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Ano da Fé

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domingo, 15 de fevereiro de 2009

A CIÊNCIA DA FÉ E A FÉ NA CIÊNCIA (parte 2/3)

(continuando)

Muitas pessoas pensam no método científico como “provar uma hipótese”. Na verdade, tal é extremamente raro. Eu apenas posso “provar uma hipótese” se existir um nexo de causalidade linear.
Por exemplo: duas bolas de bilhar. Eu formulo a hipótese: “Se eu fizer uma bola de bilhar chocar na outra, então a segunda vai mover-se”. Neste caso existe um nexo de causalidade linear (o movimento da primeira bola causa o movimento da segunda). Não existe mais nenhuma causa para o movimento da segunda bola de bilhar. Por isso, eu posso “provar a hipótese”, lançando várias vezes uma bola de bilhar contra a outra e observando o movimento gerado pelo choque entre as duas.

Mas, como eu já referi, tal é extremamente raro. Geralmente, não podemos estabelecer um nexo de causalidade linear entre dois acontecimentos. Porque, geralmente, um acontecimento tem várias causas. Dizemos que é “multifactorial”. Portanto, mesmo que eu formule uma hipótese, eu não consigo prova-la, na medida em que o fenómeno (tendo várias causas possíveis) pode acontecer devido a uma variável não testada. Se eu efectuar uma experiência e ela tiver um resultado positivo, eu nunca saberei se o resultado se deveu à causa testada ou a uma outra causa que eu desconheço.

Portanto, na grande maioria dos casos, o método científico NÃO “prova uma hipótese”. Na verdade, o método científico “calcula a probabilidade de o acontecimento ser devido ao acaso”. Parte-se do pressuposto de que a hipótese formulada é errada, a fim de tentar saber se é possível que o acaso seja o responsável por tudo. Não se estudam causalidades, mas associações de fenómenos.

Por exemplo: Eu penso que um dado remédio X cura uma dada doença. Logo, eu formulo a hipótese: “O remédio X cura a doença”.
Mas tanto a doença como a cura são multifactoriais (dependem da predisposição genética do indivíduo, do sistema imunitário, do meio ambiente, da virulência do micróbio, das suas resistências aos antibióticos, dos outros medicamentos utilizados, etc…).
Portanto, dada a complexidade do fenómeno estudado, é possível que o remédio seja uma cura para a doença, mas que não cure todos os doentes. Por outro lado, também é possível que o remédio não seja uma cura para a doença, mas que a cura surja em alguns doentes tratados com o remédio.
Por isso, eu tenho que dar o remédio aos doentes e anotar quantos se curaram e quantos não se curaram. Se eu notar que existe uma percentagem significativa de doentes que se curam quando tratados com o remédio X… eu tenho de verificar se estas curas não se devem a outras causas que não o remédio. Ou seja, eu tenho de verificar se aquilo que eu observei não é devido ao acaso.
O acaso é aquilo que o cientista usa para denominar o conjunto das causas (geralmente desconhecidas) responsáveis pelo fenómeno e que podem interferir na experiência, falseando os resultados. Por isso, eu tenho de calcular a “probabilidade de o fenómeno ser devido ao acaso”. Se essa probabilidade for pequena, então o acaso terá pouca influência, o que leva a pensar que a causa experimentada terá muito mais influência.

Tudo isto serviu apenas para salientar que o método científico assenta no cálculo de probabilidades.

Mas não existe nada mais absurdo do que as probabilidades!

Tomemos o exemplo mais comum: atirar uma moeda ao ar. É fácil chegar à conclusão de que existe uma probabilidade de 50% de sair “cara” e de 50% de sair “coroa”. Mas o que é que isto quer dizer? O que significa realmente? A maioria das pessoas não se dá conta de como isto é um raciocínio absurdo!

É que não existe essa coisa das probabilidades! As probabilidades são uma ilusão, uma ferramenta que nós inventamos para nos ajudar a solucionar certos problemas! É interessante notar que uma das acusações mais frequentes que os ateus fazem é a de que a religião é uma ilusão, uma ferramenta que nós inventamos para nos ajudar a solucionar certos problemas!

Por que são as probabilidades uma ilusão? Porque não existem! Não existem no mundo real! Antes de eu atirar uma moeda ao ar, ela não pode ser “cara” ou “coroa”! E depois de ela cair, só há duas opções: ou sai “cara” ou sai “coroa”. Esta é a realidade! Ponto final!

Ao afirmar que existe uma probabilidade de 50% de sair “cara” ou “coroa”, o que eu estou a fazer é uma projecção. Estou a criar um universo virtual no interior da minha mente. Esse universo virtual é exactamente igual ao nosso, com uma diferença: nesse universo eu lancei a moeda. O mais engraçado é que, nesse universo, eu lancei a moeda uma única vez, mas a moeda caiu um número infinito de vezes. Em metade desse número infinito, a moeda saiu “cara”. Na outra metade, a moeda saiu “coroa”. Pior, quando eu lanço a moeda no mundo “real”, o universo virtual desfaz-se para sempre (porque a projecção dá lugar ao facto real).

Parece-me que este mundo de probabilidades desafia qualquer lógica. É completamente surreal!
E, no entanto, o cientismo confia cegamente nesse mundo absurdo para suportar um método com o qual pretende explicar toda a realidade.
As pessoas não se dão conta do número de medicamentos que são utilizados na prática clínica e que, segundo a lógica, são completamente contraproducentes! Mas se o uso de tais medicamentos é ilógico, por que os usam os médicos? Porque o método científico provou que esse medicamento resulta! Os cientistas deram um salto no vazio lógico, porque têm fé no que o oráculo das probabilidades lhes profetizou!



