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Ano da Fé

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sábado, 3 de outubro de 2009

O INFERNO SOMOS NÓS!

Este vai ser o meu último post sobre política (assim o espero!) nos próximos tempos. Já faz mais de um mês em que me decidi debruçar sobre este assunto (as circunstâncias assim o exigiam), mas agora já basta. Está na hora de me focar noutros assuntos, igualmente relevantes para a Doutrina Cristã e para a Nova Evangelização…


No entanto, não posso terminar sem antes comentar os acontecimentos imprevisíveis e lamentáveis que se deram logo após as eleições legislativas. Refiro-me, obviamente, à guerra aberta entre duas das instituições mais solenes da nossa Nação: a Presidência da República e o Governo.

O meu comentário começa com as seguintes citações da Beata Madre Teresa de Calcutá

Acho que o que se passa actualmente em Portugal é o reflexo mais visível destas palavras.








Bem… qualquer leitor ateu e/ou suixant-huitard que me leia, já estará espumando à frente do seu ecrã de computador, enquanto pragueja: “Será possível que os crentes sejam tão estúpidos e fanáticos, ao ponto de atribuírem todos os males do mundo (incluindo um conflito institucional) ao aborto?



No que me diz respeito, sim, é possível fazer essa inferência. E não será um acto de deturpação da realidade, nem de cegueira religiosa, nem de irracionalismo fanático. Basta uma análise fria dos factos para compreendermos a lógica por detrás desta minha tese.









Sinceramente, eu não sei se o Presidente foi ou não escutado. Desconheço o envolvimento do Primeiro-Ministro. Não faço ideia das intenções das “fontes” dos vários jornais que participaram em toda esta situação deplorável. Há demasiado nevoeiro, demasiadas influências obscuras, demasiados segredos, demasiado mistério para se ter uma imagem nítida de tudo o que sucedeu. Não tenho suficientes dados para fazer um comentário informado. A única coisa de que tenho a certeza (e é a única coisa de que Portugal pode ter certeza, por muito doutos que sejam os comentadores e politólogos que vêm falar nos telejornais) é de que o Presidente da República e o Primeiro-Ministro recém-eleito estão em guerra aberta, pondo em perigo a estabilidade do próprio regime democrático.










Analisemos os diversos intervenientes nesta tragicomédia. Podemos começar pelo Presidente da República. O Professor Cavaco Silva foi eleito devido à sua imagem: uma imagem de grande seriedade e sobriedade. Uma figura moderada e temperada. Um verdadeiro homem de Estado, capaz de pôr os interesses do país à frente dos interesses partidários. Um garante de estabilidade democrática. Em suma: o Presidente perfeito.

Quase logo no princípio do seu mandato presidencial, o Professor Cavaco Silva foi confrontado com uma difícil escolha política: ou era o “Presidente de todos os portugueses” (como o tinha prometido) e salvava os portugueses ainda não nascidos, vetando a iníqua Lei do Aborto e mandando às urtigas os resultados de um referendo… ou então procurava manter a sua imagem e compostura. Se optasse pela primeira opção, seria acusado de ser fanático e conservador. Seria crucificado por não levar em conta a vontade soberana do Povo. Hostilizaria um PS fracturante, ideologicamente apaixonado por esta causa e detentor de uma maioria absoluta na Assembleia da República.


A tentação era grande, a pressão excessiva… e Cavaco Silva caiu na esparrela. Comportou-se como um homem de Estado, em vez de se comportar como um homem, ou como um ser humano. Cometeu o pecado de Pilatos. Os inocentes seriam sacrificados no altar da estabilidade nacional, para apaziguar uma elite inflexível e uma multidão manipulada.

Porém, o que sucedeu ao Presidente da República desde então?
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Terá conseguido esquivar-se às acusações de fanático e conservador?

Não.

