a destruirei - respondeu o Senhor - se nela eu encontrar quarenta e cinco justos.” Abraão insistiu ainda e disse: “Talvez só haja aí quarenta.” “Não destruirei a cidade por causa desses quarenta.” Abraão disse de novo: “Rogo-vos, Senhor, que não vos irriteis se eu insisto ainda! Talvez só se encontrem trinta!” “Se eu encontrar trinta - disse o Senhor - não o farei.” Abraão continuou: “Desculpai, se ouso ainda falar ao Senhor: pode ser que só se encontre vinte.” “Em atenção aos vinte, não a destruirei.” Abraão replicou: “Que o Senhor não se irrite se falo ainda uma última vez! Que será, se lá forem achados dez?” E Deus respondeu: “Não a destruirei por causa desses dez.”»

Gn 18:20-32


«Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vinga a iniquidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam, mas uso de misericórdia até à milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos
Ex 20:5-6


«O Senhor disse a Jonas: (…) “E então, não hei de ter compaixão da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil seres humanos, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e uma inumerável multidão de animais?»”
Jn 4:9-11



Pôish…

Para um Deus destes se irar contra estes povos a ponto de os exterminar… eu tremo só de pensar nos crimes que eles cometeram…

Acho que temos, nestes casos, uma situação muito semelhante à de Caim. O Sr. Saramago assobia para o lado enquanto estes povos assassinam, pilham e violam brutalmente, apenas para condenar Deus quando Ele actua. Mas, (oh! é verdade!) Deus não actuou mais desde o 7º dia… e o Sr. Saramago escandaliza-se com a passividade de Deus. Será que alguma vez Deus conseguirá agradar ao Sr. Saramago?


Outro motivo para o Sr. Saramago se concentrar apenas no Pentateuco, é que este contem a Lei Mosaica. Ou seja, a Lei que Moisés transmitiu ao povo israelita. O Sr. Saramago, ao ler os livros da Lei, não encontrou muito Amor. O que é compreensível. Se eu, para conhecer Portugal, apenas lesse o seu Código Penal, também não acreditaria que este fosse um país muito amoroso. Nem ficaria a pensar muito bem deste país se, para além do Código Penal, lesse apenas uns panfletos que por aí circulam contra o H1N1 “Nem abraço, nem beijinho, nem aperto de mão…”. É que a Lei Mosaica também prescrevia conceitos de higiene e pureza que permitiram a um povo numeroso atravessar 40 anos no deserto. Ajunte-se a isso os dados dos censos e alguns detalhes cruentos da Batalha de S. Mamede e de outros episódios da independência de Portugal… e voilá! Cá está o Pentateuco, versão portuguesa! Será difícil, de facto, encontrar qualquer vestígio de Amor em tais escritos!

Ufa! Ainda bem que os católicos não lêem esses livros da Bíblia, tão alheios ao Amor… poderiam começar a perder a fé, não é? Poderiam começar a pensar que Deus era “cruel, invejoso, insuportável”, e não um Deus de Amor.

Mas… mas… espera aí… que é isto… que é isto aqui, bem no Livro do Levítico?

«Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.»
Lv 19:13-18


Uau! O Israel antigo, conduzido pela Palavra de Deus, introduziu este mandamento no próprio Código Penal da Nação! Coisa que nem Portugal, nem a bem-aventurada U.R.S.S. fizeram! A crueldade! O pior da Natureza humana! Vejam só mais esses exemplos de maus costumes! Oh! Os meus sais!

«Não oprimirás o teu próximo, e não o despojarás. O salário do teu operário não ficará contigo até ao dia seguinte. Não amaldiçoarás um surdo; não porás algo como tropeço diante do cego; mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor. Não sereis injustos em vossos juízos: não favorecerás o pobre nem terás complacência com o grande; mas segundo a justiça julgarás o teu próximo. Não semearás a difamação no meio de teu povo, nem te apresentarás como testemunha contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor. Não odiarás o teu irmão no teu coração. Repreenderás o teu próximo para que não incorras em pecado por sua causa. Não te vingarás…»
Lv 19:13-18

Podereis objectar que esta Lei do Amor que se encontra no Levítico é apenas uma de entre muitas. Como é que era possível pôr em prática essa Lei do Amor, com tantas leis assassinas escritas no mesmo livro? Bem, por isso é que não existe apenas o Pentateuco. Ao longo dos séculos, Deus enviou os Profetas para fornecer a correcta interpretação da Bíblia, sempre que a Lei era abusada. E, no fim, o próprio Deus clarificou:
«Um deles, doutor da lei, fez-Lhe esta pergunta para pô-Lo à prova: “Mestre, qual é o maior mandamento da lei?” Respondeu Jesus: “Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo. Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas.”»
Mt 22:35-40



Pôish…

É que qualquer licenciado em História de Direito sabe que a Lei Mosaica constituiu um avanço civilizacional sem precedentes! A Lei Mosaica foi a primeira a olhar favoravelmente para os escravos, exigindo que estes fossem bem-tratados pelos seus senhores e que lhes fosse oferecida a libertação a cada 7 anos. As pessoas arrepiam-se quando ouvem falar da lei do “olho por olho, dente por dente” (Ex 21:24) … mas esquecem-se de olhar para o contexto histórico. Hoje em dia, esta lei parece-nos horrível e desumana. Mas, naqueles dias, era uma lei muito branda. Porque obrigava a que o castigo do crime fosse proporcional ao dano causado. Ou seja, impedia que o castigo fosse superior ao crime cometido.

E por que esta lei do “olho por olho, dente por dente” nos parece horrível e desumana, a nós, modernos? Porque, tal como eu disse no início deste post, a moralidade judaico-cristã foi evoluindo (uma evolução que se encontra registada por toda a Bíblia) … e essa evolução da moralidade judaico-cristã moldou de forma indelével a moralidade colectiva da civilização ocidental. É por isso que julgar a Bíblia unicamente pelos primeiros livros é redutor e absurdo!
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Porém, os meus leitores podem perguntar-me: mas Deus não poderia ter legislado logo de uma vez a Carta Fundamental dos Direitos Humanos? Por que Deus permitiu a pena de morte e a posse de escravos e muitas outras coisas repugnantes na Lei Mosaica? Por que não aboliu todos esses males de uma só vez?
E eu respondo, perguntando de volta: Se Deus o tivesse feito, os judeus tê-Lo-iam escutado?

«Os fariseus vieram perguntar-Lhe para pô-Lo à prova: “É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer?” Respondeu-lhes Jesus: “Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o Homem o que Deus uniu.” Disseram-lhe eles: “Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la?” Jesus respondeu-lhes: “É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres…”»
Mt19:3-8


Deus tolerou essas coisas, porque já conhecia a dureza de coração dos seus interlocutores.
Hoje em dia, Deus deu-nos algo muito mais fiável do que a Lei. Deu-nos a Igreja. Uma unidade viva, orgânica, guiada pelo Espírito Santo, contra a qual “as portas do Inferno não prevalecerão” (Mt 16:18).

E nós? Escutamos a Igreja?

A Igreja diz-nos (pasme-se!) que é errado dilacerar uma criança ou negar-lhe o sustento, ainda que ela ainda não tenha nascido. A Igreja diz que é fundamental proteger estas crianças contra uma lei injusta, como é a lei do aborto.

Os católicos seguiram esta instrução de Deus?

Não!

Preferiram ir na cantilena das ideologias que o Sr. Saramago professa!

Ora, o Sr. Saramago não tem autoridade moral para apontar o dedo aos judeus! Deus exigiu pouco dos judeus, mas eles ao menos cumpriram! Deus exige-nos pouco também… mas nós recusamo-nos a cumprir!

Quando o Sr. Saramago se desculpar pelo sangue derramado de 40.000 crianças, aí poderemos conversar acerca do sangue que Deus alegadamente terá derramado!

Até lá, estaremos apenas a acusar o Ser mais misericordioso e justo do Universo, enquanto nos pomos a desculpar assassínios vis.

Que é o que o Sr. Saramago resolveu fazer em relação a Caim!











