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Ano da Fé

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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

MOCK ON, VOLTAIRE, ROUSSEAU


Mock on, mock on, Voltaire, Rousseau:
Mock on, mock on: ‘tis all in vain!
You throw the sand against the wind,
And the wind blows it back again.

And every sand becomes a Gem,
Reflected in the beam divine;
Blown back they blind the mocking Eye,
But still in Israel’s paths they shine.

The Atoms of Democritus
And the Newton’s Particles of Light
Are sands upon the Red Sea shore,
Where Israel’s tents do shine so bright.

William Blake

sábado, 12 de maio de 2012

LÁGRIMA CELESTE


Manhã de Junho ardente. Uma encosta escavada,
Sêca, deserta e nua, à beira d'uma estrada.
Terra ingrata, onde a urze a custo desabrocha,
Bebendo o sol, comendo o pó, mordendo a rocha.


Sôbre uma folha hostil duma figueira brava,
Mendiga que se nutre a pedregulho e lava,
A aurora desprendeu, compassiva e divina,
Uma lágrima etérea, enorme e cristalina.
Lágrima tão ideal, tão límpida, que ao vê-la,
De perto era um diamante e de longe uma estrêla.


Passa um rei com o seu cortejo de espavento,
Elmos, lanças, clarins, trinta pendões ao vento.


- "No meu diadema, disse o rei, quedando a olhar,
Há safiras sem conta e brilhantes sem par,
Há rubins orientais, sangrentos e doirados,
Como beijos d'amor, a arder, cristalizados.
Há pérolas que são gotas de mágua imensa,
Que a lua chora e verte, e o mar gela e condensa.
Pois, brilhantes, rubins e pérolas de Ofir,
Tudo isso eu dou, e vem, ó lágrima, fulgir
Nesta c'roa orgulhosa, olímpica, suprema,
Vendo o Globo a teus pés do alto do teu diadema!
"


E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.

***

Couraçado de ferro, épico e deslumbrante,
Passa no seu ginete um cavaleiro andante.


E o cavaleiro diz à lágrima irisada:
"
Vem brilhar, por Jesus, na cruz da minha espada!
Far-te hei relampejar, de vitória em vitória,
Na Terra Santa, à luz da Fé, ao sol da Glória!
E à volta há-de guardar-te a minha noiva, ó astro,
Em seu colo auroreal de rosa e de alabastro.
E assim alumiarás com teu vivo esplendor
Mil combates de heróis e mil sonhos d'amor!
"


E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu e quedou silenciosa.

***

Montado numa mula escura, de caminho,
Passa um velho judeu, avarento e mesquinho.
Mulas de carga atrás levavam-lhe o tesoiro:
Grandes arcas de cedro, abarrotadas d'oiro.
E o velhinho andrajoso e magro como um junco,
O crânio calvo, o olhar febril, o bico adunco,

Vendo a estrêla, exclamou: "
Oh Deus, que maravilha!
Como ela resplandece, e tremeluz, e brilha!
Com meu oiro em montão podiam-se comprar
Os impérios dos reis e os navios do mar,
E por esse diamante esplêndido trocara
Todo o meu oiro imenso a minha mão avara!
"

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.

***

Debaixo da figueira, então, um cardo agreste,
Já ressequido, disse à lágrima celeste:

"
A terra onde o lilaz e a balsamina medra
Para mim teve sempre um coração de pedra.
Se a queixar-me, ergo ao céu os braços por acaso,
O céu manda-me em paga o fogo em que me abraso.
Nunca junto de mim, ulcerado de espinhos,
Ouvi trinar, gorgear a música dos ninhos.
Nunca junto de mim ranchos de namoradas
Debandaram, cantando, em noites estreladas...
Voa a ave no azul e passa longe o amor,
Porque ai! Nunca dei sombra e nunca tive flor!...
Ó lágrima de Deus, ó astro, ó gota d'água,
Cai na desolação desta infinita mágoa!
"


E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Tremeu, tremeu, tremeu... e caíu silenciosa!...

***

E algum tempo depois o triste cardo exangue,
Reverdecendo, dava uma flor côr de sangue,
Dum roxo macerado, e dorido, e desfeito,
Como as chagas que tem Nosso Senhor no peito...
E ao cálix virginal da pobre flor vermelha
Ia buscar, zumbindo, o mel doirado a abelha!...