Durante a sua legislatura, o PS continuou a avançar mais temas fracturantes, completamente absurdos. A lei do Divórcio e o projecto-lei das Uniões de Facto são disso exemplo. Em ambos os casos os projectos-lei foram vetados. E em ambos os casos, o Presidente da República fez honra em dar explicações muito racionais e objectivas para sustentar as suas posições. O PS não se importou. E, por toda a Esquerda, ouviu-se o coro que apontava o conservadorismo e o reaccionarismo do Professor Cavaco Silva.
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Terá conseguido apaziguar o PS, construindo com ele a tal “cooperação estratégica” de que tanto falava?

Não.

Em vez de se satisfazer com a promulgação da Lei do Aborto, o PS continuou a minar lentamente o Presidente da República.

Veja-se o caso do Estatuto dos Açores, que visa retirar poderes ao Presidente e que foi considerado inconstitucional pelo próprio Tribunal Constitucional.
Veja-se o caso de tantos vetos presidenciais que foram desavergonhadamente transpostos, tendo o PS forçado o Presidente a promulgar (quase) as mesmas leis que ele vetara.
Veja-se o caso de o PS estar, neste momento, em conflito aberto com o Presidente da República.
A cooperação estratégica está morta…
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Terá conseguido, ao menos, salvaguardar a sua postura democrática, demonstrando que está a favor do Povo e que o respeita?

Não.

Embora eu reconheça que Cavaco Silva procurou, ao máximo, não condicionar as passadas eleições legislativas… a verdade é que, por qualquer motivo, as coisas descontrolaram-se e não saíram como ele queria. Não houve qualquer debate de ideias na última semana da campanha eleitoral… apenas se escutou o caso das escutas. O silêncio do Presidente tornou-se mais eloquente do que todas as palavras proferidas por todos partidos… e há quem diga que foi esse silêncio que conduziu à derrota do PPD-PSD.
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Por isso, o Professor Cavaco Silva é acusado pelo PPD-PSD de não informar devidamente os eleitores, ocultando factos importantíssimos acerca da nossa saúde democrática.

Por outro lado, com o seu discurso agressivo na passada 3ª feira, o Presidente da República é acusado por muitos comentadores socialistas de “mau perder” e de pretender criar um pretexto para desrespeitar a vontade popular, não indigitando o Engenheiro José Sócrates para próximo Primeiro-Ministro.
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Ou seja, o Presidente da República encontra-se, neste momento, na mesma posição em que se encontraria se tivesse vetado a Lei do Aborto. É acusado de ser fanático, conservador, antidemocrático e antisocialista. O que é mais trágico foram as 40.000 vítimas que, tendo sido sacrificadas para salvar o Professor Cavaco Silva desse infame destino, foram destruídas em vão.









Passemos agora ao segundo actor desta peça: o Governo, personificado na pessoa do Sr. Engenheiro José Sócrates.



Sócrates é um político hábil que também encarna o papel do verdadeiro homem de Estado (se bem que por motivos distintos e menos dignos que os de Cavaco Silva). Ele acredita, sem sombra de dúvidas, que é uma pessoa moderna e que tem como missão modernizar Portugal (o que significa, tornar Portugal mais semelhante a Sócrates). Para atingir este objectivo, Sócrates faz tudo, atropela tudo, sacrifica tudo. Menos a sua imagem, que é o seu bem mais precioso (é preferível uma boa imagem a um bom conteúdo). Tem uma perspectiva utilitária da Política, isto é, uma atitude de “os fins justificam os meios”. É o Príncipe Perfeito de Maquiavel. Ecce homo de Estado.

Portanto, não é de estranhar que uma das suas primeiras lutas políticas tenha sido a legalização do aborto. Estava aqui tudo. O aborto é “moderno” (vá-se lá saber porquê…). O aborto é uma questão de imagem (há que ocultar ao máximo o seu conteúdo; o que importa é que o aborto seja legal, que tenha uma boa imagem, porque se for clandestino é “próprio de um país atrasado”). O aborto é o auge da filosofia utilitária, o expoente d’ “O fim justifica os meios”.