Todavia, quando a ignorância é colossal e voluntária, não há argumentos que valham… por mais racionais que estes sejam. Duvido que o Sr. Saramago seja sensível ao que eu disse, ou ao que a Conferência Episcopal Portuguesa disse, ou aos tratados teológicos mais lógicos e sofisticados do Mundo. Quando ele lê a Bíblia (se é que a leu), ele está apenas a pensar que aquele é mais um obstáculo aos seus planos políticos e culturais. Um obstáculo que é necessário derrubar a todo o custo. Mesmo à custa da difamação mais rasteira. Já dizia o Mestre: “Esta espécie de demónios não se pode expulsar a não ser pela oração” (Mc 9:29).




Assim seja:

Senhor, eu creio, eu adoro-Vos, eu espero-Vos e amo-Vos.

E peço pelos que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Pai Nosso…

38 comentários:

Fa menor disse...

Excelente! Brutal!

Parabéns!

(Só podia fazer referência lá no meu sítio.)

Obrigada!

Abraços

Alma peregrina disse...

Fotografia superior
Autor: Luferom
Site: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Josesaramago.jpg

Alma peregrina disse...

Imagem inferior: "Caim e Abel"
Autor: Ticiano
ca. 1570-1576

Alma peregrina disse...

Obrigado, minha cara amiga Fá, pelas suas palavras e pela sua referência...

Mas eu não pretendia ser brutal! Apenas bem-humorado! Espero que as pessoas não pensem que eu estou de todo zangado (ou até escandalizado) com as palavras do Sr. Saramago.

Pax Christi

teresa disse...

um texto muito esclerecedor , que aqui nos deixou .

este sr. saramago só mostrou 2 coisas com o que disse .
1-º é uma pessoa muito ignorante .
2-º ,, ,, muito maldosa .
não merece se quer que se de ouvidos aõ que diz muito menos merece a polémica que se criou sobre o assunto ,,,,
com tanta burrice que disse só me levou a pensar uma coisa ...
ai coitado o homem com a idade está cada vez mais caduco ...

gostei muito do texto .

Alma peregrina disse...

Obrigado Teresa pelas suas palavras e muito bem-vinda ao meu humilde blog.

Todavia, não devemos cair no erro de atribuir estes lamentáveis comentários à "idade" ou mesmo até à "malevolência". Sim, muitas pessoas são ignorantes. Saramago é uma delas. Antes de julgarmos as suas intenções, devemos instrui-las. Plantar nos seus corações a semente pequena como o grão de mostarda.

Só se eles a rejeitarem, terão feito uma escolha informada. Só aí poderemos "limpar o pó das nossas sandálias".

Mas... será realmente possível fazer uma "escolha informada"? Quem pode conhecer realmente Deus? Só aqueles a quem Ele Se revela! Rezemos para que estes pobres pecadores ignorantes abram o seu coração, para que Deus possa lá entrar e revelar-Se.

Pax Christi

joaquim disse...

Meu caro amigo

Li agora atentamente o teu texto, que assino por baixo.

Julgo, como alguém já disse, que para além da parte publicitária das declarações, haverá um problema pessoal.

Dada a idade de saramago é muito possível que tantas coisas em que acreditava estejam a ser colocadas em causa e por outro lado por essa mesma razão da idade se começe verdadeiramente a questionar sobre a existência de Deus.

Parece quase uma fuga "para a frente", mas se ele procurar verdadeiramente vai encontrar e ser surpreendido pelo Deus de amor que lhe será revelado.

É por isso que rezo, aproveitando para lhe agradecer, pois no fundo sem querer, dever ter suscitado a muita gente a leitura da Biblia!

Abraço amigo em Cristo

Alma peregrina disse...

Obrigado, meu caro amigo Joaquim, pelas tuas palavras.

Talvez o Sr. Saramago esteja nessa situação que referes, mas eu não faço especulações sobre o estado da alma de outrém. Isso é entre o escritor e Deus.

Mas espero que ele se arrependa e se salve. Por isso rezo por ele.

Pax Christi

O Império disse...

Caro Alma peregrina.

Pretendo dar aqui também o meu ponto de vista. E como você conhece a bíblia muito melhor do que eu não vou tentar argumentar contra si baseado nesse livro. Talvez no futuro depois de eu estudar um pouco mais.

Mas digo aqui o seguinte, enquanto muitos vêm Saramago como um velho resmungão e até arrogante (não sei se é o seu caso) eu vejo em Saramago um homem de uma sensibilidade extraordinária. De uma capacidade humana inacreditável. E acima de tudo um homem que ama profundamente. Basta ler as suas dedicatórias a Pilar...

Um homem que ama uma mulher daquela maneira e que escreve daquela maneira é evidentemente um homem de um valor humano elevadíssimo.

O Império disse...

Você sabe bem que eu sou ateu, mas usando a retórica cristã eu atrevo-me a dizer que Saramago aproxima-se de "deus" ao amar daquela maneira e ao escrever daquela maneira.

"a Pilar, que ainda não havia nascido, e tanto tardou a chegar" "a Pilar, a minha casa"(Saramago)

Independentemente do que ele disse sobre a biblia é um homem extraordinário com uma sabedoria imensa de quem já viveu muito, leu muito, aprendeu muito e fez muito.

Portanto parece-me que Saramago merece a nossa reverência e respeito. Ignorante ele não é. Apenas tem uma opinião diferente da vossa.

E para finalizar digo que um livro é um livro. Um livro é apenas um livro. O que está escrito é o que está escrito. As interpretações dependem apenas do Homem.

E em jeito de provocação, parafraseando Saramago: "Quem vos autorizou a mudar o que está escrito e sobreporem outra coisa?"

Um abraço sincero.

Alma peregrina disse...

Caro O Império:

Antes do mais, devo fazer-lhe notar o seguinte. Este post tem partes humorísticas e outras de intervenção política. Eu não me sinto ofendido pelas declarações de Saramago. Como eu disse, usei o pretexto dessas declarações para explorar este tema. Que acho que era um dos objectivos do Nobel.




"Mas digo aqui o seguinte, enquanto muitos vêm Saramago como um velho resmungão e até arrogante (não sei se é o seu caso) eu vejo em Saramago um homem de uma sensibilidade extraordinária. De uma capacidade humana inacreditável. E acima de tudo um homem que ama profundamente. Basta ler as suas dedicatórias a Pilar..."


O Sr. Saramago é um velho resmungão, é arrogante, é um homem de uma sensibilidade extraordinário e ama profundamente Pillar. Não são conceitos irreconciliáveis :)



"Você sabe bem que eu sou ateu, mas usando a retórica cristã eu atrevo-me a dizer que Saramago aproxima-se de "deus" ao amar daquela maneira e ao escrever daquela maneira."

Ah! Que bom! Começamos a entender-nos!!!

;)



"Portanto parece-me que Saramago merece a nossa reverência e respeito. Ignorante ele não é. Apenas tem uma opinião diferente da vossa."

Este é o único ponto em que discordo da sua intervenção. Ele é ignorante em Teologia. As pessoas julgam que a Teologia é algo muito subjectivo, mas não é. É verdade que a Teologia não é tão objectiva como as Ciências da Natureza... mas não é tão subjectiva como a Filosofia. Nomeadamente, a Teologia tem um método (o método hermenêutico). As declarações do Sr. Saramago passam completamente por cima desse método (e fazem-no grosseiramente).

Atenção! Isso não é a mesma coisa que dizer que Saramago é um ignorante! Eu sou um ignorante em Física Quântica, mas não me considero um ignorante! Agora, simplesmente não me ponho a opinar sobre coisas que eu não sei...




"Quem vos autorizou a mudar o que está escrito e sobreporem outra coisa?"


Huuummm... Não percebi esta "provocação".

Se eu não estou autorizado a mudar o que está escrito sobre Caim e a sobrepôr outra coisa, então o Sr. Saramago também não tem o direito de o fazer com a Bíblia.

