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Ano da Fé

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terça-feira, 3 de julho de 2012

COISAS DO DEMO

Ilustração de Satanás de Gustave Doré para
o Canto XXXIV de "Inferno", "Divina Comédia" de Dante Alighieri

É sempre interessante escrever sobre temas malditos, ocultados pela nossa imprensa, alegadamente aberta e plural. Este é o maldito dos malditos. Em tempos tão diversos e heterodoxos, é estranho constatar a total ausência de alguém central na cultura ocidental há milénios. A nossa época, que multiplica as personagens e faz regressar velhas lendas e figuras clássicas, nunca fala do diabo.
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Ao longo da história não houve dúvidas sobre a existência e influência do pai da mentira (Jo 8, 44), tentador (Mt 4, 3), inimigo de toda a justiça (Act 13, 10), ameaçando-nos com as suas malícias e aquele seu lugar maldito - a Geena de fogo (Mt 4, 22), o inferno (Lc 10, 15) - onde podíamos cair. Hoje esses assuntos são totalmente omissos, meras figuras de retórica ou cenas de pantomima.
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A razão não pode vir de vivermos em tempos secularizados, pela simples razão que não vivemos nesses tempos. Não só os crentes permanecem a esmagadora maioria da população, mas o actual pluralismo fez renascer múltiplas formas de culto e espiritualidade. Além disso, a falta de referências a Satanás não se verifica apenas entre os ateus, mas também nos devotos. Homilias, orações, livros e discussões teológicas desenvolvem-se quase sem referências às forças do mal e seu poder, antes tão populares. No meio de enorme diversidade de temas e abordagens de uma época turbulenta, Lúcifer parece ausente até das igrejas. O secularismo actual significa, afinal, crença firme em Deus com recusa de Satanás.
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É curioso perceber porquê. A razão liga-se ao axioma mais central e indiscutível da nossa cultura. Somos o tempo da liberdade, humanismo, técnica e poder sobre a natureza. Ora nada destrói mais esses valores que saber-nos sujeitos a influências maléficas, que turvam as nossas escolhas, distorcem a nossa humanidade, pervertem as nossas obras e podem dominar a nossa vida. Se existem tentações demoníacas, lá se vão os sonhos de tolerância, humanismo, liberdade. Caímos no real. O ser humano, que se acha radicalmente autónomo e soberano, ainda tolera com diplomacia um deus longínquo, mas nunca se considerará sujeito ao demónio.
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Paradoxalmente é também o tempo actual que mais manifesta a evidência do diabo e onde a presença palpável do inferno se tornou mais visível e patente. Os telejornais trazem às nossas salas mais cenas de horror e maldade que alguma vez a humanidade assistiu, e a cada passo vemos personalidades descritas como encarnação do mal absoluto. Mas é na ficção que essa presença surge esmagadora.
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Argumentistas de cinema e televisão espremem os miolos para criar os vilões mais funestos, com especial predilecção pela malícia em estado puro. Só assim se explica a obsessão cinematográfica pelos psicopatas, vampiros, extraterrestres, fanáticos e outros seres irredutivelmente cruéis sem elemento redentor. Numa palavra, demónios. Por outro lado a contínua descrição romanceada de estados desesperados e irrecuperáveis, da droga à escravatura e à demência, só pode ser tomada como nostalgia do inferno. Nenhuma criança das eras bárbaras viu tanta mortandade, violação e desumanidade como as nossas nos media.
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Assim o demónio, nunca sob o próprio nome, está hoje mais presente que em tempos antigos. Por todo o lado, menos na nossa consciência, onde persiste a ilusão da independência. Isso dá-lhe mais poder. "Há dois erros, iguais e opostos, em que a nossa raça pode incorrer quando de demónios se trata. Um é descrer da sua existência. O outro é crer nela e sentir por eles um interesse excessivo e doentio. A eles, ambos os erros lhes são agradáveis e acolhem com idêntico prazer o materialista e o mago" (C. S. Lewis, 1942, The Screwtape Letters, prefácio).
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A evidência que esta aparente ausência é coisa do demo não custa a compreender, pois ela tem terríveis efeitos morais. De facto, não havendo Belzebu, os horrores indizíveis que vemos só podem ser culpa do próximo, a quem portanto agredimos justificadamente. Se o diabo não existe, "o inferno são os outros" (J. P. Sartre, 1944, Huis-clos).
João César das Neves

domingo, 24 de junho de 2012

CITAÇÃO DO MÊS (e do dia de S. Thomas More)