Durante a campanha para o referendo de 2007, o Engenheiro José Sócrates fez das tripas coração para convencer os portugueses de que nenhuma mulher aborta porque quer, que o aborto é sempre uma decisão difícil e causadora de grande sofrimento, que as mulheres são sempre vítimas da conjuntura… e que portanto, a mulher deve poder escolher abortar a sua criança (independentemente de se concordar com a escolha dela ou não).

Estamos em 2009. O máximo poder do reino está nas mãos do Professor Cavaco Silva. Até há uns dias, ninguém diria que este homem íntegro fosse capaz de agir por capricho. Que ele fosse capaz de pôr os seus interesses mesquinhos na base das suas decisões políticas. Que ele fosse capaz de tomar uma decisão mal ponderada (independentemente de se concordar com essa decisão ou não).

O Governo está, neste momento, preso por um ténue cordão umbilical a este Presidente. E existe a forte possibilidade (não digo que se concretize, digo apenas que há essa possibilidade) de o próximo Governo do PS ser “abortado”… ou, eventualmente, “eutanasiado”. A Sócrates não resta nada a não ser contorcer-se enquanto o Presidente o asfixia com os seus poderes presidenciais nesta próxima legislatura. O PS semeou o conflito entre mães e filhos… colhe agora um conflito (aparentemente inexplicável) entre o Presidente e o seu Executivo. A vida (política) de Sócrates está nas mãos de Cavaco Silva, dependente das suas escolhas… e não há nada que Sócrates possa fazer para o mudar. Sobretudo porque Cavaco Silva parece ter “decidido” que Sócrates é um empecilho para a sua vida (política). O PS foi traído por aquele que devia ser o garante da sua estabilidade… tal como a criança abortada é traída pela mãe que deveria ser o garante do seu amor.

Poderá o Engenheiro José Sócrates sobreviver politicamente aos próximos 4 anos? Sem dúvida! O Futuro é incerto e, como eu já disse, Sócrates é um político hábil! Mas é inegável que a atmosfera que o PS respira agora não é diferente da angústia das suas 40.000 vítimas. Uma sombra gigantesca e inexorável paira sobre o próximo Governo, uma sombra que, a qualquer altura, pode destrui-lo. Tanto potencial, tão desperdiçado!





E os outros partidos? O BE e a CDU militaram fortemente a favor da legalização do aborto, enquanto o PPD-PSD se absteve de travar esta luta política.

O BE e a CDU sempre encheram a boca com a “vontade do Povo”. Por algum motivo, a Esquerda sempre se achou dona da vontade do Povo. Ou antes, a Esquerda sempre se considerou porta-voz do Povo… um cargo para o qual o Povo jamais a elegeu (quando é que o BE ou a CDU incorporaram algum governo democraticamente eleito?).

No caso do aborto, não foi diferente. A legalização do aborto era a vontade do Povo. Porque foi assim expressa no referendo de 2007. O que não sucedeu no referendo de 1998, porque aí ganhou a proibição do aborto. Aí não ganhou a vontade do Povo. Porque a vontade do Povo é a vontade do BE e da CDU. Portanto, era importante repetir o referendo até que a vontade do Povo (que era a vontade do BE e da CDU) vencesse. A vontade do Povo tinha de destruir os ideias obsoletos e retrógrados da Igreja Católica, porque o BE e a CDU são anticlericais e falam pelo Povo.

Como estão o BE e a CDU agora?

Parece que a vontade do Povo falou! O que disse? Que o CDS-PP o representava melhor do que o BE ou a CDU! O Povo é quem mais ordena! E o Povo ordenou que os ideais democratas e cristãos se sobrepunham aos ideais comunistas (quer na sua versão estalinista, quer na sua versão trotskista)!

Quanto ao PPD-PSD… apesar de, implicitamente, ser contra a legalização do aborto… manteve um silêncio ensurdecedor que ressoou por toda a sociedade. No referendo de 1998, a máquina partidária do PPD-PSD foi fundamental para a vitória da Cultura da Vida. Logo, não é de estranhar que o silêncio do PPD-PSD tenha deixado desamparado politicamente o movimento civil pró-vida, o que terá sido instrumental na nossa derrota em 2007.