Se o Sr. Saramago argumenta que pode interpretar a Bíblia como quiser e escrever um livro com base nisso... eu posso fazer a mesma coisa neste post acerca do livro "Caim", não é?

So what's your point?



Cumprimentos

Alma peregrina disse...

Ao reler alguns dos meus comentários, reparei que posso ter exagerado na minha escolha da palavra "ignorante" (nomeadamente no meu post de 25/10 de 9:22).

Quando eu me referia a ignorância, não me referia a ignorância em geral, mas a ignorância em Teologia.

Peço desculpa ao Sr. Saramago e a todos os ateus se os ofendi com esta escolha de palavras. Não era essa a minha intenção.

Cumprimentos a todos.

O Império disse...

Caro Alma Peregrina.

Da minha parte não precisa de pedir desculpa. Acho que você defende o seu ponto de vista com paixão, tem muito valor por isso e eu aprecio muito essa atitude. E fico muito contente por não se sentir ofendido com as declarações de Saramago.

Apenas lhe digo que os livros de Saramago enriquecem-nos a todos mesmo que sejamos contra as suas convicções religiosas e/ou politicas.

"Quem vos autorizou a mudar o que está escrito e sobreporem outra coisa?" Esta minha provocação tem a ver com o que Saramago disse no seu debate na SIC com o padre Carreira das Neves. E não é direccionada ao que você disse sobre o romance de Saramago. Penso que o que ele quis dizer foi: de onde vem a autoridade das pessoas que dizem que a bíblia não é para ser lida literalmente? Não é para ser lida literalmente? Porque? Quem autorizou a igreja a sobrepor ao que está escrito realmente no livro outro sentido, outra interpretação? Ninguém precisa de autorizar ninguém, mas nesse caso a opinião de que a bíblia não é para ser lida literalmente é tão válida como a contrária: pode-se ler a bíblia literalmente. O método hermenêutico implica a tentativa da compreensão psicológica, a tentativa do conhecimento da intenção e dos objectivos do autor. Se nem a intenção de Fernando Pessoa é totalmente entendida hoje em dia como podemos ter o mínimo de certeza em relação à intenção dos autores da bíblia?

Se me permite, porque o espaço é seu, vou fazer alguns comentários ao que disse. E segundo a minha mundividência. :)

“Segundo a moral de Saramago, ser servo de Deus é um pecado maior do que levantar armas contra o nosso irmão.” – Saramago nunca disse isto. Nunca defendeu o assassínio em geral e em particular o de Abel.

Parece-me que a questão de Saramago é: deus deu valor à oferenda de Abel mas não deu à oferenda de Caim. Porquê? Ou não foi bem isso que se passou?

E já agora pergunto-lhe: porque “Abel mereceu ser enaltecido”?

O Império disse...

“Deus revelou que não deseja sacrifícios humanos e que só estava a pôr Abraão à prova. Vou trocar isto por miúdos: Nosso Senhor é um deus que abomina o sacrifício humano e é um deus que exige fidelidade absoluta.” – A questão de Abraão e a imoralidade da história (a meu ver) é precisamente esta: que pai é este que se predispõe a sacrificar o seu filho porque deus assim o comanda? Abraão, o patriarca do “povo de deus” ouve a ordem de deus e não desobedece? Se isso acontecesse nos nossos dias todos iríamos achar que Abraão é um louco que se predispôs a degolar o filho porque ouviu vozes na sua cabeça. A meu ver, neste caso, a desobediência de Abraão à ordem de deus seria uma conclusão moral muito superior: valoriza o ser humano em absoluto.
E que deus é este que “exige fidelidade absoluta”? Exige?... Parece-lhe que um bom educador falaria assim? A mim não. E por fim, se Abraão existiu mesmo e se este acontecimento existiu mesmo, que deus é este que parece “brincar” com a sua criação? “Sacrifica o teu filho.” “Não, eu não quero que sacrifiques o teu filho.” Não haveria uma forma menos violenta de ensinar aos judeus que o sacrifício humano é errado? Bastava que deus dissesse: “Ordeno-vos a todos que não sacrifiquem seres humanos!”, tal como disse nos dez mandamentos: “Não matarás!”. Deus deveria ter ficado triste com a obediência cega de Abraão. Uma obediência que levaria à morte do seu filho. Um bom educador, ao por à prova Abraão ficaria cheio de alegria se ele tivesse desobedecido. Mas trata-se apenas do meu ponto de vista.

Quando diz que a nossa civilização sacrifica crianças aos milhares, refere-se ao uso de contraceptivos? Se sim não estou a ver onde estão todos esses sacrifícios. Se se refere ao aborto então estou quase totalmente de acordo consigo. “Sexo exigiu o sacrifício de 40.000 crianças”, o que quer dizer exactamente com isto?

A questão de Sodoma e Gomorra: O que Saramago contesta é a destruição das crianças. Nessas cidades certamente haviam mais que 10 crianças. Partindo do pressuposto que as crianças não eram pecadoras, estaria aqui, nestas crianças, a justificação para que deus não destruísse as cidades nem matasse todas as pessoas (crianças incluídas) que lá habitavam. E pergunto-lhe (para que eu não interprete literalmente a bíblia) deus matou ou não matou as crianças de Sodoma e Gomorra?

Mas concordo consigo quando diz que julgar a Bíblia unicamente pelos primeiros livros é redutor e absurdo. Procurarei futuramente, se me permitir, dar-lhe a minha opinião sobre o Novo Testamento e sobre Jesus Cristo e porque eu acho que embora o Novo Testamento seja uma “lufada de ar fresco” ainda é muito imperfeito e contém factos e ensinamentos muito criticáveis.

Com todo o respeito, a sua oração final associada a “Já dizia o Mestre: “Esta espécie de demónios não se pode expulsar a não ser pela oração” (Mc 9:29).” parece-me muito despropositada. Se se trata de uma provocação humorística não vejo problema, mas se a intenção foi séria, não acho que seja a melhor forma de mostrar o seu ponto de vista.

Por fim: sabe bem que quando me refiro a “deus” não estou a falar literalmente. :)

Um abraço.

Alma peregrina disse...

Caro O Império:

"Quem autorizou a igreja a sobrepor ao que está escrito realmente no livro outro sentido, outra interpretação?"

Não é dar ao livro outro sentido, outra interpretação... é dar ao livro o seu sentido, a interpretação que não permite que ele seja totalmente mutilado por uma opinião contrária.

E quem deu essa autorização terá sido Deus. Eheheh. Portanto, é uma questão de você acreditar ou não.





"O método hermenêutico implica a tentativa da compreensão psicológica, a tentativa do conhecimento da intenção e dos objectivos do autor. Se nem a intenção de Fernando Pessoa é totalmente entendida hoje em dia como podemos ter o mínimo de certeza em relação à intenção dos autores da bíblia?"

Em primeiro lugar, a escrita de Fernando Pessoa é completamente diferente da do Hagiógrafo. Uma pretende ser a exposição de um ponto de vista subjectivo sobre a realidade. A outra visa fazer um esforço de compreensão objectiva da própria realidade.

Por outro lado, interpretar um texto sem procurar as intenções do autor é um pouco desrespeitoso para o mesmo. Eu, pelo menos, não gostaria que fizessem isso com alguma coisa que eu escrevesse. É uma questão de justiça e de honra.




“Segundo a moral de Saramago, ser servo de Deus é um pecado maior do que levantar armas contra o nosso irmão.”

Saramago disse isso, indirectamente. Ele diz que a Bíblia é um "manual de maus costumes, etc...". Logo, seguir a Bíblia é seguir os seus "maus costumes". Mas no que diz a condenar Caim pelo assassínio de Abel... bem, aí Saramago já encontra motivos para relativizar o que se passou.





"Parece-me que a questão de Saramago é: deus deu valor à oferenda de Abel mas não deu à oferenda de Caim. Porquê? Ou não foi bem isso que se passou?"