Guerra Junqueiro
25/03/1888

terça-feira, 12 de julho de 2011

ACÇÃO DE GRAÇAS

Senhor, eu agradeço-Te...

Senhor, eu agradeço-Te por todos os teus dons, sem os quais eu não existiria, não viveria, não sobreviveria, não seria livre e não seria capaz de procurar a felicidade...
     ... Mas quero hoje agradecer-Te especialmente pelos dons que tantas vezes esqueço.

Senhor, eu agradeço-Te pelos sofrimentos que já me deste...
     ... Porque me ajudaram a perceber melhor como foi grande o Teu Amor na Cruz.

Senhor, eu agradeço-Te pelas dores que alguma vez me afligiram o coração...
     ... Porque me tornaram mais forte para viver a Vida que me deste da melhor forma.

Senhor, eu agradeço-Te pelas humilhações da vida...
     ... Porque me tornaram pequenino e humilde como Tu.

Senhor, eu agradeço-Te pela tristeza...
     ... Porque me tornará mais doce a alegria.

Senhor, eu agradeço-Te pelas noites de solidão desfeitas em lágrimas...
     ... Porque me fizeram ver que eu, sozinho, nada sou.

Senhor, eu agradeço-Te por todas as vezes em que a incompreensão dos outros me olhou como se eu fosse um monstro...
     ... Porque assim pude purificar os meus próprios olhos da trave que me cegava.

Senhor, eu agradeço-Te por todas as vezes em que estendi a mão da Doutrina e da Verdade aos meus irmãos para os ajudar e eles me rejeitaram...
     ... Porque me deste a Esperança de que, por muitas rejeições que eu Te faça, Tu estarás sempre lá para me ajudar e não para me condenar.

Senhor, eu agradeço-Te pelos fracassos e pela impotência diante de tantos males...
     ... Porque me fizeram ver que o importante não são os resultados, mas o esforço e o empenho que se colocam em todas as nossas acções.

Senhor, eu agradeço-Te sempre que falharam os meus projectos mais grandiosos...
     ... Porque assim pude ver que as coisas mais valiosas são as mais pequenas.


Senhor, eu agradeço-Te pelos dias infindáveis que me fizeste esperar no deserto...
     ... Porque deram-me paciência.

.
Senhor, eu agradeço-Te pelas lições de Vida mais difíceis...
     ... Porque mas ensinaste mesmo quando eu não as queria.

Senhor, eu agradeço-Te pelas vezes em que deixaste que o meu pecado me conquistasse...
     ... Porque assim, jamais me vangloriarei diante dos meus irmãos.

E Senhor, agradeço-Te porque sempre que o pecado me conquistou, me terdes dado a graça do arrependimento...
     ... E a redenção que vem com ela.

Senhor, eu agradeço-Te pela minha cruz...
     ... Senão não teria parte na Vossa Gloriosa Ressurreição.

Senhor, eu agradeço-Te por me terdes dado a experimentar o Amor, mesmo quando ele me doeu até às profundezas das minhas entranhas...
     ... Mesmo assim, nunca houve nada mais sublime que tivésseis dado a um mero mortal.

Senhor, eu agradeço-Te...

Mas, Senhor, apesar da benignidade destes vossos dons, permiti-me, por favor, pedir-Vos: lembrai-Vos sempre, sempre, sempre da minha fragilidade. Imploro-Vos, sede paciente e gentil porque me fizeste de pó e carne, mas tão sedento de Amor e de infinito. Secai as minhas lágrimas. Consolai-me nas aflições, como a mãe que anima o filho. Abrigai-me à sombra das vossas asas, como a galinha faz com os pintainhos. Levai-me no Vosso regaço, onde possa ficar sossegado como criança de colo. Estai sempre ao meu lado e à minha frente... e nada me faltará.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

CONSOLO NO REGRESSO AO TRABALHO

Um vídeo comovente inspirado numa passagem do livro "Ortodoxia" do grande G.K. Chesterton

Ver aqui

domingo, 18 de julho de 2010

IGNOTO DEO

Creio em ti, Deus: a fé viva
De minha alma a ti se eleva
És... o que és não sei. Deriva
[Meu sêr do teu: luz... e treva,
Em que... indistinctas! ... se envolve
Este espirito agitado,
De ti vem, a ti devolve.