Tal como as 40.000 crianças suplicavam por uma palavra de apoio do PPD-PSD… também o PPD-PSD suplicou que Cavaco Silva se pronunciasse sobre o caso das escutas. Se o Presidente o tivesse feito em tempo útil, se não tivesse mudado o cargo de Fernando Lima, então o PPD-PSD continuaria a subir nas sondagens rumo à vitória eleitoral.

O silêncio mata! O silêncio do PPD-PSD matou 40.000 crianças… o silêncio do Presidente da República matou o PPD-PSD!
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Resta apenas mais uma personagem neste jogo doentio: o Povo.

Um Povo que se diz cristão e católico, mas que obviamente não o é. Parafraseando o Mestre, “não é o que sai da boca do Homem o que o torna puro, mas o estar conforme à Vontade de Deus”.

Um Povo de coração duro, que votou a favor da crucifixão de 40.000 crianças. Ou que, de bom grado, ficou em silêncio para “lavar daí as suas mãos”.

Um Povo que, nestas últimas eleições legislativas, longe de ouvir a voz saudável da consciência, longe de tentar rectificar o seu erro… preferiu votar pensando unicamente no seu bolso. Ou um Povo que, de bom grado, ficou em silêncio para “lavar daí as suas mãos”.

Um Povo que recusou acolher 40.000 crianças, preferindo “lavar daí as suas mãos”.

Essas 40.000 crianças que não foram acolhidas pelo coração duro de Portugal foram, sem dúvida, acolhidos pelo Sagrado Coração de Jesus. Quanto aos 10.000.000 de portugueses (não eram suficientes para salvar 40.000?), esses, não foram acolhidos por Deus. Deus endureceu o Seu Coração para Portugal. Deus “lavou as Suas mãos” de Portugal.

O que sucedeu?

O Povo, que votara a favor do seu próprio umbigo, não teve o que desejava…

Pediu prosperidade, mas recebeu um grave conflito institucional. Muitos comentadores dizem que este é um conflito sem precedentes e até há os que daqui retiram a queda do regime semipresidencialista. Não sei se terão razão ou se estarão apenas a ser alarmistas (como é próprio dos media hoje em dia). Mas sei que toda esta situação é muito grave. E que vai condicionar a Política nos próximos anos (podendo até, penso eu, repercutir-se para além das fronteiras da presente legislatura). E que vai, muito provavelmente, deteriorar a Economia. E gerar situações de conflito social e de instabilidade social que, mais ou menos graves, são sempre lamentáveis.





O leitor ateu e suixant-huitard dirá que eu estou a racionalizar, a estabelecer ligações sem nexo. Não existe qualquer relação entre a promulgação da Lei do Aborto e a má imagem do Presidente desde 3ª feira. Não existe qualquer relação entre a campanha a favor da legalização do aborto e os maus resultados eleitorais do PS, PPD-PSD, BE e CDU. Não existe qualquer relação entre os resultados do referendo de 2007 e o presente conflito institucional.
Esse leitor terá razão a um nível superficial… mas não se tiver os olhos abertos e atentos.
A legalização do aborto foi o resultado de certas ideias e atitudes… e foram essas mesmas ideias e atitudes que puseram todos os portugueses em maus lençóis. Pensando que podiam fazer o que quisessem com uma criança que ninguém via ou ouvia, os portugueses jamais pensaram que a lógica que usaram contra os embriões pudesse vir a ser usada contra eles. Julgaram (mal) que as ideias não podem ser desenvolvidas até à sua conclusão lógica.
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E Deus?

Deus condenou Portugal ao Inferno, a fim de expiar os seus crimes!

E não, não sou nenhum fanático que se apressa a colocar no Inferno todos aqueles que desobedecem à Santa Madre Igreja.