Leia as entrelinhas :)

«Passado algum tempo, Caim ofereceu frutos DA TERRA em oblação ao Senhor. Abel, de seu lado, ofereceu dos PRIMOGÉNITOS do seu rebanho e das GORDURAS dele; e o Senhor olhou com agrado para Abel e para sua oblação, mas não olhou para Caim, nem para os seus dons. Caim ficou extremamente irritado com isso, e o seu semblante tornou-se abatido. O Senhor disse-lhe: “Por que estás irado? E por que está abatido o teu semblante? SE PRATICARES O BEM, SEM DÚVIDA ALGUMA PODERÁS REABILITAR-TE. MAS SE PROCEDERES MAL, O PECADO ESTARÁ À TUA PORTA, ESPREITANDO-TE. MAS TU DEVERÁS DOMINA-LO.”»

Alma peregrina disse...

"Abraão, o patriarca do “povo de deus” ouve a ordem de deus e não desobedece? Se isso acontecesse nos nossos dias todos iríamos achar que Abraão é um louco que se predispôs a degolar o filho porque ouviu vozes na sua cabeça."

Ah, mas não aconteceu nos nossos dias. Aconteceu numa época em que a Humanidade estava a começar a formar os seus princípios morais. E aconteceu numa época em que os deuses alegadamente exigiriam sacrifícios humanos para serem apaziguados.

Deus é um bom pedagogo. Ao mesmo tempo que ilustra a crueldade dos outros deuses, dá uma lição importante sobre a inviolabilidade do Ser Humano.




"E que deus é este que “exige fidelidade absoluta”? Exige?... Parece-lhe que um bom educador falaria assim?"

Se Deus não exigisse fidelidade absoluta, Ele não poderia exigir a inviolabilidade do Ser Humano apenas ao simplesmente ordenar isso ao Seu Povo. Era isso que eu pretendia explanar.



"Não haveria uma forma menos violenta de ensinar aos judeus que o sacrifício humano é errado? Bastava que deus dissesse: “Ordeno-vos a todos que não sacrifiquem seres humanos!”, tal como disse nos dez mandamentos: “Não matarás!”."

Não há nada que eu possa dizer aqui que já não tenha dito neste post ou no post em que debatemos abaixo.




"Quando diz que a nossa civilização sacrifica crianças aos milhares, refere-se ao uso de contraceptivos? Se sim não estou a ver onde estão todos esses sacrifícios. Se se refere ao aborto então estou quase totalmente de acordo consigo."

Refiro-me, obviamente, à questão do aborto.




"A questão de Sodoma e Gomorra: O que Saramago contesta é a destruição das crianças. Nessas cidades certamente haviam mais que 10 crianças. Partindo do pressuposto que as crianças não eram pecadoras, estaria aqui, nestas crianças, a justificação para que deus não destruísse as cidades nem matasse todas as pessoas (crianças incluídas) que lá habitavam. E pergunto-lhe (para que eu não interprete literalmente a bíblia) deus matou ou não matou as crianças de Sodoma e Gomorra?"

Para já, não sei se existiram essas 10 crianças em Sodoma. Essa será uma questão probabilística, mas que não se encontra explícita no livro. Mas foi partir do pressuposto de que você está certo.

Convem ler a Bíblia, no episódio de Loth.

«Mas, antes que se tivessem deitado, eis que os homens da cidade, os homens de Sodoma, se agruparam em torno da casa, desde OS JOVENS até os velhos, TODA A POPULAÇÃO. E chamaram Loth: “Onde estão, disseram-lhe, os homens que entraram esta noite em tua casa? Conduze-os a nós para que os CONHEÇAMOS.»

Gn 14:4-5


Aqui, o vocábulo "conhecer" significa "ter relações sexuais com..."

E encontra-se aqui uma situação. Toda a população se tinha tornado mesquinha. Todos. Claro que as crianças seriam inimputáveis. Mas aqui entramos nas nossas diferenças de mundividência. Para si (uma vez que a morte é o fim), terá sido injusto que Deus tenha morto essas crianças. Para mim (que acredita numa outra vida para além desta), Deus simplesmente "tomou custódia" dessas crianças, salvando-as antes que se tornassem adultos não-salváveis.

Existem alguns versículos bíblicos que enunciam que Deus poderá ter sido misericordioso no julgamento de algumas almas de Sodoma e Gomorra.

Alma peregrina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alma peregrina disse...

"E pergunto-lhe (para que eu não interprete literalmente a bíblia) deus matou ou não matou as crianças de Sodoma e Gomorra?"

Você vai ficar com os cabelos arrepiados com o que eu vou dizer... tente não ter uma resposta emocional, mas compreender o que lhe pretendo transmitir.

Aqui, mais uma vez, convém explanar uma diferença de conceitos. Deus matou as crianças de Sodoma. É um facto. Mas o que queremos dizer com "matou"? Provocar a morte? Ou "assassinar"? Assassinar é causar uma morte, mas de uma forma eticamente reprovável. Assassinar é tirar uma vida que não temos autoridade para tirar. Ao acusar Deus, o Sr. Saramago está a acusa-Lo de "assassinar" as crianças de Sodoma.



Mas o que sucede realmente? É possível Deus "assassinar"? Não. Aí você está a atribuir uma característica a Deus que pertence apenas ao Homem. O Homem não tem direito a matar, porque a vida de um homem não lhe pertence. Mas Deus é quem decide quanto tempo de vida um homem tem, quando morre e como morre. Essa competência pertené de Deus.


Imaginemos que as crianças de Sodoma não tinham morrido na chuva de enxofre. Imaginemos que elas sobreviviam e morriam aos 40 anos de ataque cardíaco. Deus tê-las-ia "assassinado" aí? Ou imaginemos que elas morriam de "velhice". Deus tê-las-ia "assassinado" aí? Deus não pode "assassinar"... caso contrário, todos nós acabaríamos por ser "assassinados" por Deus.

Claro que o seu problema terá a ver com a forma como Deus matou essas crianças. Mas aqui entramos nas nossas diferenças de mundividências "qual será o mundo perfeito?". Para si, o facto de Deus ter infligido esse sofrimento (efémero) às crianças é pior do que se Deus as tivesse deixado órfãs ou então a ser criadas por pais completamente depravados. Para si, um mundo com sofrimento será sempre pior do que um mundo com pecado.




"Com todo o respeito, a sua oração final associada a “Já dizia o Mestre: “Esta espécie de demónios não se pode expulsar a não ser pela oração” (Mc 9:29).” parece-me muito despropositada. Se se trata de uma provocação humorística não vejo problema, mas se a intenção foi séria, não acho que seja a melhor forma de mostrar o seu ponto de vista."

O que eu pretendia dizer é que há males que não se resolvem somente com actos ou palavras, mas com a ajuda de Deus (invocada com a oração).

Para ilustrar isso, socorri-me de uma passagem bíblica. Mas essa passagem bíblica refere-se a demónios. E eu não podia muda-la.

Finalmente, devo dizer-lhe... às vezes os ateus escandalizam-se mais com as palavras "pecado" e "demónio" do que alguns católicos. É, sem dúvida, uma palavra forte... mas não é uma palavra condenatória, nem de ataque pessoal. Significa, única e exclusivamente, que está a dar ouvidos a maus pensamentos.



Cumprimentos.

O Império disse...

Caro Alma Peregrina

A sua opinião é: quem deu autorização à igreja para interpretar a bíblia foi deus. Pois eu não acredito nisso. Nem Saramago. Quem tem mais autoridade para interpretar a bíblia? A igreja que aparentemente teve autorização de deus para o fazer? Ou Saramago que não acredita em deus logo não precisa de autorização para o fazer? Estão os dois ao mesmo nível. As duas interpretações são válidas. Tal como a interpretação dos judeus, tal como a interpretação dos muçulmanos xiitas e sunitas (deve saber que o Corão dos muçulmanos é um plagio da bíblia judaica e cristã). Mas uma coisa ninguém pode fazer: retirar o que realmente lá está escrito, a letra, as palavras, as frases. É este o argumento de Saramago. Ainda lhe parece que Saramago colocou um argumento ignorante do ponto de vista teológico?