... que lamentavelmente, já foi há 2 dias, mas não consegui postar mais cedo :P



"The resistance of More and Fisher to the royal supremacy in Church government was a heroic stand. They realised the defects of the existing Catholic system, but they hated and feared the aggressive nationalism which was destroying the unity of Christendom. They saw that the break with Rome carried with it the risk of a despotism freed from every fetter. More stood forth as the defender of all that was finest in the medieval outlook. He represents to history its universality, its belief in spiritual values, and its instinctive sense of otherworldliness. Henry VIII with cruel axe decapitated not only a wise and gifted counselor, but a system which, though it had failed to live up to its ideals in practice, had for long furnished mankind with its brightest dreams."

Sir Winston Churchill

domingo, 17 de junho de 2012

O SUSPIRO DO CORAÇÃO


Por vezes os desenhos-animados conseguem ser mais adultos do que os filmes... e, por vezes, as obras pagãs conseguem veicular mensagens perfeitamente cristãs.

É assim com "Suspiro do Coração" ("Whisper of the Heart" em inglês; "Mimi wo sumaseba" em japonês), uma animação dos célebre estúdio Ghibli, realizado em 1995 e comercializado em 1997.

Além de estar soberbamente animado (contêm algumas das cenas melhor animadas que eu já vi), é também belo e profundo simultaneamente em conteúdo. Tenho a certeza que irá tocar o coração de qualquer um, sobretudo dos jovens que buscam saber qual a sua vocação.

"Suspiro do Coração" não é uma animação de fantasia, embora possa parecê-lo na capa. Trata da história de dois adolescentes que procuram saber qual o seu lugar no Mundo... e das crises existenciais que eles vivem no processo.

É um filme que exalta o mérito, o trabalho, a família... Um filme que demonstra que devemos pôr a render os nossos talentos... Um filme que convida a enfrentar o desespero quando avançar parece impossível... Um filme que explica que, para se seguir um caminho diferente dos outros, é preciso coragem, mas também responsabilizar-se pelas escolhas tomadas... E, como bónus, tem uma cena lindíssima que explica maravilhosamente o que é realmente o amor conjugal (não somente a paixão inicial, mas o espírito de sacrifício e entreajuda).

Na minha opinião, é uma das melhores animações que eu já vi, senão mesmo a melhor. Fica a recomendação, se alguma vez o virem num escaparate...


quinta-feira, 7 de junho de 2012

ESTE É O MEU CORPO!

"Este é o meu corpo!"

Esta é uma frase que mudou o Mundo! Uma frase que instituiu um caminho para a salvação da Humanidade! Uma frase que é celebrada hoje, solenemente, pela Igreja.

É a frase que Jesus Cristo pronunciou na véspera da sua morte de Cruz, para que fosse instituído um memorial perpétuo do Seu sacrifício, um sinal visível do Seu Amor a estender-se até ao fim dos tempos, para que eu e vós pudéssemos ainda hoje, 2.000 anos depois, experimentar a maravilha deste acontecimento!
Este é o Meu Corpo

 "Este é o meu corpo!"

Que irónico que esta frase divina seja hoje usada num sentido diabólico! Mas é de admirar? O Diabo não pode criar, isso só a Deus pertence! O Diabo pode apenas deturpar, falsificar, conspurcar a essência daquilo que é benigno!

É por isso que a maternidade é vista hoje como uma opressão, um obstáculo à auto-realização pessoal, uma imposição cultural de uma hierarquia machista...
... Quando, na realidade, a maternidade é a prenda mais bela que Deus concedeu: a possibilidade de se ser co-autora com a Divindade no processo da criação da Humanidade e da criação da História! A possibilidade de partilhar o Amor que Deus tem por nós!

É também por isso que o Diabo pegou nesta frase "Este é o meu corpo". Pegou na frase que Deus usou para nos aproximar d'Ele... e usou essa mesma frase para nos afastar d'Ele.
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Os progressistas ufanam-se de falar em nome de Jesus para criticar a Igreja. Gostam de se autoproclamar eles os verdadeiros intérpretes da Palavra. Só eles sabem as reais intenções de Jesus, não os sacerdotes que Ele escolheu para guiar o Seu Povo.
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Mas lá porque usam as mesmas frases, não significa que se esteja em comunhão.
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Sem dúvida que existe uma grande diferença entre usar a frase "Este é o meu corpo!" para tirar a vida...
... e usar a frase "Este é o meu corpo!" para DAR A VIDA!