Eu uso a definição do Papa João Paulo II: “O Inferno é a ausência de Deus

Portugal decidiu, desde 2007, que Deus não tinha lugar na política.

E Deus desapareceu da política.

Por isso, a política tornou-se um Inferno.

Os portugueses decidiram que não queriam que Deus governasse as suas vidas. Preferiram depositar a sua fé na louca sabedoria dos homens engravatados e bem-falantes que lhes prometiam “Vós sereis como deuses, capazes de decidir o que é o Bem e o que é o Mal

Por isso, Portugal está agora a ser governado pelas forças infernais.

O que faz com que Portugal se tenha tornado um Inferno.

E quem abra os jornais e veja a guerra que ensombra todo este país, inibindo o nosso progresso, semeando a instabilidade e o conflito, não pode negar este facto inegável: neste preciso momento, Portugal é um Inferno.

Mas não foi Deus que, arbitraria e caprichosamente, nos condenou a isso.

Não se trata de um exercício irónico de Justiça Divina.

Fomos nós que o escolhemos.

O Inferno somos nós.

Só quando voltarmos a acolher a Lei de Deus (que é a Lei do Amor incondicional e absoluto, acima de todas as coisas) nas nossas leis, só aí terminará a nossa peregrinação pelo deserto. Pois, como diz o poeta Leonard Cohen “Eu vi as nações a erguerem-se e a caírem. Ouvi as suas histórias, conheço-as a todas. Mas o Amor é o único motor da sobrevivência”.

Do alto do Paraíso, Deus e 40.000 almas aguardam ansiosamente a nossa resposta…

11 comentários:

Alma peregrina disse...

Pintura superior:
Pormenor de "Inferno"
Domenico Beccafumi
1520-1530


Pintura média
"Dante e Virgílio no Inferno"
William-Adolphe Bouguereau
1850


Pintura inferior
Painel "Inferno" do tríptico "O Juízo Final"
Hans Memling
1467-1471

Fa menor disse...

Nunca li um retrato tão perfeito de todo este lodo em que mergulhamos!

Alma peregrina disse...

Cara Fá Menor:

Muito obrigado pelas suas palavras. Mas, por muito bom que seja este retrato, é um retrato deprimente. Doravante, e por algum tempo, tentarei apenas retratar coisas boas...

Dou-lhe as boas-vindas ao meu humilde blog. Disponha eheheh

Pax Christi

Lura do Grilo disse...

Boa análise.

Não estou de acordo que o PR tenha sido agressivo. Mostrou indignação por sofrer ataques de uma ordem e violência que nenhum outro tinha ainda sofrido. Foi um aviso à navegação e um pedido de mais ética.

Resta lutarmos dentro das nossas famílias, comunidades e amigos pelos nossos valores. A Igreja quanto mais tinha de se esconder no império romano mais rapidamente se propagou.

Quando na Roménia marxista os cristãos eram barbaramente torturados quem apareceu? Precisamente Madre Teresa de Calcutá!

Alma peregrina disse...

Caro Lura do Grilo:

Não existe qualquer incompatibilidade entre ser-se agressivo e mostrar-se indignado. Há porventura ocasiões em que uma pessoa pode ser agressiva e sê-lo porque está justamente indignada.

Penso que é evidente que a intervenção do PR foi agressiva. Se o caso das escutas for verdadeiro, a agressividade do PR terá sido justificada. Mas vai ser difícil provar tudo isso...



Quanto ao resto, estou plenamente de acordo.

Ah, e bem-vindo ao meu blog
:)


Pax Christi

joaquim disse...

Que dizer-te caro amigo, se não que concordo contigo inteiramente e que considero muito lúcida esta tua análise, que muitos deviam ler.

Como sabes fiz a minha pequena parte de pedir aos cristãos que fossem votar e votassem de acordo com aquilo que acreditam.

Não fui escutado, nem eu nem muitos que disseram o mesmo.