O nada, a que foi roubado
Pelo sôpro creador
Tudo o mais, o há-de tragar.
Só vive de eterno ardor
O que está sempre a aspirar
Ao infinito d'onde veiu

Belleza és tu, luz és tu,
Verdade és tu só. Não creio
[Senão em ti; O ôlho nu
[Do homem não vê na terra
Mais que a dúvida, a incerteza,
A fórma que engana e erra.

Essencial! a real belleza,
O puro amor... O prazer
[Que não fatiga e não gasta...
Só por ti os póde vêr
O que inspirado se affasta,
Ignoto Deus, das ronceiras,
Vulgares turbas: despidos
[Das coisas vans e grosseiras

Sua alma, razão, sentidos,
A ti se dão, em ti vida,
E por ti vida têem. Eu, consagrado
A teu altar, me prostro e a combatida
Existencia aqui ponho, aqui votado
Fica este livro -- confissão sincera
Da alma que ti vôou e em ti só spera

Almeida Garrett
in Folhas Cahidas

sexta-feira, 2 de abril de 2010

RECONCILIAÇÃO

Há de uma grande estrela cair no meu colo…
A noite será de vigília

E rezaremos em línguas
Entalhadas como harpas

Será noite de Reconciliação
Há tanto Deus a derramar-se sobre nós.

Crianças são os nossos corações,
Anseiam pela paz, doces-cansados

(…)

Não faz o meu coração fronteira com o teu?
O teu Sangue não pára de dar cor às minhas faces.

Será noite de Reconciliação
Se nos dermos a Noite não virá

Há de uma grande estrela cair no meu colo


Else Lasker-Schüller
in Baladas Hebraicas
trad João Barrento

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

CITAÇÃO NATALÍCIA DO MÊS

"Christmas Eve I saw a stable, low and very bare,
A little child in a manger.
The oxen knew Him, had Him in their care,
To men He was a stranger,
The safety of the world was lying there,
And the world's danger."
Mary Elizabeth Coleridge
.
.
.
Aproveito para desejar aos meus leitores uma continuação de um Santo e Feliz Natal
e um Próspero Ano Novo!!!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A CRUZ DOS MINARETES

Aqui há tempos, os suiços votaram em referendo uma alteração constitucional que visa proibir a construção de minaretes (ou seja, as torres das mesquitas que assinalam os momentos de oração dos muçulmanos e os convocam para as suas cerimónias religiosas). Contra todas as previsões, essa proibição ganhou o referendo com 57% dos votos.

Em relação a este assunto tenho duas achegas a dar...

Em primeiro lugar, compreendo a atitude dos partidários da proibição. De facto, o Islamismo tem vindo a crescer na nossa população europeia, quer por via migratória, quer por via demográfica. Os suiços temem a perda da sua identidade religiosa, nacional e étnica perante um assoberbamento muçulmano da sua população. E, sobretudo, temem a imposição da Lei Sharia no seu código legal comum, a fim de agradar a uma minoria (o que já começa a suceder em certas partes do Reino Unido, por exemplo).

Compreendo, sobretudo, porque conheço alguns aspectos da teologia islâmica e sei que ela é propensa a certos impulsos violentos e bélicos.

Deste modo, pouco após o seu nascimento, o Islão expandiu-se pela conquista, tendo formado um Império que abarcou todo o Médio Oriente, o Norte de África, a Península Ibérica, a Turquia, os Balcãs e partes consideráveis da Europa e do sub-continente Indiano.
Desde então, os países sob a Lei Sharia têm tido picos de intolerância religiosa, com perseguições de várias ordens. Ainda hoje, há países cuja religião oficial é a islâmica, nos quais 1) é proibida a prática do ateísmo e do paganismo, 2) nos quais os judeus e os cristãos apenas podem praticar a sua religião se pagarem um imposto especial (constituindo uma classe marginalizada denominada "dhimmis"), 3) nos quais a construção ou restauração de templos de religiões não-islâmicas é estritamente vedada e 4) nos quais um muçulmano não pode converter-se a outra religião sem incorrer na pena de morte.
Ainda na época moderna, é frequente ver os muçulmanos em guerra com a grande maioria das religiões mundiais (contra os cristãos americanos e europeus no Afeganistão, contra os judeus em Israel, contra os hindus em Caxemira, contra os budistas na Tailândia, contra os ateus na U.R.S.S. e mesmo uns contra os outros como, por exemplo, entre as facções sunita e xiita no Iraque).
E não nos podemos esquecer de que os principais responsáveis da maioria dos atentados terroristas actuais (incluindo o 11 de Setembro em Nova York, o 11 de Maio em Madrid e o 7 de Julho em Londres) fazem-no em nome da sua religião muçulmana.

