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Ano da Fé

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

MARQUÊS DE BONCHAMPS (1760-1793)


O que faz uma revolução? Segundo uma concepção extremamente romântica que por aí paira, uma revolução é sinónimo da vontade do Povo, lutando pela sua liberdade, legitimamente derrubando um regime despótico e opressor, violador da dignidade humana. Sem dúvida que, por vezes, será assim. No entanto, na minha opinião, uma revolução é geralmente vontade de uma elite aburguesada e adolescente, não do Povo. Essa elite manipula o descontentamento e miséria populares para impor uma ideologia absurda e minoritária, incapaz de vingar através dos canais apropriados. Instrumentaliza a adesão popular a uma série de promessas demagógicas, para legitimar um projecto político que esse mesmo Povo raramente compreende (e que, se compreendesse, provavelmente nunca apoiaria). É por isso que, quando triunfa a revolução, os revolucionários geralmente empreendem uma odisseia de “educação” do coitado do Povo, porque o coitado do Povo não sabe o que que é melhor para o País, esse mesmo Povo de cuja vontade os revolucionários encheram a boca durante a revolução.


Não é por isso de estranhar que, a seguir aos belos e comoventes hinos revolucionários, se sigam os “necessários” e “inevitáveis” períodos de repressão que os governos revolucionários, por norma, encetam. E, por causa desta concepção extremamente romântica de revolução, a História só reza dos belos e comoventes hinos revolucionários. Toda a gente conhece o célebre lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” da Revolução Francesa, embora raramente se comente o trio (igualmente histórico) “Terror, Histeria e Guilhotina”.

Não admira pois, que aqueles que compartilham desta concepção romântica da revolução, vejam precisamente na Revolução Francesa o seu paradigma. Não é por acaso que a Esquerda (a detentora quase exclusiva da mentalidade revolucionária) tenha nascido precisamente do jacobinismo desta Revolução Francesa. Um jacobinismo do qual a Revolução Republicana de 05/10/1910 não está imune.







Quanto a mim, o que faz uma revolução é, precisamente, a vontade do Povo. A Vontade popular espontânea. A Vontade popular que nasce da própria iniciativa do Povo não “educado” pelas elites revolucionárias. Por isso mesmo, para mim, o paradigma de revolução não é a Revolução Francesa… mas a Revolução de Vendée. Que, paradoxalmente, foi uma resposta contra-revolucionária à Revolução Francesa.


Insígnia dos
soldados do Armée Catolique
"Dieu et Roi"
 Vendée é uma região da França onde, no séc. XVIII, a população apresentava uma forte fé católica e onde a Nobreza, digna desse nome, contribuía para a diminuição das desigualdades sociais. Não é, pois de estranhar, que a Vendée não tenha aderido com muito entusiasmo à Revolução Francesa. Mas, quando a República impôs um recrutamento compulsivo de 300.000 homens nessa região para servirem no Exército, acompanhado de uma perseguição implacável ao clero e aos fiéis praticantes... os Vendéen tomaram armas, mas contra a República. Foi assim que nasceu o Armée Catolique et Royale. Uma verdadeira revolução, assente na verdadeira vontade popular. Claro que os revolucionários, muito democraticamente, enviaram várias tropas para controlar a região.

É nas verdadeiras revoluções que nascem os verdadeiros líderes. E tudo isto foi uma introdução à história de Charles Melchior Artus de Bonchamps… ou, melhor dizendo, o Marquês de Bonchamps. O Marquês era um nobre que lutara bravamente várias guerras e que se retirara da vida política quando a Revolução Francesa estalou. Foi a ele que os Vendéen se voltaram, quando se viram em desvantagem numérica perante um adversário militarizado e bem treinado.

Reza a história que o Marquês de Bonchamps procurou dissuadir os camponeses, porque era possível que os revolucionários apenas destruíssem o clero e a nobreza e que aquela era uma guerra quase perdida. Mas tamanha foi a insistência dos Vendéen, que o Marquês acedeu treiná-los e liderá-los… com a condição de estes jamais cederam à tentação de cometerem crueldades a coberto da Guerra Civil.