Saramago nunca justificou o assassínio, directamente ou indirectamente.

Ajude por favor este ateu a ler nas entrelinhas: deus deu valor à oferenda de Abel mas não deu valor à oferenda de Caim porque “Caim ofereceu frutos DA TERRA” e Abel “ofereceu dos PRIMOGÉNITOS do seu rebanho e das GORDURAS dele”. Isto é, deus gosta mais de carne do que vegetais? Se Caim era agricultor e Abel era pastor que mais poderiam oferecer para além do fruto do seu trabalho? O gesto de um é igual ao do outro na sua essência. A questão aqui não é se Caim era mau ou não. A questão aqui é: deus não tratou de forma igual Caim e Abel. Mesmo tendo em conta que Caim terá sido um homem muito mau, ele foi injustiçado por deus face ao seu irmão.

Sodoma e Gomorra:

Espero que você não tenha sugerido que esses “jovens” (que queriam “conhecer” os anjos) eram crianças. Crianças a quererem sodomizar anjos? Porque sou só eu a achar esta linha de raciocínio enviesada? É mesmo este o conteúdo da bíblia?

Deus matou as crianças de Sodoma e Gomorra.

Tal como se faz na missa vamos repetir isto em voz alta e em uníssono: “DEUS MATOU AS CRIANÇAS DE SODOMA E GOMORRA”. Tal com você previu eu fiquei com os cabelos arrepiados quando disse isto em voz alta. E não acredito em deus, imagine se acreditasse.

Não perceber a diferença moral entre crianças morrerem por fogo e enxofre e um adulto de 40 anos morrer de ataque cardíaco é deturpar a nossa moralidade. Ponha esta questão na rua, a qualquer pessoa e veja a reacção. Não estou a dizer que você não é uma pessoa moral, estou a dizer que esta sua fé cega (sim, cega) em deus distorce a sua moralidade.

“Deus é quem decide quanto tempo de vida um homem tem, quando morre e como morre” Nesse caso vamos todos aceitar calmamente a ideia que deus matou as crianças de Sodoma e Gomorra com fogo e enxofre. Não lhe parece pernicioso? Mesmo que deus existisse e fosse o nosso criador isso não lhe daria o direito de matar quando quisesse. Que tal esta afirmação como declaração de liberdade?

O Império disse...

Aqui está o problema e o perigo com a questão da fé: tendo fé tudo é justificável. A caixa de Pandora está aberta.

O facto de você conseguir justificar a matança das crianças de Sodoma e Gomorra por deus é prova viva disso. Por esta lógica, deus pode matar as crianças que lhe apetecer já que elas vão para o Paraíso.

Você conseguiu justificar situações horríveis apenas dizendo que “deus é que sabe”, “deus é que manda”, “deus irá repor a justiça”. Se não questionarmos as atitudes de deus estamos a percorrer o inicio do caminho dos terroristas do 11 de Setembro que eram pessoas cultas, formadas e inteligentes, mas porque achavam que deus os estava a comandar mataram milhares de pessoas ao estilo de Abraão. Não está a ver aqui o perigo?

Ninguém numa situação normal poderia dizer o que você disse se não acreditasse que deus tem um plano divino insondável, que deus irá recompensar as crianças que ele matou, que deus ira recompensar as crianças com harlequin ichtiosys ou no caso dos terroristas que deus tem 70 virgens no paraíso como recompensa.

Atenção que não estou a colocá-lo ao mesmo nível dos terroristas, longe de mim… Não estou a fazê-lo. Mas você, e todos os crentes moderados, ao validarem este tipo de lógica estão a legitimar as acções dos terroristas pois eles também acreditam que deus é o supremo governante, deus é que manda, etc. E ninguém que aceite a lógica que você expôs pode, pelos mesmos critérios, não aceitar a lógica na mente dos fundamentalistas.

Cumprimentos.

O Império disse...

Alma Peregrina.

Vou lhe fazer uma pergunta cruel:

Se deus falasse consigo directamente e o ordenasse que matasse uma criança cortando-lhe o pescoço você obedeceria?

Não me responda que deus nunca lhe ordenaria uma coisa destas. Se isso acontecesse hipoteticamente você obedeceria a deus?

Alma peregrina disse...

"A sua opinião é: quem deu autorização à igreja para interpretar a bíblia foi deus. Pois eu não acredito nisso. Nem Saramago. Quem tem mais autoridade para interpretar a bíblia?"

Não importa se você acredita ou não. Você perguntou-me quem deu a autoridade à Igreja. Eu respondi. Se você acredita ou não, é da sua responsabilidade.





"Mas uma coisa ninguém pode fazer: retirar o que realmente lá está escrito, a letra, as palavras, as frases. É este o argumento de Saramago. Ainda lhe parece que Saramago colocou um argumento ignorante do ponto de vista teológico?"

Sim. A interpretação literal da Bíblia é uma forma ignorante de fazer teologia.





"“Caim ofereceu frutos DA TERRA” e Abel “ofereceu dos PRIMOGÉNITOS do seu rebanho e das GORDURAS dele”."

Abel ofereceu os primogénitos do rebanho e a gordura (a parte nobre dos animais). Caim não ofereceu as primícias dos seus frutos. Limitou-se a oferecer os frutos E eu não sei se ao oferecer frutos da terra, ele não estaria a oferecer frutos já semipodres.

Está a ver? Isto está tudo lá. Palavra por palavra. Mas quem leu sem saber, escapou-lhe completamente.

Alma peregrina disse...

"Nesse caso vamos todos aceitar calmamente a ideia que deus matou as crianças de Sodoma e Gomorra com fogo e enxofre. Não lhe parece pernicioso? Mesmo que deus existisse e fosse o nosso criador isso não lhe daria o direito de matar quando quisesse. Que tal esta afirmação como declaração de liberdade?"



Aqui, mais uma vez, você está a atribuir a Deus um código moral que pertence apenas ao Homem. Deus não pode "assassinar", porque as decisões de quem vive ou morre são d'Ele e de mais ninguém. Tais decisões não pertencem ao Homem. É daí que vem o nosso repúdio contra o assassínio. Todavia, você valoriza tanto esse repúdio, que pretende aplica-lo a algo que não é aplicável.

Quanto a essas declarações de liberdade, sinceramente não me impressionam. Por um lado, porque são totalmente fúteis. Você pode revoltar-se o que quiser contra a sua mortalidade, que isso não lhe vai adiantar nada. Por outro lado, porque parecem atribuir ao Homem um papel de juiz sobre Deus. Ou seja, não seria a Deus que caberia o critério de decidir quem deve viver e quem deve morrer, mas ao Homem. Só que, sempre que o Homem chamou a si esse julgamento, acabou em grande asneira. Prefiro Deus, que é muito mais justo e ético do que o Homem.





"O facto de você conseguir justificar a matança das crianças de Sodoma e Gomorra por deus é prova viva disso. Por esta lógica, deus pode matar as crianças que lhe apetecer já que elas vão para o Paraíso."

Meu caro amigo... você sobrestima a presente vida. A vida actual mais não é do que a antecâmara da vida eterna. Esta vida vai ter de chegar a um fim mais cedo ou mais tarde. Você quer condenar todas as pessoas do Mundo a viverem para sempre neste universo com sofrimento que, aparentemente, tanto o repugna? Estas crianças teriam de morrer mais cedo ou mais tarde. Se continuassem em Sodoma seriam abusadas, viveriam uma vida cheia de sofrimento e cresceriam para se tornar adultos cruéis que se jamais entrariam no Paraíso.

E atenção! Neste argumento eu parto do pressuposto que o Paraíso existe, porque você no seu argumento parte do mesmo pressuposto.




"Se não questionarmos as atitudes de deus estamos a percorrer o inicio do caminho dos terroristas do 11 de Setembro que eram pessoas cultas, formadas e inteligentes, mas porque achavam que deus os estava a comandar mataram milhares de pessoas ao estilo de Abraão. Não está a ver aqui o perigo?"

Sim, pois estou. Foi por isso que escolhi o Deus de Jesus Cristo e não o Alá do Corão.