Portanto, esta islamofobia é um medo que surge como uma reacção natural aos vários acontecimentos históricos que se desenrolaram a nível mundial. Todavia, o facto de este ser um medo natural, não o torna um medo legítimo.


Todos conhecem a Suíça como um exemplo de tolerância. Trata-se de um país que conseguiu manter a neutralidade diante de várias guerras que varreram a Europa (tendo até conseguido ganhos económicos consideráveis com essa neutralidade). No entanto, eu, nos meus escassos anos de vida, já tive ocasião de perceber que não há pessoas mais intolerantes do que aquelas que vendem gratuitamente uma imagem de "tolerância". Isso aplica-se aos modernistas, mas também se pode aplicar aos suiços. E a prova está precisamente no resultado deste referendo dos minaretes (que, se não me engano, é o primeiro desta ordem na Europa a dar prosseguimento a uma limitação objectiva da liberdade religiosa dos muçulmanos).

Se formos a ver a própria história da Suiça, vemos um país fundado na intolerância religiosa. A Suiça, como hoje a conhecemos, foi criada por Calvino, um reformador protestante que criou em Genebra uma comunidade com as suas próprias leis subordinadas à sua teologia. Uma comunidade que, assim, passou a estar ghettizada numa espécie de isolacionismo europeu, que "convidava a sair" todos os que não se identificassem com a recém-adquirida identidade nacional. Não houve, em toda a história da Reforma Protestante, maior perseguição aos católicos do que na Genebra de Calvino. Além disso, não foram só os católicos. Segundo uma associação judaica, há um século, os suiços proibiram por via referendária o ritual judaico de matar animais, a fim de persuadi-los a afastarem-se do país.

E é claro que não nos podemos esquecer que estes argumentos usados contra os muçulmanos podem muito bem ser usados contra nós, católicos, pela crescente onda laicista que vem varrendo a Europa (vide a recente proibição dos crucifixos na escola pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos).

Ora, se os muçulmanos consideram a presença de um minarete como fundamental para o seu exercício religioso, eu não me oponho. Na verdade, oponho-me a qualquer oposição a esse direito fundamental que é o direito à liberdade religiosa. Esse é um Direito Humano e que, como tal, é inalienável, mesmo perante uma maioria popular democrática.

Em última análise, não me posso esquecer de um poema do Pastor Martin Niemöller, um protestante que viveu na Alemanha nazi:


"Na Alemanha eles prenderam primeiro os comunistas
e eu não os defendi porque não era comunista.
Depois, eles prenderam os sindicalistas
e eu não os defendi, porque não era sindicalista.
Depois, eles prenderam os judeus
e eu não os defendi, porque era cristão.
Depois, eles prenderam os católicos
e eu não os defendi, porque era protestante.
Depois, eles vieram prender-me
e já não restava ninguém que me pudesse defender..."

domingo, 28 de junho de 2009

POESIA (de encerramento do ano paulino)

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos…
se não tiver Amor, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.


Mesmo que eu tivesse o dom da profecia,
e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência,
mesmo que tivesse toda a fé, ao ponto de transportar montanhas…
se não tiver Amor, não sou nada.


Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres,
e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado…
se não tiver Amor, de nada valeria!


O Amor é paciente,
O Amor é bondoso. Não tem inveja.
O Amor não é orgulhoso. Não é arrogante. Nem escandaloso.
Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor.
Não se alegra com a injustiça, mas rejubila-se com a Verdade.
Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.