Porque foi isso que Jesus fez: Deu a vida! Para que os outros tivessem vida!


Sem dúvida que existe uma grande diferença entre usar a frase "Este é o meu corpo!" para fazer a sua própria vontade...
... e usar a frase "Este é o meu corpo!" para FAZER A VONTADE DE DEUS!

Porque foi isso que Jesus fez: fez a Vontade do Pai, sacrificando tudo a Ele!

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Sem dúvida que existe uma grande diferença entre usar a frase "Este é o meu corpo!" para justificar uma existência egocêntrica e hedonista...
... e usar a frase "Este é o meu corpo!" para PODER AMAR!
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Porque foi isso que Jesus fez: amou até ser totalmente consumido! Porque o verdadeiro Amor apenas se manifesta na Cruz!

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Nesta solenidade relembremos o verdadeiro significado da frase "Este é o meu corpo!"... e procuremos reencontrar a dignidade do nosso próprio corpo aí.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

CITAÇÃO DO MÊS (e de Maio)

Aquele que os céus não conseguem conter, foi trazido no ventre de uma mulher

Bispo Sto. Agostinho de Hipona

quarta-feira, 23 de maio de 2012

FÁTIMA ATRAIÇOADA!


Muitos católicos congratularam-se (e com boa fé, sem dúvida) com os 300.000 peregrinos que visitaram Fátima no passado 13 de Maio (tantos como na última manifestação da CGTP, que teve muito mais atenção mediática).

É-me indiferente!

Tal como me foi indiferente a notícia da recente quebra no número de católicos portugueses. E tal como me é indiferente o argumento de que a Igreja tem que se acomodar aos tempos modernos porque a "maioria dos católicos" assim o quer.

Na verdade, esta notícia entristece-me, porque demonstra uma pesada derrota da Nova Evangelização e ainda uma mais pesada derrota da Caridade que é natural ao género humano. Se se verificar a veracidade do que é relatado neste post, é muito grave.

 «Na sua solicitude pelo bem de todos [um activista pró-vida] passou o dia doze (12), do corrente, em Fátima mendigando assinaturas para uma petição a favor de um novo referendo sobre o aborto que tem como propósito abrogar a “lei” injusta e iníqua em vigor. Chegou a casa, em Lisboa, às três horas da madrugada do dia treze (13). Nesse dia, mais tarde, confidenciou-me amargurado: “Nunca imaginei que houvesse tanta gente em Portugal a favor do aborto enquanto outros numa indiferença confrangedora nem me respondiam ao apelo contra o aborto e mostravam uma indiferença total…! E isto em Fátima!”.»

Grave! Muito, muito grave! Será que estes peregrinos sabem quem é Aquela a quem se dirigiram em peregrinação?

Eu vou dizer: é Maria!

Maria que escolheu A VIDA, sem hesitar! Porque era a Vontade de Deus!

Maria que assumiu sobre si todos os estigmas sociais daquela gravidez inesperada e não planeada, que pôs em risco todo o seu futuro, a sua reputação, o amor do seu esposo, mesmo sem compreender porquê, mesmo sem saber o que a esperava (para além de uma espada de dor que lhe fôra profetizada)!

Maria que fugiu horrorizada do Rei Herodes, para quem os inocentes chacinados eram apenas números desumanizados para ganhar um xadrez político!

Maria que apareceu em Fátima para apelar à conversão! Que disse que o pecado que mais pessoas arrastava para o Inferno era a luxúria sexual!

Maria que é o modelo de todos os cristãos! Maria que é a mais reverenciada de todos os santos! Maria que é o expoente da Humanidade!

Porquê?

Que fez ela de tão extraordinário?

Eu digo:

Foi MÃE!

E estas pessoas vão todas pimponas a peregrinar a Fátima, pedir-lhe favores, pedir intercessão, pedir milagres... e depois são indiferentes aos rogos dos cristãos que querem salvar crianças? Ou até são-lhes adversos?

Só me vem à cabeça o sacerdote e o fariseu da parábola de Jesus, que estavam tão preocupados em chegar ao Templo com os rituais de purificação em ordem, que até abandonaram o homem saqueado à beira da estrada! Não foram esses que agradaram a Deus!

E, já que estamos a falar das palavras de Jesus, então convém recordar: "Aquilo que fizestes aos mais pequeninos, foi a Mim que o fizestes".

Com que lata pedem a crucifixão de Jesus vezes e vezes sem conta nos abortuários de Portugal e depois vêm pedir à Sua Mãe para interceder por eles, sem uma réstia de arrependimento?