Não é verdade que Christopher Hitchens afirma que os crimes cometidos pelos ateus não foram cometidos pelo ateísmo per se... mas por ateus que tinham ideologias assasinas que se podem apelidar de "religiões"?

Essas religiões-ideologias foram formadas por homens que se julgavam no direito de decidir quem vivia e quem morria. Esses homens julgavam-se capazes de se apropriarem da prerrogativa de Deus. Esses homens estabeleceram um deus que matou mais pessoas do que os atentados do 11 de Setembro.

Não está a ver o perigo?

Não é uma questão de decidir acreditar em Deus ou não. É uma questão de decidir em que deus se acreditar.




"Ninguém numa situação normal poderia dizer o que você disse se não acreditasse que deus tem um plano divino insondável, que deus irá recompensar as crianças que ele matou, que deus ira recompensar as crianças com harlequin ichtiosys ou no caso dos terroristas que deus tem 70 virgens no paraíso como recompensa."

Portanto... a sua lógica é que, como eu defendo que Deus é o decisor sobre a vida humana... que Deus é que decide se uma pessoa morre de velhice, AVC, harlequin ichtyosis, maremoto ou chuva de enxofre (tudo causas naturais)... então eu acredito que os terroristas podem assassinar em nome de Deus?

Grande salto lógico!

Alma peregrina disse...

"Se deus falasse consigo directamente e o ordenasse que matasse uma criança cortando-lhe o pescoço você obedeceria?"

Se o meu Deus (o Deus de Amor em que eu acredito) me ordenasse que matasse uma criança, eu usaria um triângulo de quatro lados para lhe cortar o pescoço.
:D






Agora outra coisa... ao discutir aqui estas formulações bíblicas recordei-me de um argumento que justifica o sofrimento de crianças. É um argumento tão simples, tão elementar, tão bíblico, que me esqueci de o usar. Não sei se você o vai aceitar, mas está no post abaixo.




Cumprimentos

Alma peregrina disse...

Huuuummmm...

Talvez seja melhor eu explicar melhor a situação de Sodoma. Porque você (como eu esperava) teve uma reacção emocional ao meu argumento que nada ajuntou ao debate. Aliás, é infelizmente uma atitude que começa a grassar na deontologia do meu ofício: dá-se mais ouvidos a emocionalismos do que a uma reflexão calma e serena sobre o que é ético ou não.



Vamos a ver... você acusa-me de ter uma moralidade distorcida, por causa da minha fé cega em Deus. Você clama, do alto dos seus pulmões:

DEUS MATOU AS CRIANÇAS DE SODOMA!

Mas isso é à luz da sua mundividência. Lembra-se de eu ter dito que há diferenças nas nossas mundividências que, provavelmente, fariam que você jamais concordasse comigo? Eu disse que uma dessas diferenças tem a ver com a atitude face ao mundo terreno. O ateu acha que ele é central, desprezando completamente a vida eterna. O crente acha que o mundo terreno é transitório e a vida eterna é que é o central.

Portanto, o seu grito, para mim, não faz muito sentido. Para mim, o grito é:

DEUS ACOLHEU AS CRIANÇAS DE SODOMA!




Mas vamos à questão da moralidade. Diga-me... é moral disparar um tiro sobre alguém? Não? Pode ser... se você fôr um polícia e disparar sobre um ladrão. É moral retirar a liberdade a alguém? Não? Pode ser... se você fôr um juiz. É moral matar alguém? Não? Pode ser... se fôr em legítima defesa!


Isto não é relativismo, meu caro. É moral, pura e dura! A sua forma emocional de ver a moral impede-o de ver que, para Deus, é tão moral terminar a vida de alguém aos 40 anos por ataque cardíaco como o é terminar a vida de alguém com 7 anos numa chuva de enxofre. Porque Deus tem de terminar a vida de todos os mortais de alguma forma. E é a Deus quem cabe o direito de decidir quando o faz e como o faz.



Talvez você acredite que Deus não tem esse direito. Então vejamos. Você não acredita em Deus, mas acredita na Natureza. Assumamos que a Natureza é um ser moral e imputável.

Você diz à Natureza: "Tu não tens o direito de me matar"!

E a Natureza responde: "Tenho sim senhor! Fui eu que te criei! Essa matéria orgânica de que és feito veio de mim! Tu foste formado pelas leis de selecção natural que eu institui! Queres agora, só porque és tu, reinvidicar que não te precisas de submeter a essas mesmas leis que te criaram?"

É o mesmo que sucede com Deus.

Não é uma moralidade distorcida. Uma moralidade distorcida é acreditar que posso julgar Deus, quando eu não estou na posse de todos os dados e quando a minha espécie humana não tem autoridade moral (quer na teoria, quer na prática) para proceder a um tal julgamento. Isso é imoral! É fazer com Deus algo que não se faz ao pior assassino da Terra! É a justiça pelas próprias mãos, que acaba sempre por ser mais sangrenta e imoral do que a justiça com base na autoridade legítima!




Espero com isto, ter dissipado este imbróglio e que possamos voltar ao debate sério e esclarecido.

Cumprimentos

O Império disse...

Caro Alma Peregrina.

Para já só lhe peço o seguinte:

Responda à pergunta que lhe fiz.

Simples.

E se alguém, para além de nós os dois, estiver a seguir esta conversa que responda também.

"Se deus falasse consigo directamente e o ordenasse que matasse uma criança cortando-lhe o pescoço você obedeceria?"

É tão simples quanto isso. A sua resposta deverá ser uma das duas seguintes:
- Sim
- Não

Consegue responder de uma forma "séria e esclarecida"? Ou vai continuar a contornar a questão?

Alma peregrina disse...

Eu não contornei a questão! Procurei fazê-lo ver que essa questão é absurda! Não vou responder, porque não é assim que as coisas funcionam! Deus não pediria isso! É por isso que eu acredito n'Ele! Pare de me tratar como se eu fosse um homem de há 12.000 anos, rodeado de culturas adoradoras de deuses que exigiam sacrifícios humanos (como Abraão era)! Mesmo que a sua questão fosse pertinente, obrigar-me a responder "sim" ou "não" e impedir-me de responder de outro modo é viciar o debate!

Lamento, mas tal como Deus não aceitou a oferenda de Caim... eu também não sou obrigado a receber um "presente envenenado".

Cumprimentos

O Império disse...

Caro Alma Peregrina.

Você disse me que deus tinha dado a autoridade à igreja para interpretar a biblia. E se eu lhe dissesse que deus falou comigo ontem à noite e me tinha dito que retirou a autoridade à igreja e me tinha dado a mim a autoridade para interpretar a bíblia? Em que é que ficávamos? Com que base é que você defende a autoridade da igreja e não defende a minha (acabei de lhe dizer que deus falou comigo ontem)?

Quanto a Abel e Caim, interpretar que Caim não deu o que tinha de melhor é apenas mais uma interpretação que é tão valida com a de Saramago. E supor que os frutos já estariam semipodres é ir longe demais.

Quando fala nos “ateus que tinham ideologias assassinas” deve estar a falar provavelmente no estalinismo. Apenas lhe digo que eu não me revejo nessa ideologia e nem no comunismo.

E eu nunca disse que deveria caber ao Homem decidir quem deve viver e quem deve morrer.

E quando diz que “escolhi o Deus de Jesus Cristo e não o Alá do Corão.” Está a esquecer-se que a sua Bíblia já levou a excessos tão grandes como os que se passam hoje em dia com o islamismo (estou a falar da Inquisição por exemplo). A diferença é que hoje em dia há poucos fundamentalistas Cristãos. Mas ainda os há. Basta ver o que se passou na antiga Jugoslávia e o que se passa em África. É tudo a mesma coisa.

Eu nunca disse que você acredita que os terroristas podem assassinar em nome de Deus. O que eu disse é que você não pode invalidar a lógica deles porque é a mesma lógica que você tem: deus é todo poderoso e bondoso portanto, apesar de a minha moral humana me dizer que isto é errado, vou fazer o que ele manda porque ele é que sabe (o caso de Abraão).