Outra forma de fazer notar como a Ciência nos pode fazer acreditar em coisas absurdas está na dicotomia Astronomia/Astrologia. Toda a gente sabe que a Astronomia é uma ciência enquanto a Astrologia é uma superstição! Mas a Astrologia é mais científica que a Astronomia! A Astronomia limita-se a observar e, em Ciência, os estudos observacionais são os mais falíveis. A Astrologia, por seu lado, nota um padrão de coincidências entre a posição das estrelas e a vida das pessoas! Se esse padrão se repetir vezes suficientes para que um indivíduo julgue que se trata de algo mais do que acaso, então esse indivíduo pode argumentar, sem sombra de dúvida, que a Astrologia é uma ciência. Não importa que não exista qualquer lógica que relacione os astros com o destino dos humanos! Se a probabilidade de se tratar de um acaso for baixa, então a associação entre as duas variáveis será provada. Paradoxalmente, no caso da Astrologia, a superstição é afastada pela Religião e não pela Ciência.




Ora se, como eu já disse (no post anterior e neste), os postulados científicos podem ser tão ilógicos como os postulados teológicos, então por que havemos de etiquetar uns como absurdos e outros como racionais?

O ateu dirá: “Porque os postulados científicos estão provados cientificamente enquanto os postulados teológicos não estão provados cientificamente”.

E isso é correcto. Eu nunca tentei provar cientificamente os postulados teológicos. Tentei apenas provar que, comparados com a Ciência, esses postulados teológicos não são ilógicos.



Nesta objecção do ateu, ele levantou um outro ponto válido. Já se sabe que os sistemas estruturadores do pensamento (excepto a Lógica) não se podem explicar a si mesmos. Mas será que os sistemas estruturadores do pensamento podem explicar-se uns aos outros? A Fé não se pode explicar a si mesma… mas poderá a Fé explicar a Ciência? A Ciência não se pode explicar a si mesma… mas poderá a Ciência explicar a Fé?

A resposta é: sim!

(continua)

5 comentários:

Alma peregrina disse...

Figura:
"De astronoom" ("O astrónomo").
Jan Vermeer
1668

MRB disse...

Que giro, fizeste-me descobrir, ao contrário do que me têm vindo a ensinar, que não existem estudos experimentais (causais) e correlacionais, mas antes estudos correlacionais-eventualmente-causais e estudos puramente-correlacionais. lol.
Estou a gostar destes posts Fé/Ciência, embora confesso que me dão alguns nós na cabeça:P

Margarida G disse...

olá Pedro!
Gostaria de saber a tua opinião da posilão da igreja contra o casamento homosexual....como sei que tu sabes isto tudo correcto poderias publicar aqui....nao?
beijo*ate breve!!

Alma peregrina disse...

Cara MRB:

É engraçado... essa distinção foi uma das primeiras coisas que me ensinaram no curso! Desfez uma série de ilusões na minha mente, mas ajudou-me a ter uma postura de maior humildade intelectual. Ou seja, uma postura científica em relação à realidade. É uma pena ver as mesmas pessoas que me ensinaram o valor dessa postura de humildade intelectual a rejeitarem essa postura quando se fala de Deus.

Também é uma pena que eu esteja a "dar um nó" na cabeça dos meus leitores. Porque eu sei que, se conseguisse expressar-me de uma forma clara, muitas pessoas iriam compreender os erros científicos do próprio cientismo.



Cara Margarida:

Infelizmente, não estava a pensar abordar esse tema muito cedo. Resta-me dizer que a posição da Igreja é aquela com que me identifico mais. Na verdade, dizer "casamento homossexual" é tão contraditório como dizer "triângulo de 4 lados". São termos mutuamente exclusivos.

A relação homem-mulher é uma relação especial. Toda a sociedade depende dessa relação. Todas as pessoas que compõem a sociedade nasceram de uma união entre um homem e uma mulher. Qualquer outra relação não consegue igualar a mesma função biológica e social e, portanto, não pode ser equivalente.

Nunca na História da Humanidade houve "casamentos homossexuais" até há 30 anos atrás. Em todas as culturas (cristãs e não-cristãs), o casamento foi sempre a união entre um homem e uma mulher. As sociedades compreenderam a importância dessa união e tentaram protegê-la a fim de se protegerem a si próprias.

Mas hoje em dia pensa-se que o casamento não tem nenhuma função social e que o casamento não assenta numa realidade objectiva. Pior, pensa-se que o casamento serve apenas para fazer as pessoas felizes (é por isso que há divórcios assim que a felicidade de um casamento termina). Por isso, pensa-se que, se uma pessoa não pode aceder à felicidade do casamento, então deve poder chamar casamento aquilo que a faz feliz.

Mas a sociedade não legalizou os casamentos para fazer as pessoas felizes. Se assim fosse, não haveria necessidades de casamentos. As pessoas podiam unir-se e desunir-se como quisessem. A sociedade não legalizou os casamentos para fazer as pessoas felizes, legalizou-os porque o casamento (união entre homem e mulher e mais nenhuma outra) é importante para a própria sociedade e, por isso, merece um estaturo próprio.

Espero ter-me feito entender.



Pax Christi!

Canela disse...

Aguardo a continuação!