Como podem venerar Maria com os corpos e com a boca... e depois venerar Moloch nos seus corações? Ninguém pode venerar Maria e Moloch ao mesmo tempo! São princípios totalmente opostos e antagónicos!!!

As bolhas nos pés não significam NADA! Os joelhos esfolados não significam NADA! Os gestos farisaicos de religiosidade exterior não significam NADA!

Jesus Cristo disse: "Eu não quero sacrifícios, mas a misericórdia". E Maria segue sempre o Filho.

Tende MISERICÓRDIA dos MILHARES de CRIANÇAS ASSASSINADAS em Portugal.

Assim é que honram Fátima como ela merece!

sábado, 12 de maio de 2012

LÁGRIMA CELESTE


Manhã de Junho ardente. Uma encosta escavada,
Sêca, deserta e nua, à beira d'uma estrada.
Terra ingrata, onde a urze a custo desabrocha,
Bebendo o sol, comendo o pó, mordendo a rocha.


Sôbre uma folha hostil duma figueira brava,
Mendiga que se nutre a pedregulho e lava,
A aurora desprendeu, compassiva e divina,
Uma lágrima etérea, enorme e cristalina.
Lágrima tão ideal, tão límpida, que ao vê-la,
De perto era um diamante e de longe uma estrêla.


Passa um rei com o seu cortejo de espavento,
Elmos, lanças, clarins, trinta pendões ao vento.


- "No meu diadema, disse o rei, quedando a olhar,
Há safiras sem conta e brilhantes sem par,
Há rubins orientais, sangrentos e doirados,
Como beijos d'amor, a arder, cristalizados.
Há pérolas que são gotas de mágua imensa,
Que a lua chora e verte, e o mar gela e condensa.
Pois, brilhantes, rubins e pérolas de Ofir,
Tudo isso eu dou, e vem, ó lágrima, fulgir
Nesta c'roa orgulhosa, olímpica, suprema,
Vendo o Globo a teus pés do alto do teu diadema!
"


E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.

***

Couraçado de ferro, épico e deslumbrante,
Passa no seu ginete um cavaleiro andante.


E o cavaleiro diz à lágrima irisada:
"
Vem brilhar, por Jesus, na cruz da minha espada!
Far-te hei relampejar, de vitória em vitória,
Na Terra Santa, à luz da Fé, ao sol da Glória!
E à volta há-de guardar-te a minha noiva, ó astro,
Em seu colo auroreal de rosa e de alabastro.
E assim alumiarás com teu vivo esplendor
Mil combates de heróis e mil sonhos d'amor!
"


E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu e quedou silenciosa.

***

Montado numa mula escura, de caminho,
Passa um velho judeu, avarento e mesquinho.
Mulas de carga atrás levavam-lhe o tesoiro:
Grandes arcas de cedro, abarrotadas d'oiro.
E o velhinho andrajoso e magro como um junco,
O crânio calvo, o olhar febril, o bico adunco,

Vendo a estrêla, exclamou: "
Oh Deus, que maravilha!
Como ela resplandece, e tremeluz, e brilha!
Com meu oiro em montão podiam-se comprar
Os impérios dos reis e os navios do mar,
E por esse diamante esplêndido trocara
Todo o meu oiro imenso a minha mão avara!
"

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.

***

Debaixo da figueira, então, um cardo agreste,
Já ressequido, disse à lágrima celeste:

"
A terra onde o lilaz e a balsamina medra
Para mim teve sempre um coração de pedra.
Se a queixar-me, ergo ao céu os braços por acaso,
O céu manda-me em paga o fogo em que me abraso.
Nunca junto de mim, ulcerado de espinhos,
Ouvi trinar, gorgear a música dos ninhos.
Nunca junto de mim ranchos de namoradas
Debandaram, cantando, em noites estreladas...
Voa a ave no azul e passa longe o amor,
Porque ai! Nunca dei sombra e nunca tive flor!...
Ó lágrima de Deus, ó astro, ó gota d'água,
Cai na desolação desta infinita mágoa!
"


E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Tremeu, tremeu, tremeu... e caíu silenciosa!...

***

E algum tempo depois o triste cardo exangue,
Reverdecendo, dava uma flor côr de sangue,
Dum roxo macerado, e dorido, e desfeito,
Como as chagas que tem Nosso Senhor no peito...
E ao cálix virginal da pobre flor vermelha
Ia buscar, zumbindo, o mel doirado a abelha!...




Guerra Junqueiro
25/03/1888