O meu raciocínio é o seguinte: a fé cega, aquele tipo de fé que não questiona as acções de deus e os seus ensinamentos pode levar a actos imorais. E se você acredita sem duvida nenhuma que deus existe e é bondoso vai justificar sempre, sempre o que de mau acontece com alguma lógica de compensação, ou de justiça divina insondável e corre o risco de estar redondamente enganado e validar actos imorais. É o que se passa com os terroristas. Foi o que se passou com Abraão.

Em relação a Sodoma lhe digo que a minha “reacção emocional” foi a reacção normal ao que você disse. A prova disso é que você já estava à espera dela. Afinal, supostamente, estou a jogar no domínio da religião: a emoção e a intuição.

Você tem a certeza que deus existe, por isso vê o facto das crianças de Sodoma terem morrido de uma forma horrível (fogo e enxofre) como algo sem importância porque se deus existe e é bondoso ele vai recompensar essas crianças. Eu peço-lhe para me provar que deus é realmente bondoso e você responde-me que é a sua fé, é algo que sente dentro de si. Isso é insuficiente. Não tenha dúvida disso. Em contrapartida eu nunca lhe disse que tenho a certeza que ele não existe. Apenas digo que o mais provável é que ele não exista e vivo a minha vida como se ele não existisse (Dawkins). Mas mantenho essa possibilidade em aberto.

O Império disse...

É por isso que você diz que “Estas crianças teriam de morrer mais cedo ou mais tarde.” Elas morreram de uma forma horrível pela mão de deus com um sofrimento atroz (queimadas pelo fogo e enxofre) e você diz candidamente que “Estas crianças teriam de morrer mais cedo ou mais tarde.”

“DEUS ACOLHEU AS CRIANÇAS DE SODOMA!” matando-as com uma chuva de fogo e enxofre… Se houvesse uma passagem nessa historia de Sodoma dizendo que deus acolheu as crianças no seu paraíso antes de fulminar a cidade com fogo e enxofre eu concordaria consigo.

Desculpe que lhe diga mas duvido que haja muita gente a concordar consigo quando diz que é tão moral que alguém aos 40 anos morra por ataque cardíaco e uma criança de 7 anos morrer queimada numa chuva de fogo e enxofre. Quando você diz isso diz que é que moral de deus. Também é a sua moral? Concorda com a igualdade das situações?

Não queira comparar a Natureza com deus que é uma entidade pensante com poder de decisão. Não tem lógica nenhuma.

Perguntar a deus os motivos dos seus actos é algo que não se faz ao pior assassino da Terra? Trata-se apenas de uma conversa entre adultos que é o que eu faria se um dia falasse com deus.

"Se deus falasse consigo directamente e o ordenasse que matasse uma criança cortando-lhe o pescoço você obedeceria?"

Não o estou a tratar como “um homem de há 12000 anos”. Quando deus deu a mesma ordem a Abraão, Abraão não sabia qual era o motivo. Não sabia qual era o ensinamento que deus queria dar. Portanto Abraão estava exactamente na mesma situação que você estaria se isso acontecesse hoje em dia consigo.

Como pode você dizer que esta questão é absurda? Deus pode estar a testá-lo. Não pode? Foi o que fez com Abraão. Porque acha você que ele não o faria de novo nos dias de hoje para dar outro ensinamento? Segundo o que a bíblia diz temos que confiar em deus. Não é?

“Deus não pediria isso!” Você não sabe, ele já o fez no passado. Mas tudo bem, acredito em si. Mas mesmo assim o que faria você? Tentava matar a criança provando a sua “fidelidade” absoluta a deus? Tal como ele “exige”? Ou desobedecia?

Pedi-lhe para responder sim ou não porque é a única natureza da resposta a esta pergunta. Obedeceria a deus ou não? Mesmo acreditando que deus é bondoso e que ele tinha um ensinamento moral incrível para dar, obedeceria ou não?

Afinal se a criança realmente morresse às suas mãos seria igual às crianças de Sodoma. Morreram todas pela responsabilidade de deus. Ou, vou fazer-lhe a vontade, deus acolheu todas as crianças incluindo aquela que lhe tinha ordenado para matar.

Não é viciar o debate, mas concordo consigo que é uma pergunta envenenada. A mesma pergunta envenenada foi feita a Abraão por deus, e todos os Católicos acham essa história fantástica.

Quanto a mim, a minha resposta seria não. Não mato.

Pedia-lhe coragem e responda também.

Cumprimentos

Alma peregrina disse...
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Caro O Império:

"Você disse me que deus tinha dado a autoridade à igreja para interpretar a biblia. E se eu lhe dissesse que deus falou comigo ontem à noite e me tinha dito que retirou a autoridade à igreja e me tinha dado a mim a autoridade para interpretar a bíblia? Em que é que ficávamos? Com que base é que você defende a autoridade da igreja e não defende a minha (acabei de lhe dizer que deus falou comigo ontem)?"

Meu amigo... você gosta muito de propôr "ses" que não podem existir.

Do Evangelho segundo S. Mateus:

"E Eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus."

Deus não vai (eu repito NÃO VAI) retirar a autoridade à Igreja. Deus não mente e não volta atrás com a Sua Palavra. Portanto "se Deus retirar a autoridade à Igreja" é uma conjectura absurda. Como perguntar “se eu visse um triângulo de quatro lados”…




"Quanto a Abel e Caim, interpretar que Caim não deu o que tinha de melhor é apenas mais uma interpretação que é tão valida com a de Saramago."

Não, não é. Se você tivesse rigor no que está a dizer (nomeadamente se seguisse o método hermenêutico) perceberia que é impossível o hagiógrafo escrever que Deus simplesmente resolveu desprezar Caim porque Lhe deu na gana. O escritor da Bíblia nunca escreveria isso. Se você estivesse mais interessado em defender o verdadeiro sentido da Bíblia (de acordo com o que o hagiógrafo estava a pensar) em vez de estar a defender cegamente a tese infundada de Saramago, veria isso claramente.

Em qualquer fórum teológico, você faria a figura do cientista que aparece nos congressos mundiais a defender que a Terra é plana. Pode dizer à vontade que essa é uma tese racional. Não é.



"Quando fala nos “ateus que tinham ideologias assassinas” deve estar a falar provavelmente no estalinismo. Apenas lhe digo que eu não me revejo nessa ideologia e nem no comunismo."

O facto de você não se rever não muda o que eu disse. Por favor, tente ler a lógica dos meus argumentos e não acusações à sua pessoa.



"E quando diz que “escolhi o Deus de Jesus Cristo e não o Alá do Corão.” Está a esquecer-se que a sua Bíblia já levou a excessos tão grandes como os que se passam hoje em dia com o islamismo (estou a falar da Inquisição por exemplo)."

Exacto! E o ateísmo também!

Portanto estamos todos em igualdade de circunstâncias. Você não me pode tentar “encostar” aos terroristas, só porque eu acredito em Deus e eles também. Os ateus fizeram a mesma coisa e não acreditavam em Deus.



"E eu nunca disse que deveria caber ao Homem decidir quem deve viver e quem deve morrer."

Você retirou essa prerrogativa a Deus. Você acha que a escolha de Deus em relação a Sodoma foi mal feita. Você acredita que sabe mais do que Deus. Você coloca-se acima d'Aquele a quem cabe decidir quem vive e quem morre. Você, portanto, acha que faria um trabalho melhor do que Deus. O que, sinceramente, eu duvido. E sempre que um homem achou que faria melhor do que Deus, isso deu asneira.

Ponho-lhe o exemplo de Robespierre. Muito ateu, muito humanista, muito preocupado com a pena de morte. Com certeza ele subscreveria esse seu desgosto em relação às más decisões de Deus em matéria de vida e de morte. De certeza que Robespierre sentiria a sua sensibilidade humana ferida por esses terríveis incidentes. Mas mal se viu no Poder, não só não aboliu a pena de morte, como a aumentou exponencialmente (entenda-se, a guilhotina, o Terror).