Sob a liderança do Marquês de Bonchamps, os Vendéen conseguiram algumas vitórias militares inimagináveis. Infelizmente, não conseguiram resistir mais do que 3 anos, tendo sofrido graves perdas materiais e humanas. O Marquês de Bonchamps não foi imune a essas perdas materiais. Segundo um historiador, os revolucionários terão incendiado o seu château em Saint-Florente-le-Vieil. Os Vendéen rapidamente se prontificaram a repelir violentamente os incendiários. Mas o Marquês terá respondido:







A vida do Marquês de Bonchamps terminaria na batalha de Cholet, onde ele foi mortalmente ferido. Durante essa batalha, os Vendéen capturaram 5.000 republicanos, que pretendiam matar para vingar a morte do seu líder. Mas o Marquês moribundo ordenou às suas tropas que perdoassem e libertassem os prisioneiros. Perante a relutância dos seus subordinados, o Marquês exigiu que, se estes não acatassem a ordem, que ele próprio se colocasse entre eles e os prisioneiros, para que o primeiro golpe o matasse a ele.

Nos seus últimos minutos, o Marquês recebeu a Extrema Unção e declamou as suas últimas palavras:

Eu ouso confiar na Misericórdia de Deus. Não agi por orgulho, nem por uma reputação que a eternidade anularia. Não lutei pela glória terrena. Apenas desejei derrubar uma tirania sanguinária de crime e impiedade. Se não consegui reerguer o Altar e o Trono, pelo menos defendi-os. Servi Deus, o meu Rei, o meu País e aprendi a perdoar…







Os Vendéen continuaram a lutar, mas acabaram por ser derrotados. Terão sido mortos entre 117.000 e 450.000 dos habitantes de Vendée (entre 14,6 e 56,3% da população). No decurso da Revolução Francesa, estima-se que outras 16.000-40.000 pessoas tenham sido decapitadas na Guilhotina. Isto sem contar com as baixas militares nas guerras que os revolucionários fomentaram com as nações vizinhas. Como diria Robespierre, um dos cabecilhas da Revolução Francesa (e que acabaria ele mesmo por ser guilhotinado): “O governo revolucionário é o despotismo da liberdade contra o despotismo da tirania”. No final da Revolução Francesa, Napoleão Bonaparte (um dos combatentes revolucionários) fez um golpe de Estado, acabando por autoproclamar-se Imperador (fazendo emergir da Revolução uma Monarquia absolutista semelhante, senão pior, àquela que a Revolução supostamente combatera).

Mas as forças revolucionárias, para assegurar a pacificação da Vendée, tiveram ainda assim, de ceder-lhes várias concessões, nomeadamente no que diz respeito aos seus direitos de liberdade religiosa e de propriedade.

Por tudo isto, é pena que não haja mais revolucionários como o Marquês de Bonchamps, verdadeiramente interessados em defender a Vontade do Povo (a do Povo, não a deles próprios) contra todo o tipo de injustiças, lutando pelo Bem Comum e pelos valores da Humanidade, mesmo ao ponto do sacrifício das próprias vidas.

3 comentários:

Almas Castelos disse...

Por acaso acabei conhecendo seu Blog. Logo que lí fiquei muito impressionado com esta postagem. Parabéns meu amigo. Que Nossa Senhora lhe abençoe muito. Concordo com tudo o que voce escreveu neste Blog. Afinal todos os católicos somos verdadeiros VANDEANOS DA FÉ (alias meu irmão tem um blog que assim se chama). Parabéns. Estou seguindo seu blog.
Jorge do Blog Almas Castelos (Brasil)

Sinais no Mundo... disse...

Convido-vos a visitar Santa Maria de Scala Coeli...

Alma peregrina disse...

Caros amigos:

Peço desculpa pela publicação tardia dos vossos comentários, mas só hoje tive a oportunidade para visitar o meu blog.

Aproveito para dar as boas-vindas ao blogger Almas Castelos e agradecer-lhe as gentis palavras. De facto, todo o cristão é, em certa medida, um Vendéen. Oxalá possamos ser sempre dignos desses antepassados na Fé (e de tantos e tantos outros).

Pax Christi