Como sabes amo a Igreja com todo o meu coração mas tenho muita pena que a Igreja que eu amo não seja bem mais clara a incitar ao voto os cristãos e muito mais objectiva mostrando-lhes os terriveis erros contra a vida, contra a sociedade, contra a familia, contra a própria Igreja que grande parte dos programas de governo contêm.

Não deixa de ser caricato que numa Europa que quer colocar o cristianismo fora das suas origens a fotografia dos líderes europeus seja tirada em frente do Mosteiro dos Jerónimos.

Abraço amigo em Cristo

Alma peregrina disse...

Caro Joaquim:

Eu compreendo o que você quer dizer (e realmente é frustrante como os políticos desejam o photo-op com a Igreja quando lhes convem, mas queiram que a Igreja se cale quando lhes é incómoda)...

... mas a Igreja (aqui posta como hierarquia) não pode fazer muito mais. A doutrina é clara. A Conferência Episcopal Portuguesa emitiu mensagens. Se fosse mais além, iria contra a separação entre Estado e Igreja.

Quem não faz o seu trabalho é a Igreja (aqui com o seu significado colectivo, incluindo leigos). É aos leigos que cabe organizarem-se politicamente. E a maior parte dos votos provém dos leigos.

Se os leigos fizessem o seu trabalho, não teríamos no Governo um Executivo de uma ideologia condenada há 100 anos na Rerum Novarum.

Mais do que ter vergonha dos políticos que vêm fotografar-se nos Jerónimos... tenho vergonha de um país que deixa que um Dr. Francisco Louçã lhes diga que uma vitória do aborto é uma vitória dos católicos. Ugh!

Pax Christi

JAC disse...

O que li neste post é realista infelizmente. Preferia que não fosse.

Mas este problema não se resume aos políticos que têm missão de governar e de legislar. Há que culpar também quem mais ordena - o Povo.

Continuo a espantar-me com o resultado das últimas legislativas.

Onde está o Portugal católico, defnsor dos valores evangélicos e cristãos? Onde está o Portugal Nação Fidelíssima?

Isso é que me preocupa. Os cristãos de Portugal foram votar Sócrates e isso é preocupante.

Temos a Conferência Episcopal sempre a batalhar - como podem e nem sempre da melhor forma - com o governo por causa de questões fundamentais da política e da vida social e os cristãos fazem um manguito aos bispos e colocam o Sócrates a governar mais quatro anos.

Isto é que me assusta.

Gosto da abordagem do Alberto João: Portugal está doente ou endoideceu!


cumprimentos a todos

Alma peregrina disse...

Caro JAC:

Muito obrigado pela sua partilha!

Quanto ao Povo, tem toda a razão e, aliás, eu mencionei as responsabilidades do Povo neste post.

Portugal é um país cheio de católicos, mas de católicos a la carte(como dizia o saudoso Papa João Paulo II) que escolhem a seu bel-prazer aquilo em que acreditam ou não.

Apesar de tudo, não sei se os portugueses fizeram o manguito à Conferência Episcopal ou não. É que por muito que a Conferência se esfalfe, a mensagem não está a chegar ao Zé Povinho (a comunicação social coloca demasiadas interferências).

Acho que foi C.S. Lewis que disse que ser cristão é suportar uma vida de derrotas, a fim de obter uma vitória derradeira.

Finalmente, quanto ao que diz respeito a Alberto João Jardim... sabemos que Portugal ensandeceu de vez quando temos o maior louco da Nação a chamar-nos (com razão) de loucos.

Pax Christi

JAC disse...

Aceito de bom grado a atenção e a resposta!

Partilho da ideia que o cristianismo vive da derrota: pelo menos da aparente derrota. Senão o que é a CRUZ?

Para nós é vitória mas para o mundo?

Claro que temos a obrigação de nos mantermos comprometidos com este mundo: é o que nos é dado a viver!

Alma peregrina disse...

Caro JAC:

Obrigado pelo seu comentário, que tornou este post o primeiro post deste blog a ultrapassar os dois dígitos (em termos de comentários). Eheheh

Pax Christi