É muito fácil dizer que se faz melhor do que Deus. Eu ainda não vi quem.

Alma peregrina disse...

"Eu nunca disse que você acredita que os terroristas podem assassinar em nome de Deus. O que eu disse é que você não pode invalidar a lógica deles porque é a mesma lógica que você tem: deus é todo poderoso e bondoso portanto, apesar de a minha moral humana me dizer que isto é errado, vou fazer o que ele manda porque ele é que sabe (o caso de Abraão)."

Posso invalidar a lógica deles, porque tenho argumentos teológicos contra eles. Mas não estou aqui a debater com muçulmanos, estou a debater com um ateu.

Você pensa que as diferenças teológicas são irrelevantes, faz um enorme salto qualitativo ao pretender que somos duas religiões iguais. Não somos. Os nossos dois deuses são completamente diferentes. E a nossa atitude perante Deus (ou Alá) muda a nossa atitude perante o Mundo. Caramba! Até a sua atitude perante Deus (e você é ateu) é claramente um reflexo da sua atitude perante o Mundo! São mundividências diferentes! Você está a fazer tábua rasa de diferenças importantíssimas! Você tem consciência de que há muitos fundamentalistas muçulmanos a dizerem que entre os católicos e os ateus não há qualquer diferença, não sabe? Só porque ambos partilham uma perspectiva ocidental ("o Grande Satã")... acha essa comparação justa e honesta? Acha que não há diferença entre católicos e ateus?




"O meu raciocínio é o seguinte: a fé cega, aquele tipo de fé que não questiona as acções de deus e os seus ensinamentos pode levar a actos imorais."

Eu percebi o seu raciocínio. E disse-lhe que era um grande salto lógico. É uma coisa não questionar os actos de Deus. Outra coisa é não questionar actos imorais de homens que falam em nome de Deus.

Outra coisa: a ausência da crença em Deus também pode levar a actos imorais. Nomeadamente, o ateísmo pode conduzir ao relativismo moral que, quase sempre, justifica a imoralidade.

Eu acredito num deus moral. Assim, fico protegido tanto de um deus imoral… como fico protegido da imoralidade da ausência de um deus. Foi a minha escolha. Eu respeito a sua. Não percebo porque você tem que dizer que a minha escolha é cega.



"Em relação a Sodoma lhe digo que a minha “reacção emocional” foi a reacção normal ao que você disse. A prova disso é que você já estava à espera dela."

Não, não é a reacção normal ao que eu disse. É a reacção normal de uma certa mundividência aquilo que eu disse. Uma mundividência que abomina tanto o sofrimento, que não concebe que uns instantes de sofrimento são uma completa nulidade perante uma eternidade de felicidade. Eu pedi-lhe que analisasse calma e racionalmente os meus argumentos. Ainda estou à espera de que você me ofereça um contra-argumento razoável.

Alma peregrina disse...

"Não queira comparar a Natureza com deus que é uma entidade pensante com poder de decisão. Não tem lógica nenhuma."

Ah, quer dizer que você não aceita um meu argumento se o meu "se" não tiver lógica nenhuma. Está bem. Então eu vou reformular o meu argumento da Natureza.

Você diz a Deus: "Tu não tens o direito de me matar"!

E Deus responde: "Tenho sim senhor! Fui eu que te criei! Essa matéria orgânica de que és feito pertence-me! Tu foste formado pelas leis que eu institui! Queres agora, só porque és tu, reivindicar que não te precisas de submeter a essas mesmas leis que te criaram?"

Se você se recusar a submeter-se a tais leis, é o mesmo que dizer que as leis de Deus são inválidas, que é o mesmo que dizer que as leis que criaram o meu amigo são inválidas, o que significa que o meu amigo renunciou aquilo que assegurava a sua existência, que é o mesmo que dizer que Deus pode suspender a sua existência (i.e. matá-lo).

Não é bonito, mas é ético.

Felizmente, Deus não é só justo, também é misericordioso. Portanto, apesar de Ele, moralmente, poder atribuir-nos a morte que bem entender da forma que bem entender, Ele não o faz. As passagens do Antigo Testamento que eu citei neste post são a prova disso. Se for absolutamente necessário que uma pessoa inocente morra, ela receberá uma vida eterna de felicidade como indemnização. Deste modo, Deus salvaguarda a Justiça e a Misericórdia num equilíbrio delicadíssimo, que só Ele consegue manter.



E notei outra falha no seu raciocínio. Você diz que seria preciso uma passagem bíblica a afirmar que as crianças foram retiradas antes da chuva de fogo. Se não está na Bíblia, então é porque as crianças não foram retiradas antes da chuva de fogo. MAS você está disposto a acreditar que Deus matou crianças em Sodoma... apesar de na Bíblia não haver qualquer menção à morte de crianças. Talvez não houvesse lá crianças. Talvez os sodomitas as tivessem morto todas. Isso estaria de acordo com a promessa de Deus segundo a qual Ele não destruiria Sodoma se lá houvesse 10 justos.

Se você disser que estavam lá crianças apesar de não estar explícito na Bíblia, porque isso é o mais provável...
... eu também posso dizer que as crianças foram retiradas antes da chuva de fogo, porque isso é o mais provável, tendo em conta a figura misericordiosa de Deus.





"Se deus falasse consigo directamente e o ordenasse que matasse uma criança cortando-lhe o pescoço você obedeceria?"

Cá está outra vez outro dos seus "ses" sem qualquer lógica. Deus pediu isso a Abraão numa época diferente da nossa, a um homem com outra mundividência, para ensinar a Abraão algo que ele não sabia, mas que eu, católico do séc. XXI já sei. O teste de Abraão serviu um propósito que já não existe. E não é repetível (eu já sei que, no último instante, Deus me vai impedir).

Deus não vai (eu repito NÃO VAI) pedir-me que eu mate uma criança.

Essa pergunta envenenada leva-me a uma escolha entre a) desobedecer a Deus, tornando inválida a minha noção de que se deve obedecer aos mandamentos de Deus ou b) obedecer a Deus, tornando-me um infanticida.

Portanto, você coloca-me diante de uma dicotomia que me obriga a a) renunciar à minha fé ou b) ser um terrorista como o 11 de Setembro.

Claro que essa dicotomia não reflecte o que eu acredito. A minha resposta foi "Deus não me pediria uma coisa dessas" (tal nem sequer foi pedido a Abraão) Mas você, intuindo a minha resposta, proíbe-ma.

Portanto, você coloca-me diante de uma dicotomia falsa, que não espelha a realidade daquilo em que acredito, condicionando-me a escolher entre duas posições indefensáveis.

A minha resposta final é esta:

"...Deus não levou a Sua exigência até ao fim (…) mesmo no último momento, Deus revelou que não deseja sacrifícios humanos e que só estava a pôr Abraão à prova. Vou trocar isto por miúdos: Nosso Senhor é um deus que abomina o sacrifício humano E é um deus que exige fidelidade absoluta.”
Eu obedeço a Deus. E, por isso mesmo, nunca mataria uma criança. Essa é a minha resposta.

É pegar ou largar.



Cumprimentos

Manuel Anastácio disse...

Aprendam com o padre Carreira das Neves o que é o Cristianismo. Aqui só vi ódio, ignorância (pior ainda: orgulho na ignorância):
http://alegria.typepad.com/amistad/2010/06/padre-carreira-das-neves-sobre-saramago.html

Alma peregrina disse...

Caro Manuel Anastacio:

Muito obrigado pela sua participação e bem-vindo ao meu humilde blog.

Conheço a intervenção do Padre Cesar das Neves e respeito-a, embora não concorde totalmente com ela.

Tambem espero que você tenha noção que este post data de 22/10/2009, ou seja, antes da morte do escritor.

Finalmente, diz-me que aqui apenas leu odio e ignorancia.
Pergunto-me... sera que leu? Leu mesmo alguma coisa? Ou sera que se limitou a ver que o post discordava da sua posição e arremeteu com esse chavões pre-formatados?

Cumprimentos