O Amor jamais acabará.
As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará.
A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita.
Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá.




S. Paulo de Tarso
in 1Cor 13:1-10
.
.
PS: Uma leitora deste blog aproveitou este post para me chamar a atenção para mais uma poesia, ilustrativa da vida de S. Paulo e do objectivo do ano paulino. Para ler, basta ir a este site e clicar no PPS de S. Paulo (é logo o primeiro).
Aproveito para deixar os meus agradecimentos a esta irmã pela sua participação. Pax Christi!

domingo, 31 de maio de 2009

PENTECOSTES

"Quem és Tu, doce luz que me cumula

E ilumina as trevas do meu coração?
Tu guias-me como a mão de uma mãe
E, se me largasses
Eu não poderia dar nem mais um passo.
Tu és o espaço
Que envolve o meu ser e o abriga em Ti
Se o abandonasses, afundar-se-ia no abismo do Nada
De onde o tiraste para o elevares até à Luz.
Tu, mais próximo de mim
Do que eu mesma estou,
Mais íntimo
Do que as profundezas da minha alma,
E, contudo, intocável e inefável
Para além de todo o nome
Espírito Santo, Amor Eterno!



Não és Tu o doce maná
Que, do coração do Filho
Transborda para o meu,
Alimento dos anjos e dos bem-aventurados?
Aquele que se ergueu da morte à vida
Acordou-me também a mim
Do sono da morte para uma vida nova,
E, dia após dia,
Continua a dar-me uma nova vida,
Cuja plenitude um dia me inundará,
Vida saída da Tua Vida.
Sim, Tu mesmo,
Espírito Santo, Vida Eterna!"





Sta. Teresa Benedita da Cruz
in "Poesia no Pentecostes"
1942

domingo, 10 de maio de 2009

MAGNIFICAT

"A minha alma glorifica ao Senhor.

O meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para Sua pobre serva.

Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas Aquele que é poderoso e cujo Nome é Santo.

Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.

Manifestou o poder do Seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.

Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.

Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da Sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre."
.
Virgem Santa Maria
in Lu 1:46-55.

segunda-feira, 16 de março de 2009

POESIA (PARA A QUARESMA)

"Deus Omnipotente e Eterno,

Aproximo-me do Sacramento de Teu Filho Unigénito

Nosso Senhor Jesus Cristo



Venho doente em direcção ao Médico da Vida

Venho impuro em direcção da Fonte da Misericórdia

Venho cego em direcção à radiância da Luz Eterna

Venho pobre em direcção ao Senhor dos Céus e da Terra.

Senhor, na Tua infinita generosidade

Cura a minha doença

Purifica a minha impureza

Ilumina a minha cegueira

Enriquece a minha pobreza

Veste a minha nudez


Possa eu receber o Pão dos anjos

O Rei dos reis, o Senhor dos senhores

Com reverência humilde, pureza e fé,

Arrependimento e amor e com um

Propósito firme que me traga à salvação

Possa eu receber o Sacramento

Do Corpo e Sangue do Senhor

A sua realeza e poder.


Rei Deus, possa eu receber o Corpo

Do Teu Filho Unigénito, Nosso Senhor Jesus Cristo

Nascido do ventre da Virgem S. Maria

E, assim, ser recebido no Seu Corpo Místico

E contado entre os seus membros.


Pai de Amor, tal como, nesta peregrinação terrena

Eu recebo o Teu amado Filho, sob o véu de um Sacramento

Possa eu um dia ver a Sua Face em Glória

Que vive e reina para sempre.


Ámen"


S. Tomás de Aquino

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

POESIA

Hoje, gostaria de iniciar uma nova rubrica do meu blog, dedicada à poesia sacra.

E penso sinceramente que não há melhor poema para iniciar do que este que Ele próprio nos ensinou:



"Pai Nosso, que estais no Céu.

Santificado seja o Vosso Nome

Venha a nós o Vosso Reino

Seja feita a Vossa Vontade

Assim na Terra como no Céu.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje

Perdoai-nos as nossas ofensas

Assim como nos perdoamos

A quem nos tenha ofendido.

E não nos deixeis cair em tentação

Mas livrai-nos do Mal.

Ámen"


Mt 6:9-13